sábado, julho 22, 2017

sexta-feira, julho 21, 2017


regozijado grito orações 
para dentro destas veredas vincadas
                                         
que gente gigante
que desgastada e explorada
ainda se lembraria 
de abraçar as pedras e as árvores

*idanha-a-nova, "a oliveira do abraço". eddy chambino, 2017.

quarta-feira, julho 19, 2017

ASSOCIATIVISMO, CENTROS HISTÓRICOS....


em termos daquilo que é o papel das associações locais, urge auscultar as suas actuações no presente, pois para mim o grande desafio é precisamente os incentivos à participação na vida colectiva, fazer com que as pessoas tenham, muito para além das suas vidas profissionais, tenham essa urgente, activa e necessária vida cultural. no caso da vila idanhense, onde algumas destas associações mantêm as suas sedes na zona histórica (Club União Idanhense, Filarmónica Idanhense, Casa do Benfica), urge perspectivar-se,  em termos de iniciativas diversas, estes polos como eixos de agregação dessa mesma vida cultural neste perímetro urbano histórico. ouvi recentemente algumas opiniões de sócios do C.U.I defender uma eventual mudança da sede desta centenária instituição para o actual centro administrativo da vila. não poderia haver maior erro que estas visões em torno da modernidade e os futuros utópicos. um centro histórico de qualquer aldeia, vila ou cidade, é para para além de muitas outras coisas, (ou pelo menos pretende-se que assim seja) um altíssimo polo agregador da vida cultural, pois os patrimónios que o identificam e (re)significam não podem ser convertidos numa mera paisagem museográfica (no sentido dos objectos em vez das pessoas), onde a necessária vida quotidiana e cultural que os animava se plasma num conjunto de pontuais iniciativas festivas. é necessário ir mais além, olhar para estes lugares como desafios problematizantes, até porque na sua grande generalidade, acompanham preocupantes endémicas desertificações (definhamento do tecido económico, abandono patrimonial, insegurança, etc). ainda assim, o caso de Idanha-a-Nova, traz-nos iniciativas contrárias a muitos outros centros históricos do país, pois o município mantêm alguns serviços nesta zona (arquivo municipal, acção social, etc), tal como os serviços da segurança social. são pequenas iniciativas deste género que fazem toda a diferença na vida social e cultural dos centros históricos. 

terça-feira, julho 18, 2017

fyodor telkov
o rebanho flutua
na poalha luminosa
do crepúsculo.

Luis Maçarico, Transumância das pequenas coisas. (20)

sábado, julho 15, 2017

UMA PRINCESA, A NOSSA FIAMA JASMIM...


assim tem crescido a nossa princesa, os ritmos e as vidas vão se intensificando, com uma vida tão intensa e cheia de sonhos...cá estaremos minha querida para te ajudar a manter esse sorriso, são esses sorrisos que fazem deste planeta o mais único de todos os lugares cósmicos...

sexta-feira, julho 14, 2017

CINEMA


LADOEIRO, O NOBRE "TERROIR" DA MELANCIA...


tenho referido já muitas vezes, que este exemplo de Ladoeiro associado a uma espécie de "terroir" da melancia será no futuro um excelente laboratório de múltiplas experiências agro-ecológicas. na minha opinião falta apenas explorar o verdadeiro ciclo da melancia, fazer uma espécie de "etnografia da melancia de Ladoeiro".

quarta-feira, julho 12, 2017

HAVERÁ LIMITES PARA A PATRIMONIALIZAÇÂO?


nesta última romaria da sª do Almortão surgiram no espaço envolvente um conjunto de iniciativas ou intervenções patrimonializantes em torno de um caminho ou "rota da sª do Almortão", que congrega um conjunto de "textualizações" e elementos ou marcas no espaço (tendo como principais impulsionadores a confraria da Senhora do Almortão). algumas destas marcas/"labels" causaram algum desconforto em muitos romeiros (as), como foi o caso deste azulejo com a imagem do sagrado no piso que dá acesso à ermida. ao jeito de uma etnografia "espontânea" fui registando algumas opiniões ao acaso.

("nunca pensei que pusessem a Nossa Senhora no chão para as pessoas a pisarem, ela não merece isto"; "se arranjassem um toldo como deve ser para o alpendre, em vez de andarem a gastar dinheiro com invenções"; "fiquei bastante magoada ao ver a imagem de Nossa Senhora no chão, quase chorei"; "eu nem percebi muito bem o que andaram a fazer"; "eu disse ao senhor padre que isto não se fazia"; "eu sei bem quem é que andou a fazer esta palhaçada"; "se isto assim continuar, nunca mais lá vou"; "eu nem reparei, só depois é que ouvi dizer"; "eu até pensava que aquilo fosse um papel no chão e fui a ver"; "quem pensou isto não sabe o que é a romaria, só pode ter sido alguém de fora"; "ela não merece ser pisada por ninguém, onde está a fé e a devoção?"; "eu nem gosto, nem desgosto, então em Fátima também não andaram lá a pôr aquele "mamarracho"!";)

penso que iniciativas deste genero, num espaço com uma carga identitária tão ampla, com manifestações colectivas tão vincadas e vivas, qualquer intervenção ou intervenções desta  natureza no espaço do sagrado, têm que ser extremamente diligentes e sempre com o sentido de baixo para cima, merecem, e porque não, discussão pública, é neste sentido que os patrimónios e os seus processos ganham envolvências colectivas, sentido de pertença... 

