sábado, maio 30, 2015

CIRCUS FUTEBOLIS. ARENAS ROMANAS

(elfuteboltambienesasin)

COMIDA vs FUTEBOL


embora o contexto da foto tenha como pano de fundo o último mundial no Brasil, adequa-se na perfeição às circunstâncias presentes (FIFA e afins). uma das questões mais urgentes a colocar em debate será: o que o futebol (entenda-se o futebol como um conjunto de organizações e indivíduos) aporta em termos de mais valias ao mundo actual? soberbas e lucros astronómicos em vez de um trabalho social coerente e verdadeiro? 

a imagem recorrente de violência extrema, grupos extremistas "ultraracistas" nos estádios, "guerras" entre clubes, dirigentes que confundem o desporto e a prática desportiva com finanças, estádios que mais parecem "arenas romanas". desfiles multimilionarios e paradas de luxos extravagantes. será afinal isto o resultado de um todo chamado futebol planetário? 

quinta-feira, maio 28, 2015

CANTA, CANTA...

(patti smith, trois)


é preciso reinventar o amor, toda a gente sabe

*a. rimbaud

*


tudo é precioso, para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo

*f. nietzsche

quarta-feira, maio 27, 2015

INTERCÂMBIOS CULTURAIS. MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA


estas iniciativas entre o Museu Nacional de Etnologia e o território de proveniência (periférico) de inúmeros artistas conjuntamente com as suas colecções (neste caso, o Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal), é de uma importância extraordinária. pois permite leituras notáveis de ambos os polos. as "errâncias" dos objectos envolvem toda uma logística especializada, contextos, narram uma história. em suma, para além das visibilidades, da promoção e partilha cultural, abre do mesmo modo, amplas perspectivas de trabalho e de investigação que de outro modo estariam silênciadas no espaço das reservas dos museus.


SABERES DA TERRA. COLHEITA DE BATATAS


por estes dias estive na horta do sr. Ribeiro, tal como tinha combinado com ele em termos de calendário das suas colheitas hortícolas, com os propósitos de acompanhar a colheita das batatas. para além dos conhecimentos hortícolas associados, estou atento ao lugar da horta e destes saberes na contemporaneidade. suas transformações, suas preocupações, angustias, esperanças, partilhas, ou seja, a horta enquanto lugar social...

terça-feira, maio 26, 2015

ARTES POPULARES




por complexidades de tempo e do devir, algumas coisas vão ficando por dizer e por escrever aqui. esta mostra foi uma delas, mas como nunca é tarde, aqui vai.
Luis Salgueiro é o mestre destas peças magnificas, pintadas sobre telha, que exploram representações "naif" alusivas ao sagrado cristão local e não só, mas também ampliando os universos expressivos da cor, das formas e dos desenhos a motivos vegetativos, futebolísticos, cosmologicos, etc. assim como em termos de materiais, usa com estas mesmas técnicas   a pintura em cabaças. esta mostra está patente no fórum cultural em Idanha-a-Nova.

domingo, maio 24, 2015

*

(charles baudelaire, 1862)


os meus versos te dou para que algum dia
o meu nome aportar a épocas distantes
até fazer sonhar os cérebros humanos
como nau empurrada pela ventania

flores do mal, p. 123
se o coração se aborrece 
de querer para que serve?


*mário benedetti

sábado, maio 23, 2015

POEMAS-NAUFRAGOS DO DR. BOAVIDA


*que pena, um espólio riquíssimo do Dr. Boavida foi parar ao lixo. ainda resgatei algumas folhas soltas. poemas-naufragos...

sexta-feira, maio 22, 2015

quinta-feira, maio 21, 2015

PATRIMÓNIOS DA RELIGIOSIDADE POPULAR. NICHO DE ALMINHAS

Valezim. Serra da Estrela. 2014

O FARDO TEM SEMPRE UM SÓ SENTIDO...


