sábado, fevereiro 28, 2015

COM AS CORES DAS ARVORES EM FLOR


hoje pela tarde reparei que algumas árvores da proximidade já estavam esplendidamente floridas. fiquei ali a observar e a respirar profundamente, a sentir os aromas sem os desvios dos pensamentos, uma espécie de pré-meditação. depois o corpo começou a responder aos poucos e a ficar calmo, sereno, flutuante. quando regressei à materialidade das árvores floridas as cores já não estavam nas árvores, estavam no meu interior cada vez mais incandescentes...

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

ADUFE. ESPECIAL MUSICA


foi lançada hoje esta edição especial da Adufe, dedicada à música. em termos gráficos e conceptuais está muito bonita. os conteúdos visuais são deveras demonstrativos dessa "herança musical" das terras d'Idanha.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

AGENDA MISTÉRIOS DA PÁSCOA 2015


depois da respectiva apresentação pública, a agenda já está cá fora. este ano, para além do retorno ao "preto e branco", os destaques são as manifestações da Semana Santa de Segura. Salienta-se ainda os Encontros Quaresmais e o II Curso Livre sobre Religiosidade Popular. 

terça-feira, fevereiro 24, 2015

COMIDA DE VERDADE?

(vertproj)

nas grandes cidades da europa e do mundo capitalista o consumo de uma enorme variedade de alimentos alterados (geneticamente, condições naturais, sazonalidade, etc) tem aumentado assustadoramente. pouco falta para se perguntar: este alimento  é verdadeiro ou é uma mera imitação?

domingo, fevereiro 22, 2015

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

E TODOS COMEÇARAM A VIVER INTENSAMENTE, DEIXANDO AS MÁQUINAS OBSOLETAS

(nick knight)

nenhum homem possui verdadeiramente a alegria a menos que ele viva apaixonado

*S. Tomás de Aquino (1225-1274)

PARAISOS


deste lugar "secreto" trouxemos o perfume e o cristalino das águas. 
tanta luz clara que respiramos...

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

ENCONTRO INTERNACIONAL. AS CIDADES CRIATIVAS E A MÚSICA


um conjunto de conferências com elevado interesse etnomusicologico (e afins), contribuindo para o aprofundamento e conhecimento da paisagem etnomusical da região.

domingo, fevereiro 15, 2015

DOMINGO GORDO. TEMPO DE ENTRUDO

(supersonicelectronic)


os velhos cultos populares no Ocidente da Europa ainda insuflam de vida um calendário festivo. hoje, como se esperava, totalmente imiscuídos nessas revitalizações de características modernas (pós-modernas). penso que ainda existem muitas questões em aberto. principalmente os motivos/aceitações dessas activações (patrimoniais) e seus sentidos no seio dos grupos.

sábado, fevereiro 14, 2015

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

DE QUEDA EM QUEDA...

(albrecht durer, 1521)

o mundo é vicioso;
causa-te estranheza?
vive, deixa ao fogo
a obscura tristeza.

*a. rimbaud

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

PARA LÁ DO MARÃO, MANDAM OS QUE LÁ ESTÃO...

(twogermanys)

