terça-feira, outubro 31, 2006

Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional



O primeiro geoparque português está aqui a um passo. Trata-se do Geoparque Naturtejo, com este criterioso conceito nasce toda uma preciosa valorização patrimonial desta região raiana.

Arquitectura tradicional: casas tradicionais da aldeia do Rosmaninhal



Casas tipicas de andar da aldeia do Rosmaninhal. O piso inferior é denominado de "sotão" e está destinado à sala e aos quartos. No andar funciona a cozinha com acesso ao forro. Como se vê, pela foto, este conjunto de casas tradicionais está no limiar do seu desmonoramento. Quanto à sua recuperação, é sempre um processo complicado, pois estas casas, como na grande maioria das aldeias, são objecto de inúmeras partilhas. Uma pequena casa chega a ter 10 herdeiros, todos a disputam ao mais elevado apreço, chegando muitas vezes a ser motivo de brigas e até mortes. É a eterna e difusa questão das heranças patrimoniais.

Arraial agricola




Arraial agricola, Idanha-a-Nova.

Os arraiais são, essencialmente, grandes centros de lavoura, intimamente ligados à grande propriedade e à agricultura extensiva. Neste caso, trata-se de uma sede de lavoura mais modesta, com as suas infraestruturas de apoio: cabanal, palheiro, casa de ganhão e pocilga.

Arquitectura tradicional: casas tradicionais de xisto das Soalheiras





A aldeia das Soalheiras situa-se na margem direita do Ribeiro da Velha e dista a 9 Km do Rosmaninhal (sede de freguesia). É, sem qualquer dúvida, uma aldeia soalheira. A sua arquitectura tradicional acenta, sobretudo, no xisto. Todavia, estas construções mais antigas têm sido, progressivamente, destruidas em prol do tijolo. No entanto, a aldeia ainda sustenta um núcleo considerável destas construções mais antigas. Enquadra-se na tipologia da casa tipica do Sul, de aspecto limpo e fresco, caiada por dentro, com ausência de escadas exteriores e varandas. Os palheiros destinados ao gado e ao armanezamento do feno, serviram outrora de dormitório aos rapazes, pois apenas dormiam na exígua casa de habitação as raparigas e a mãe. Era prática comum criar-se dúzias de filhos em acanhados espaços destas construções tradicionais.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Outra vez os caminhos



os gritos eram de pó
mas tu continuas a caminhar
não sabes onde estás
mas pensas pensas no tempo
na magia das árvores e do vento
tens o avulso das letras
mas preferes a caligrafia do silêncio
talvez ainda hoje te segrede o sabor da maçã
ou aquele outro sabor sonhado
tu acenas com o coração
& o vento faz a viagem por ti

terça-feira, outubro 17, 2006

Os muros: um patrimonio esquecido





Muro de xisto. Alcantara, Espanha.

A taberna da Ti Barata






Taberna da Ti Barata. Rosmaninhal.

Cá fora a manhã passa, lenta e lânguida. A taberna está aberta. Ouvem-se algumas mulheres. Os homens ainda não apareceram. A Ti Barata está sentada numa cadeira, com os braços sobre a mesa e olha para tudo com aquele olhar de quem não quer ver nada. Pergunto se lhe apetece trocar algumas palavras sobre esse tempo que a taberna emana. Os olhos semi-fechados esforçam-se para o foco de luz da minha curiosidade e algumas palavras soltam-se para exorcizar este tempo, o tempo de tudo, ouvindo-se o tempo do nada: "Dantes não tinhamos nada mas a taberna estava sempre tcheia, agora já há de tudo, tudo quer os cafeis e já ninguém quer estas coisas velhas". Entretanto, entra um homem apressado, diz bom dia e "bota-me um copo de aguardente que ainda não comi nada". Bebe de uma vez. Pede outro, bebe de igual modo. Torna a pedir outro e puxa pela velha carteira para pagar. Pergunta à Ti Barata quanto lhe deve. A ti Barata faz a conta, o homem diz-lhe que está mal, ela torna a rever e consente o seu engano. O homem responde: "Queres me roubar a mim para dar aos outros? Ela ri-se e o homem sai. A conversa fica retida no tempo e a Ti Barata regressa ao lugar do nada.

domingo, outubro 15, 2006

O ciclo do vinho







Figueira de Castelo Rodrigo. Adega Cooperativa.

