são tantas as designações que me dão e me projectam mas nenhuma me diz respeito. eu sou uma oliveira centenária, simplesmente isso, assim como os vossos esquecidos idosos, a quem agora teimam em não deixar morrer sozinhos (todos morremos sozinhos). a diferença entre eles e nós, velhos troncos carcomidos, é que nós sabemos o proposito do nosso fim e eles infelizmente e inocentemente não têm noção da carga invejosa da sociedade quando deixam de ser úteis apenas economicamente (marx tinha razão). a titulo de exemplo, o caso da minha mãe doente de alzheimer ainda durante o seu estado intermédio da doença, fui obrigado a fazer uma viajem até sintra (lisboa) para um eventual internamento, pois no concelho de Idanha-a-nova era completamente impossivel. contra (des)seguranças sociais a minha mãe foi internada neste deposito e passado uns meses daria entrada num hospital da capital, com uma pneumonia, repleta de ansioliticos, meia desidratada...enfim, uma abreviatura para morrer depressa...
e agora vêem estes ideologos da morte acompanhada, sem perceberem que o lado do problema da morte solitária nunca esteve do lado da solidão mas sim das opções de assistência para uma vida solenemente acompanhada e socialmente viável. pensam em criar modelos.. .