ao equacionarmos a experiência complexa e subjectiva vivêncial nestas remotas terras raianas do interior do país, extensissima Ibéria Antiga e mediterrânea, surge (pelo menos em termos de esperança) essa possibilidade telúrica, de viver em conexão com as temporalidades cíclicas, com esse sentido do colectivo num encadeamento de memória, nos quotidianos e nas festividades. daquilo que um calendário anual projecta e torna matéria de sonho, imaginação, criatividade e espera. o que comemos é espelho de isso mesmo, comidas sazonais, comidas rituais, aspectos particulares e colaterais dos modos lentos e pausados (slowfood), dos conhecimentos de proximidade "emic" (por dentro). as dimensões sonoras (lo-fi) da natureza, dos animais, do sino, das vozes, do precioso silêncio da noite, enfim, das imaterialidades expandidas e sempre reinventadas. ao contrário, num extremo oposto, estão os modelos urbanos de muitas das metrópoles, vivem em demasia o individual, o narcisico presente anulado das continuidade históricas do passado, motores e combustões da máquina televisiva e dos seus desenhos expandidos e estilhaçados em programas de variedades quase imperialistas (a variedade é só aparente) agora multiplicados a escalas impensáveis, com suas próprias legiões de "profetas" do consumo emergente e reinante com formulas cada vez mais eficazes ("ganhe, marque, aponte, não custa nada, é fácil...."o pessoal lá em casa gosta")  que se expandem como epidemias por todo o país, incluindo também neste interior "silêncioso". numa destas ocasiões observei como organizam e impõem estes modelos, exigindo e manifestando autoridade cultural, desenhando acção e texto, manuseando os saberes consoante os jeitos e os propósitos  das modas e as formas do olhar, jogo e teatro televisivo. é a folclorização dos conhecimentos e das práticas, a saturação da repetição, a coisificação dos sujeitos meramente como objectos de promoção turística. daqui à mera vulgaridade é um passo, trazendo à posteriori o esquecimento dos elos fundamentais e identitários, justamente pela banalização das qualidades locais e regionais. os resultados podem ser catastróficos, pois o momento costuma ter uma duração efémera e mediática. finda a encenação da "telerealidade" tudo volta (ou não, por vezes tudo se altera) ao adormecimento das pautas quotidianas, pelo menos para a grande maioria. face a um consumismo extremo, tudo parece tão óbvio, tão artificial, tão plástico e ao mesmo tempo tão desnorteado. pois nestas grandes metrópoles deambula-se, não se sabe para onde ir e o que fazer, são os mecanismos do desperdício da criatividade, pautados unicamente pelas escalas mediáticas dos mesmos modelos televisivos consumistas.  haja a coragem, o (super)deslumbre visionário de impor ao contrário as leituras e os olhares, exigir a esses modelos televisivos que respeitem as diferenças, temporalidades e as acções, os actores e as suas performances, os lugares e os silêncios, as vozes e as sonoridades próprias de cada lugar, as encenações e os gestos da espontaneidade, a ingenuidade da alegria e a verdadeira festa dos lugares, pois é a única forma de nos protegermos contra os mecanismos da devastação cultural, traduzidos  pela homogeneidade plástica televisiva. mas também, reconhecer com lucidez que só assim é possível a experiência real da diversidade cultural.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

terça-feira, fevereiro 10, 2015

*

(alecsandrastoica)


a inutilidade de ser brilhante

*m. kundera

domingo, fevereiro 08, 2015

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

terça-feira, fevereiro 03, 2015

DEAMBULAÇÔES

as pequenas histórias começam por vezes assim. quando menos esperamos. um passeio por um caminho secundário, a claridade da manhã por cima do verde dos campos e das árvores. a espera e os sons a entrarem pelos ouvidos atentos, sim ouvidos porque temos orelhas cuja funcionalidade básica e essencial é ouvirmos os "outros" e os "outros" supostamente ouvirem-nos. é um principio básico da comunicação humana. depois uma atenção ao céu, ao azul, aos pássaros que vão em direcção do sul e por baixo alguns vestígios do passar do tempo pelas coisas. a minha espera prolonga-se, a sombra já alcançou metade do caminho e o Ti Zé não apareceu.

OS PASTORES SÃO A ÁGUA, O VENTO, A TERRA...



(Robert Duncanson, 1821. Smithsonian Museum)

quando revisito os meus "cadernos de campo pastoris" encontro conversas com pastores que contêm muito mais que palavras escritas. são experiências de vida, ensinamentos cristalinos, visões particulares do mundo e das coisas que nos rodeiam. muitas destas pessoas, para mim, eram o entendimento dos animais, das árvores, dos pássaros, das flores, da terra, das águas, dos ventos, do sol, da noite, das estrelas, das sonoridades lo-fi (de baixa intensidade, não repetitivas e mecânicas)...no fundo eram o entendimento em profundidade da natureza. este "eram" transparece qualquer coisa que findou, qualquer coisa que deixou de funcionar, qualquer coisa que se modificou junto das paisagens.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

domingo, fevereiro 01, 2015

UMA SEGUNDA VIDA...


encontrei esta pequena boneca de madeira meio destroçada na rua. lembrei-me da insignificância das coisas, das banalidades materiais. ao leva-la comigo atribui-lhe uma suposta segunda vida, idêntica aquelas que o museu costuma proporcionar. pensei nos "objectos feridos" e nas múltiplas linguagens (reparar/arranjar/concertar/remendar) que surgem por via das suas cicatrizes. tanto para dizer, em torno desses discursos sobre a segunda vida das coisas que por inúmeras razões (perda de funcionalidade, saída de circulação, etc) ganham  novos estatutos...