por outro lado, são problemáticas que nos remetem para uma paleta de temas muitíssimo interessantes de serem analisados: simbólico, a identidade local, a própria religiosidade, aspectos perfomativos, políticas culturais, etc...(continua)


domingo, julho 09, 2017

DA POESIA OU DOS DESBARATOS DA POESIA....


não sei se um género de poesia "aparafusada" para ser comercializada enquanto produto numerário e consumivel será o verdadeiro desígnio dos poetas, esquecem-se os caminhos difíceis e árduos, as desventuras das amarguras extremadas, os corações fracturados e sozinhos. para do outro lado de um cenário, do outro lado, essa continua festa e seus ruidosos sorrisos, caminhos que o poeta, tenho a certeza, nunca trilharia...

*a proposito

mordaças 
a um poeta?

loucura!

e por que não
fechar na mão uma estrela
o universo num dedal?
era mais fácil
engolir o mar
extinguir o brilho aos astros

(...)

ovidio martins, o único impossível. 1963

capela da sª do almortão. 2017


sábado, julho 08, 2017

um corpo branco no telhado
suspenso no milagre da agua clara
trespassa as cabeças confusas
com a delicadeza incomensurável do mineral

como se as noites fossem extintas 
e os seus veios abismos apagados

o homem do corpo branco
escancara os braços e as mãos aos milagres
de uma gota de agua
a terra treme
verte-se sobre o seu centro
onde uma palavra de ferro é forjada

rente ao chão
outras cabeças mundanas
admiram o milagre
sentem o gelo profundo por detrás dos olhos

uma vertigem centrifuga incandescente 
irrompe de todas as cabeças mundanas
agitam-se
fundem-se na vuneralidade das carnes enrugadas
constroem-se incertas nos sonhos
onde o homem do corpo branco
lhes acena com a mão que tudo faz 
para sarar 

eddy chambino. caderno 00. 2017

sexta-feira, julho 07, 2017


a Luisa, uma das cozinheiras do bodo de Monfortinho deste ano. as festas são para além das formais organizações locais (comissões, mordomos, etc), estas pessoas que com os seus saberes e experiências vão inovando e colocando em prática todo um repertório de saberes vivos que interessam enquanto identidades e patrimónios locais, são muitas vezes a medula das próprias festas e por paradoxo quase nunca se ouvem (no sentido mais amplo). contudo, estão a surgir por todo o país outras formas de organização de festas (não sei se o fenómeno televisivo festivo é o seu factor principal)  outras figuras estão a perfilar-se no sentido operativo da linguagem das festas, mas algumas são meramente figurinos, esteticamente muito próximos do "objecto" ou "manequim", completamente distante e distanciado daquilo que organiza e revitaliza o ciclo anual festivo, o que contraria e desgasta toda estas formas locais de organização, tal como os seus saberes e identidades...

quinta-feira, julho 06, 2017

berlin, germany. 1945
(historicaltimes)

esta imagem representativa dos destroços de uma guerra, onde uma mulher idosa caminha com os seus pertences sob os escombros, com uma expressão enigmática, traduz uma carga de ironia atroz, pois toda a miséria humana está encerrada neste momento-flash. quase como um instante saído dos confins do tempo, muito próximo dessas imensas probabilidades das teorias do "eterno retorno"...

terça-feira, julho 04, 2017


as flores de cactos são por ironia das mais belas e raras. são perenes, extremamente frágeis, encerram uma simplicidade impressionante, poucas mãos lhes tocam, e muito poucos narizes as cheiram. 

LUGARES DO SAGRADO


le corbusier. chapelle de notre dama du haut, ronchamp (france)

este é daqueles lugares do sagrado com uma enorme carga de beleza...é das minhas arquitecturas preferidas...

segunda-feira, julho 03, 2017

domingo, julho 02, 2017

ALIMENTOS DE VERÃO


DAS PEQUENAS VIAGENS...


num destes dias acompanhei um pequeno grupo de pessoas com alguma idade da vila de Idanha-a-Nova até às terras da freguesia do Rosmaninhal. constatei que na sua grande maioria nunca tinham visitado estas terras. sou da opinião que se deveriam elaborar circuitos à escala do território concelhio com as pessoas locais, dar-lhes a conhecer os lugares, as povoações, as festas, promover e incentivar esse sentido de intercâmbio à escala local. aliás, uma promoção que os incluía num evento deste género seria ampliar esse sentido de construção de um território social e cultural.