terça-feira, janeiro 31, 2017

CCR, DUAS DÉCADAS DE CULTURA NA RAIA TRANSFRONTEIRIÇA....



entretanto já passaram 20 anos e o CCR mantêm essa forma muito característica de olhar o mundo através da sua programação cultural, dos seus encontros formais e informais de quem o visita ou revisita. nele persiste essa aura muito especifica de certos lugares que cintilam imaginários. aqui assisti aos encantamentos do piano de Maria João Pires, conheci o grande cineasta Manuel de Oliveira, o etnólogo Benjamim Pereira, o antropólogo Joaquim Pais de Brito...deslumbrei-me com inúmeras exposições e performances e por fim, acabei por fazer parte integrante da vida quotidiana das suas pedras, dos seus silêncios. penso que o projecto "CCR" será sempre um grande livro aberto por preencher, aliás, nos propósitos das suas origens esteve sempre presente essa mesma dimensão de descoberta permanente, de desafio aberto às comunidades locais raianas. um valioso instrumento de acção que nas palavras do então presidente Joaquim Morão se destinava a "esbater essas barreiras e dizer que nós também somos capazes, nós também fazemos acontecimentos, nós podemos ter as mesmas coisas que outros têm". entretanto, este mundo dos centros e das periferias foi-se alterando, graças à motivação destes projectos culturais congregadores que se multiplicaram pelo país. e aqui reside precisamente esse eixo de expectativas, balanços a fazer com urgência em torno destes projectos. 


segunda-feira, janeiro 30, 2017


fotografar a chuva no centro da noite de inverno....

"witch's house"
(tequila-and-ice)


fenomenal...a experiência de sonhar acordado é das mais intensas (pelo menos para mim)...

sábado, janeiro 28, 2017


"devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades, mas enquanto força criativa"


*m. foucault





quinta-feira, janeiro 26, 2017

TERTÚLIA 06. MOMENTOS



TERTÚLIA 06. SALVATERRA DO EXTREMO. APRESENTAÇÃO DO LIVRO "SALVATERRA DO EXTREMO...."



é sempre com um enorme entusiasmo e expectativa que se preparam estas tertúlias fomentadas pela associação"raia gerações". desta vez fomos até à fascinante "vila" de Salvaterra do Extremo para ouvir os autores Ramiro Rodrigues e José Moreira apresentar a sua obra "Salvaterra do Extremo. A terra que nos viu nascer" (2013). Com os extraordinários apoios institucionais do Município de Idanha-a-Nova, União de freguesias de Salvaterra e Monfortinho e Comenda das Idanhas, esta tertúlia realizada no histórico edifício dos antigos paços do concelho de Salvaterra, iniciou-se por volta das 20h00 com as breves apresentações do representante institucional de Salvaterra, Paulo Lopes. Seguiu-se a notável palestra dos dois autores complementando-se à medida de cada análise e interrogação pelos meandros da história local. foi deveras um momento de conhecimento partilhado, de evidência de que as povoações mantêm estas chamas bem acesas. comprova também essa urgência e capacidade em interrogar as certezas adquiridas. em relação à obra em si (as monografias locais), a essa manifesta expressão de pertença ao local, essa fascinante tentativa de olhar para dentro do lugar, esse lugar onde se despoletaram todas as grandes produções do local, merece toda a atenção em termos de problematizações...

terça-feira, janeiro 24, 2017

segunda-feira, janeiro 23, 2017




e os frutos tornaram-se frios cadáveres...

sábado, janeiro 21, 2017




gaia....
oh gaia...
a américa fascista acordou novamente....
ginsberg deu um novo grito (howl)  para o universo...
a nova ordem totalitária regressou...
e agora gaia?

sexta-feira, janeiro 20, 2017


"jamais haverá ano novo, se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos"

*Luís de Camões

quinta-feira, janeiro 19, 2017


o tempo, afinal é tanta coisa na vida, com tantas palavras e afinal não é realmente nada de apreensivel...

quarta-feira, janeiro 18, 2017





"nunca mais, nunca mais!"

- e no entanto, contradição: este "nunca mais" não é eterno porque nós próprios morreremos um dia.
"nunca mais" é um dizer de imortal!

*r. barthes, diário de um luto, p. 19.

domingo, janeiro 15, 2017



como me amargura este janeiro, recordação da partida do meu pai. procuro impossíveis retornos...