(bostonglobe, peter macdiarmid)


em Itália confrarias de pescadores marcam os seus mapas com caveiras para não atirar as redes naqueles sítios, onde se sabe que naufragaram (imigrantes). cansados de pescar corpos em decomposição, às vezes quando recuperam algum, encontram uma pequena bolsa de plástico hermeticamente fechada no bolso das calças ou do casaco. e então esse corpo passa a ter um nome, uma identidade e também, às vezes, sua família logra tomar conhecimento da sua morte.

*Pablo sanz, que hacemos con las fronteras.

segunda-feira, maio 18, 2015

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS

pastor-artista António Martins "Cacarne". torre sineira de Idanha-a-Nova. 2009

*poderiamos pensar com seriedade na razão do esvaziamento destes conhecimentos  e nas suas supostas mais valias em termos de uma reconversão patrimonial, com moldes mais humanos e identitários. provavelmente se fixassem outros postos de trabalho e as universidades começassem a olhar para estas artes populares e estes conhecimentos (mestres dos saber-fazer) de outra forma. por outro lado, estaríamos a potenciar duplamente um desenvolvimento sustentável.

sábado, maio 16, 2015

PEQUENAS (GRANDES) HISTÓRIAS...



21 abril de 2011, aconteceu numa aldeia da Rioja. durante a procissão da Semana Santa.


uma multidão acompanhava calada o Passo de Jesus Cristo e dos soldados romanos que o iam castigando com chicotadas. em silêncio, absoluto silêncio, até que uma voz rompeu o silêncio, sobre os ombros de seu pai, Marcos Rabasco gritou a Jesus:

- Defende-te...defende-te...
Marcos tinha 2 anos, 4 meses e 21 dias de idade e esta história chama-se "o indignado".



*Eduardo Galeano, los hijos de los dias


UM DIA...UM DIA...




ARTE

(darren almond)

um dos melhores artistas (visuais)...

quarta-feira, maio 13, 2015

BIBLIOGRAFIAS LOCAIS


mais um interessante trabalho, nos domínios das religiosidades locais, da investigadora regional Drª Maria Adelaide Salvado. relativamente recente, embora ainda não me tenha adentrado nas suas páginas, deixo aqui todas as atenções e proximidades para estas propostas de leituras locais. também uma nota de extrema importância para os notáveis apoios e cuidados que o município de Idanha-a-Nova dedica a estas realidades patrimoniais.

EMBRULHOS


em frequentes encomendas que normalmente faço recebo embrulhos com características muito próprias, ao ponto de os guardar ou "coleccionar"... 

ARTE

(robin wight)

espantosamente mágico

segunda-feira, maio 11, 2015

BIBLIOGRAFIAS


*leituras importantes

UM POEMA

(jian chong min, bottle brush trees)


*

como a agua do rio cintila tanto
enovela os centros destas vozes já prenhes  das totalidades do verão
adquire vigor em tudo
só as palavras se revelam desnecessárias 
lábios que rebentem
sem tempo
nus
mortos
sempre feridos de ímpetos 

sabemos que tudo acontece por dentro da turva água pura
rio que corre
que cintila as idades solares
vozes
acto que emprenha
outra vez, o vigor em tudo


*eddy chambino, III livro - 2014

domingo, maio 10, 2015

OFICIO DA QUIETUDE

(morsomnicommunisest)


*respirar relâmpagos

A TODOS OS QUE OUSAM SONHAR...

WOMAD 2015. UM FESTIVAL, UMA CIDADE (CACERES)...


tenho um gosto especial por estes festivais (Sines idem) que acontecem no centro da vida social de uma cidade (centros históricos). penso que é das mais extraordinarias formas de viver o presente do património e das suas acrescidas valorizações. as pessoas que habitam estes espaços e estas cidades saem duplamente valorizadas e é espantosamente bonito...

sábado, maio 09, 2015

SOBRE OS NOVOS IMAGINÁRIOS GEOESPACIAIS

(berenice abbott)

o espaço passa a medir-se em tempo

m. augé

***
é precisamente por consequência que se formulam os discursos a partir da periferia em tentativa de relativizar as distâncias em relação aos grandes centros económicos.