O ciclo do vinho, esse mágico e alquimico "saber-fazer", ancestral e divino, expoente de muitas civilizações mediterrâneas. Afinal o que é o vinho? o vinho é associado ao sangue, é a bebida da imortalidade. Simbolo do conhecimento e da iniciação. Na Grécia antiga, o vinho substituia-se ao sangue de Dioniso e representava a bebida da imortalidade. Nas sociedades secretas chinesas, o vinho (de arroz) misturava-se com sangue na altura do juramento e, enquanto bebida de comunidade, permite alcançar a idade de cento e noventa e nove anos. O vinho é também um elemento de sacrificio.

Arquitectura tradicional: furdas circulares em falsa cupula da Zebreira







Zebreira. Furdas tradicionais. Construções circulares em xisto com a cobertura em falsa cupula. Revelam a importância - hoje em decadência - da criação do porco na economia doméstica. Trata-se de um interessante conjunto arquitectónico dedicado à criação do porco.

sábado, outubro 14, 2006

Arquitectura tradicional: casa de tres pisos



Rosmaninhal. Casa de três pisos. Curiosamente num território de latinfundio, com uma geografia, um clima e uma história agrária que explicam o predominio da casa terrea, aparecem alguns exemplares, embora em menor escala, destas casas de três andares, tipicas de zonas serranas.

quarta-feira, outubro 11, 2006

dia de feira



"Dia de feira, dia de negocios".

A feira está fraca, diz um homem com uma bacia de plástico debaixo do braço. mais à frente três homens almoçam. discutem preços. reparo num prato de pimentos. aproximo-me e pergunto se são pimentos. respondem: são pimentos conservados em vinagre e são bons para fazer levantar o pau, quer experimentar?

Amendoeira: a arvore da luz



A amendoeira, segundo a tradição judaica, simboliza a luz, é pela base de uma amendoeira que se penetra na cidade misteriosa de Luz, que é uma morada de imortalidade. É ao mesmo tempo o nome da cidade perto da qual Jacob teve a sua visão, e a que ele chamou Bethel, ou Casa de Deus. Curiosamente o simbolismo da amêndoa é feminino e o da amendoeira masculino. Na Grecia antiga a amêndoa esmagada era comparada à ejaculação fálica de Zeus, enquanto potência criadora. Pausânias conta que, no decurso de um sonho, Zeus derramou algumas gotas de sémen, que cairam sobre a Terra, daí surgindo um ser hermafrodita, Agdístis, que Dioniso mandou castrar. Dos genitais caídos na terra brotou uma amendoeira. Um fruto desta árvore engravidou a filha do deus-rio, Sangário, que tinha colocado uma amêndoa sobre o seu seio. O seu simbolismo fálico distingue-se pelo facto da sua fecundidade poder dar-se independentemente da união sexual. Na Europa, segundo uma crença antiga, a jovem que adormecer debaixo da amendoeira e sonhar com o seu namorado pode acordar grávida.

terça-feira, outubro 10, 2006

Arquitectura tradicional: palheiro aberto de arrumos






Beira alta.Vale de Afonsinho. Palheiro aberto para arrumos.

É costume encontrar-se este tipo de estruturas com telhado de uma água por toda a Beira Alta. Trata-se de um anexo que é frequentemente utilizado para guardar lenhas, alfaias agricolas, etc.

