quinta-feira, setembro 07, 2017

DEBATES, AUTARQUICAS 2017 (RTP3)



(...) nota-se n'esta cidade uma tendência energica e profunda para satisfazer às exigências da vida moderna.

Pinheiro Chagas, 1874.

o debate que decorreu a semana passada entre os candidatos ao município de C. Branco foi no meu entender bastante moderado em termos de criatividade e ideias novas, com muito pouco futuro por discutir. estes debates que a televisão organiza são muito bem conseguidos e necessários junto da opinião pública, fornecem elementos a essas forças de cidadania pragmática, implicam discussão pública, democracia.

  reconhecendo méritos ao atual presidente (PS) perante este primeiro mandato à frente do concelho, com atuações solidas em algumas áreas, no entanto, outras nem por isso, falta de mão-obra qualificada nas áreas que a cidade podia multiplicar as suas mais-valias. ouvi revelar os projetos âncora nas áreas da cultura, mas este município não tem nos seus quadros, antropólogos e outras áreas afins para trabalhar as áreas culturais, como é que uma cidade que se quer pensar em termos culturais não inclui nos seus quadros antropólogos? talvez a cidade tenha mesmo que girar em torno de si mesma, em torno dos seus quotidianos, dos seus comércios locais, dos seus artesãos, dos seus habitantes que vivem e sentem a cidade? por outro lado, notas que só iriam reforçar esse sentido de "olhares para um território em conjunto", no que respeita ao candidato do PS, foi não ter reconhecido os méritos de um concelho como o de Idanha-a-Nova, no sentido de projetar essas mais valias em torno da cidade e suas possíveis partilhas/extensões inter-culturais. discutiu-se o turismo de natureza, então o grande projeto dinamizador da região nesta área não é o Geopark Naturtejo? então e o Parque Tejo Internacional? porquê que custa tanto aos atuais candidatos reconhecer os méritos num concelho ao lado, pois só traz mais-valias?

repetidamente discutiu-se turismo, no meu entender, discutir turismo sem essa dimensão de polos de atracção turísticos, faz pouco sentido. também não são os tão aclamados "hotéis de charme" (incrível que esta cidade esteja a ser pensada atras destes conceitos já ultrapassados na maioria dos trânsitos turísticos); é urgente fazer-se as etnografias da cidade, da revitalização do comercio local e das suas redes periurbanas, esses saberes-fazer em urgente requalificação. a unidade museologica do bordado de C. Branco pode e deve ser uma lente para se fazer uma etnografia deste labor no presente da cidade e até ir mais além com alguma candidatura mais ousada; as memórias desta tão importante atividade para a cidade, e os seus lugares e itinerários; o museu municipal com os seus sentidos de leitura para o vasto território da Beira Interior; e já agora porquê que não se pensa a arte contemporânea em conjunto com os artistas da cidade e do distrito? 


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