OS NADAS...

sexta-feira, maio 08, 2015

MATÉRIAS QUE GUARDO EM MIM, SONHOS...

Detail From An Ottoman palace-quality silk and metal-thread embroidery, 
Turkey, early 19th century (laclefdescoeurs)


sexta-feira, maio 01, 2015

"PARA LÁ DO MARÃO MANDAM OS QUE LÁ ESTÃO" (O EPITÁFIO É APENAS FIGURATIVO)

(twogermanys)


ao equacionarmos a experiência complexa e subjectiva vivêncial nestas remotas terras raianas do interior do país, extensissima Ibéria Antiga e mediterrânea, surge (pelo menos em termos de esperança) essa possibilidade telúrica, de viver em conexão com as temporalidades cíclicas, com esse sentido do colectivo num encadeamento de memória, nos quotidianos e nas festividades. daquilo que um calendário anual projecta e torna matéria de sonho, imaginação, criatividade e espera. o que comemos é espelho de isso mesmo, comidas sazonais, comidas rituais, aspectos particulares e colaterais dos modos lentos e pausados (slowfood), dos conhecimentos de proximidade "emic" (por dentro). as dimensões sonoras (lo-fi) da natureza, dos animais, do sino, das vozes, do precioso silêncio da noite, enfim, das imaterialidades expandidas e sempre reinventadas. ao contrário, num extremo oposto, estão os modelos urbanos de muitas metrópoles, vivem em demasia o individual, o narcisico presente anulado das continuidade históricas do passado, motores e combustões da máquina televisiva e dos seus desenhos expandidos e estilhaçados em programas de variedades quase imperialistas (a variedade é só aparente) agora multiplicados a escalas impensáveis, com suas próprias legiões de "profetas" do consumo emergente e reinante com formulas cada vez mais eficazes ("ganhe, marque, aponte, não custa nada, é fácil...."o pessoal lá em casa gosta")  que se expandem como epidemias por todo o país, incluindo também neste interior "silêncioso". numa destas ocasiões observei como organizam e impõem estes modelos, exigindo e manifestando autoridade cultural, desenhando acção e texto, manuseando os saberes consoante os jeitos e os propósitos  das modas e as formas do olhar, jogo e teatro televisivo. é a folclorização dos conhecimentos e das práticas, a saturação da repetição, a coisificação dos sujeitos meramente como objectos de promoção turística. daqui à mera vulgaridade é um passo, trazendo à posteriori o esquecimento dos elos fundamentais e identitários, justamente pela banalização das qualidades locais e regionais. os resultados podem ser catastróficos, pois o momento costuma ter uma duração efémera e mediática. finda a encenação da "telerealidade" tudo volta (ou não, por vezes tudo se altera) ao adormecimento das pautas quotidianas, pelo menos para a grande maioria. face a um consumismo extremo, tudo parece tão óbvio, tão artificial, tão plástico e ao mesmo tempo tão desnorteado. pois nestas grandes metrópoles deambula-se, não se sabe para onde ir e o que fazer, são os mecanismos do desperdício da criatividade, pautados unicamente pelas escalas mediáticas dos mesmos modelos televisivos consumistas.  haja a coragem, o (super)deslumbre visionário de impor ao contrário as leituras e os olhares, exigir a esses modelos televisivos que respeitem as diferenças, temporalidades e as acções, os actores e as suas performances, os lugares e os silêncios, as vozes e as sonoridades próprias de cada lugar, as encenações e os gestos da espontaneidade, a ingenuidade da alegria e a verdadeira festa dos lugares, pois é a única forma de nos protegermos contra os mecanismos da devastação cultural, traduzidos  pela homogeneidade plástica televisiva (no sentido de uma abundância dispersa). mas também, reconhecer com lucidez que só assim é possível a experiência real da diversidade cultural.