🝋



um velho espantalho numa figueira nua, embora quase desfeito das suas vestes e palhas,  continua a imperfeição da sua criação. é por essência símbolo das conceptualizações do homem com a natureza. contudo e num outro plano, em vez do riso,  irradia já uma intensa aura fantasmagórica ao lugar. é precisamente este discurso de alteridade a partir da sua presença liminal entre estes dois mundos que este ser sinaliza....



a vida continua a impregnar-se de guerra. violência que mata o templo do não-sexo

*jim morrison, os mestres e as criaturas novas.

sábado, janeiro 14, 2017


fascinam-me estas plantas nos riachos a oscilar pequenas vidas...

sexta-feira, janeiro 13, 2017

LABORATÓRIO DE OUTROS SERES




enquanto escrevo pequenas histórias estes seres vão surgindo....

quinta-feira, janeiro 12, 2017

(leonmagazine)


"a sociedade portuguesa não quer conflitos. não quer agressividade. somos uma sociedade de consensos. precisávamos de ter tido um rito de passagem, necessário para nos fazer sair do salazarismo. em vez disso, antigos dignatários do regime tornaram-se dignatários da nossa democracia. há uma promiscuidade social em Portugal que faz com que todos sejam todos, que os homens de negócio sejam os homens políticos, que os homens políticos sejam professores universitários...é tudo igual. todos se conhecem"


José Gil, Portugal hoje - o medo de existir

quarta-feira, janeiro 11, 2017

DOS PASTORALISMOS....


perceber ou ter a lucidez que estas singulares formas de partilha e gestão colectiva dos territórios pastoris estão (ou estiveram) na base de quase tudo o que nos rodeia nestas terras raianas. o meu superior interesse não é o desaparecimento ou o fim deste modelo, mas as suas enormes virtudes. 

segunda-feira, janeiro 09, 2017

POEMÁRIOS



aqui está a manhã de janeiro
sob a rua da vila
iluminada por dentro
estendida ao longo das casas altas
por onde os sonhos se extinguem

uma faixa de sol orvalhada nos cumes
como uma serpente alongada
alguns itinerários rotineiros descendentes
caixas vazias
pensamentos cadentes extraviados
o som das botas triunfantes
danças por inventar
ontem não foi desperdicio 
todos os minerais no circulo interior     olhos fechados

*eddy chambino, águas descendentes. 2016


estranhas & sonhadoras

sábado, janeiro 07, 2017

CONTRA O FASCISMO SEMPRE....


o dia de hoje, embora triste e emocional, é por inteiro o do final sereno da vida natural para Mário Soares (92 anos), um dos portugueses mais influentes do século XX. as páginas da história da democracia portuguesa começaram a escrever-se com estes grandes homens, despertos por inteiro e cheios de uma forma de fazer política que está em completa extinção. Mário Soares, laico e republicano, um dos presidentes de Portugal que mais votos obteve, denominado "pai da democracia" ao que ele mesmo respondeu "vai chamar pai a outro"...fico com este "soares é fixe" e esse entusiasmo de seguir sempre em frente, em aliar-se com as fragilidades, com os movimentos anti-globalização, contra a guerra do Iraque, contra a troika....mesmo a sua incompreendida e falhada última candidatura, talvez tivesse alguma ideia interessante para o país que definhava....

gosto desta simplicidade em torno do acto de comunicar os festivais/eventos: "3 dias de paz e musica"..para quê tantas "textualizações", quando as coisas são tão simples...

ARTES


luminosas mãozinhas sempre na descoberta permanente dos mundos coloridos...

quinta-feira, janeiro 05, 2017

ARTES


Fiama Jasmim, 4 anos.

"uma almofada nova"

quarta-feira, janeiro 04, 2017


regressamos ao lugar do prado. os freixos estão nús. a penumbra e o silêncio do inverno é como um feitiço que trespassa este lugar. 

terça-feira, janeiro 03, 2017

ARQUITECTURAS POPULARES



olhar as materialidades das casas (construções em pedra seca), as perícias, as escolhas, os desafios e os engenhos que estas impõem (drenagens, prumos, etc). a casa funcional, com o aproveito das lenhas das podas, todas estas dimensões/lições de ecologia serão parte integrante de um futuro necessário...quem diria? por outro lado, vale perguntar se este saber-fazer das construções em pedra seca está a ser transmitido, valorizado, continuado...nada existe de mais extraordinário que os materiais (matérias primas, riquezas) de cada território envolvente, pois há muitos séculos que se foram aperfeiçoando as técnicas e as mestrias de os saber empregar, de os conjugar com as práticas agrícolas dos meios rurais...haverá casa mais ecológica que aquela que é feita com os materiais e os saberes de cada território envolvente?

como nos sonha a sede da água das plantas...

domingo, janeiro 01, 2017