Arquitectura tradicional: palheiro aberto de arrumos


Beira Alta. Vale de Afonsinho. Palheiro aberto de arrumos.

quinta-feira, outubro 05, 2006

A figueira: arvore da abundancia e da fertilidade




A figueira, tal como a oliveira e a videira, é uma das arvores que simbolizam a abundância. Todavia, quando seca, torna-se uma arvore má. A figueira simboliza a ciência religiosa. No egipto tinha um sentido iniciático. Os eremitas gostavam de alimentar-se de figos. A figueira aparece no velho e no novo testamento, no primeiro, em Genesis (3, 7), Adão e Eva, ao tomarem consciencia da sua nudeza, taparam os genitais com folhas de figueira. No Novo Testamento, Jesus amaldiço-a (Mateus, 21, Marcos, 2, 12s). Jesus dirige-se à figueira, isto é, à ciência que ela representa. Na Ásia Oriental (Upanixades e Bhagavad Gita) a figueira é a árvore do mundo, é a arvore que une o céu e a terra. Simboliza também a imortalidade e o conhecimento superior, era a árvore favorita de Buda, este gostava de se sentar debaixo dela e ensinar os seus discipulos. É a árvore sagrada das tradições indo-mediterrânicas, é associada a ritos de fecundidade. Na África Negra, entre os Kotokos do Chade, podar uma figueira yagalé provocaria a esterilidade. A mulher Kotoko, faz um talho na casca desta figueira e retira-lhe o leite. É igualmente sagrada para muitos povos bantos da África Central. Por cá (Beira Baixa) diz-se que a figueira é uma má arvoré, evita-se a sua sombra, no entanto, as suas folhas, como as de couve, eram utilizadas para embrulhar os queijos. A etnografia está repleta de adágios referentes a figueiras.

O figo: fruto feminino

Os muros: um patrimonio esquecido



Muros de xisto, Rosmaninhal

Podemos dizer que todo o território português está alinhavado com todo o tipo de muros. Os tipos de pedra que mais se utiliza, ou utilizava, na árdua tarefa da construção de muros, são os granitos, os xistos e os calcários. Os muros assinalam, marcam, diferenciam, protegem, limitam, no geral, a propriedade privada. Aqui temos toda a história agrária da individualização da propriedade. Quanto aos aspectos tecnicos ou ao seu"saber-fazer" (savoir-faire), destacam-se as tecnicas de construção utilizadas, a funcionalidade, o saber tradicional/saber tecnico, os instrumentos/ferramentas e toda a nomenclatura que lhe está associada.

terça-feira, outubro 03, 2006

arquitectura tradicional: abrigo ou queijeira



Monsanto, "Tenda".

O território do concelho de Idanha-a-Nova comporta inumeras destas estruturas circulares, com a cobertura em falsa cupula. A população denomina-os de tenda, bufio, chafurdão, etc. Importa aqui realçar os primordios desta tecnica de construção, que segundo inumeros autores, tem a sua origem no Neolitico. Aparecendo em vivendas do Mediterraneo oriental e em sepulturas megaliticas da Europa ocidental. Desta forma, estas construções em falsa cupula, na Europa ocidental, aparecem ligadas a um importante fenomeno cultural: o megalitismo, que se revela fundamentalmente nas construções de grandes sepulturas colectivas desde finais do V milenio.
Este importante exemplar, a que o povo chama de tenda, foi, outrora, uma possivel antiga queijeira, pois tem no seu espaço interior, a cerca de 1 metro do piso, pedras salientes que fazem lembrar apoios para colocar um genero de uma estrutura, sobre a qual acentaria a palha de centeio e depois os queijos por cima desta. Pois esta industria tradicional dos queijos de ovelha e de cabra tinham o seu centro operacional junto dos territórios de pastagem.

Arquitectura tradicional: casa tradicional de campo



Esta casa fica situada no cerne dos territórios de pastoreio da aldeia do Rosmaninhal. Trata-se de uma casa baixa, caiada, tipicamente do sul. Neste tipo de casas residem, essencialmente, pastores e suas familias. É usual encontrarem-se casas deste genero pelos territórios circundantes à aldeia.