sexta-feira, março 31, 2017

(alessandro rebati)

so fashion...
(archive.org)

as cegonhas são extremamente importantes para o nosso equilíbrio ecológico. estas lindas aves deveriam ser motivo de destaque e atenção, pois todos os anos nos visitam, fazem os ninhos nas povoações, convivem os quotidianos de muitas cidades, vilas e aldeias. em muitos lugares já receberam honras de nomes de ruas, praças, projetos educativos. esteticamente são aves lindíssimas. o que seriam das nossas ruas sem esse "bater-de-pico" sazonal e anunciador de um calendário em circular movimento. em Cáceres (Espanha) receberam mesmo tamanho destaque patrimonial que se tornaram símbolo da própria cidade. e se uma cidade adopta uma ave migratória como a cegonha enquanto seu "duplo imaginário", então é uma cidade que sempre se repensa num futuro sustentável para todos, pelo menos assim enunciam esses sons metralhados a partir dos telhados, das torres sineiras, dos castelos....

quinta-feira, março 30, 2017

tanta luz por cima deste pequeno regato de março
as cores surgem translucidas 
rentes à erva tão erva
por onde sulcam respirações de flores tão flores
tudo é uma água para os meu olhos
que já se habituaram a adormecer nos fundos tão fundos

eddy chambino. caderno 00

quarta-feira, março 29, 2017

terça-feira, março 28, 2017

segunda-feira, março 27, 2017

A PROPOSITO DAS GERINGONÇAS...


oficina do artesão. 2017



ainda estes "olhares" de introspecção e de permanente criação das coisas novas a partir das velhas, elaboradas nos erros e nas tentativas humanas entre equilíbrio e desequilíbrios notáveis. um artesão local preenche os dias na sua oficina a criar, a inventar  a reproduzir novidades atrás de novidades elaboradas com as mãos, com todos os maravilhamentos da obra finalizada. a nossa princesa Fiama Jasmim faz e refaz uma casa de legos, no momento em que a casa só lhe falta uma peça, desmorona-se em pedaços. mas de imediato e com um enorme sorriso soletra as palavras mágicas - não faz mal, faço outra vez -. na televisão falam da tão afamada "geringonça" (politica), alguém acha que o significado desta experiência criativa é má, é falsa, traz o riso e a desconfiança em torno de algo mal feito. eu penso o contrário, penso que é um grande momento de maturidade da democracia portuguesa, o entendimento e o dialogo de todas as esquerdas ao serviço do país, aliás, para mim "geringonça" é tudo aquilo que advém da criatividade humana, de que somos capazes de reinventar. a titulo local tudo o que pudermos erguer e reerguer com as aprendizagens de uns e de outros é o que mais significado de valorização terá para as gerações futuras, abdicando dessa sede permanente de trazer as "construções e os construtores de longe", com as formulas mágicas dos sucessos garantidos, numa espécie de "antropologia dos sucessos". é nesta linha de pensamento que assombram os agoiros da desgraça, as maquilhagens, os brilhos dos palcos, a imagem do retorno de um catecismo velho e repetitivo, que teima em fazer regressar às rusgas, às torturas, à normalidade do pé no pescoço a quem pensa como uma "geringonça"....humana. 

hoje em Salvaterra do Extremo, uma tarde fria e chuvosa, numa interessante palestra sobre "bodos de Portugal" (Florentino Beirão).

sábado, março 25, 2017

igreja matriz, idanha-a-nova. 2017

sexta-feira, março 24, 2017

ESPLENDORES

esplendores primaveris. este vertice raiano ou todo o interior de Portugal metamorfosea-se de forma gradual em tons, luz e aromas. para mim é uma altura de experiências sensoriais deambulatórias, na tentativa de uma mimesis de tudo o que se renova na natureza ou talvez aquilo que entendo por natureza, esse organismo vivo que sustenta tudo o que existe e aqui cedo às profundas reflexões/meditações românticas... 

quinta-feira, março 23, 2017



esta criativa e encantadora surpresa que recebi da nossa filha Fiama Jasmim no dia do pai fez-me chorar. tudo manual, a partir da nova escola, elaborado com materiais reciclados...

quarta-feira, março 22, 2017

terça-feira, março 21, 2017

arquitectura Nuno Teutónio Pereira, 2017

segunda-feira, março 20, 2017

POESIA


usando seus remos novos
sobre as ondas, o pescador 
desenha sábios caminhos
num incansável labor

Luis Maçarico, ilha de jasmim

promontórios. a beira baixa é ela mesma um imenso promontório de culturas.  

domingo, março 19, 2017

ARQUIVO FILMICO

filmografia Margot Dias, museu nacional de etnologia. 2017

finalmente consegui os filmes etnográficos (1958-1961) de Margot, realizados em Angola e Moçambique, reeditados agora pelo MNE. talvez destes olhares para o vasto arquivo filmico do museu surjam novas propostas...

sábado, março 18, 2017

ESPANTOS

(archpics)

bayreuth festival theatre. germany


que tamanha beleza e espanto...


arvores nocturnas. fios negros em cruzamento. tudo passa por cima das nossas cabeças materiais....

sexta-feira, março 17, 2017


árvores nocturnas. rejuvenescidas. frescas. silenciadas desde as raizes.

TERTÚLIA 09


hoje, nesta noite quase primaveril,  realizou-se mais uma tertúlia promovida pela "raia gerações". saímos dos limites do concelho de Idanha-a-Nova e fomos até ao concelho de Penamacor, mais propriamente até a bonita Aldeia de João Pires. aqui fomos recebidos pelo Prof. José Candeias que nos introduziu a sua aldeia de forma notável, depois serviu de guia na Casa que alberga algum acervo etnográfico, arqueológico e de arte sacra. no final, ainda nos premiou com uma pinga da sua colheita de 2016. ficamos todos mais ricos com estas partilhas de conhecimentos...

quarta-feira, março 15, 2017

terça-feira, março 14, 2017


memórias e esquecimentos num trabalho (também visual) de arquivo. o que se escancara para além dos papeis, é quase uma procura no nosso interior, na senda de memórias e de esquecimentos. que fértil que são estes campos....que as palavras escritas (manuscritas) escancaram...

domingo, março 12, 2017

sábado, março 11, 2017

FACA. MODOS DE VER. MODOS DE SER. PRATICAS ARTÍSTICAS NA E COM A ANTROPOLOGIA


aconteceu nestes dias (9 e 10 de Março) no Museu Nacional de Etnologia este intenso colóquio onde se cruzaram e ampliaram as temáticas antropológicas, as práticas artísticas, os objectos e as colecções etnográficas, os arquivos e os auto-arquivos, o corpo, o visível e o invisível, as cenografias e as dimensões efabulatórias, o cinema e o não-cinema, os ofícios tradicionais e os seus processos criativos, enfim, um grande momento da antropologia no MNE...

quinta-feira, março 09, 2017


impulsos primaveris...
se tivermos em atenção que os rituais da Quaresma comportam essas dimensões penitenciais, os silêncios e os jejuns das sextas-feiras, seria neste mesmo enquadramento ritual um enorme paradoxo todas as sonoridades que superem os humildes cantos dolentes. interessante esta ideia associada às dimensões acústicas de determinados lugares durante esta altura. 

"mon coeur"

quarta-feira, março 08, 2017




quando preparo e convoco outras forças em torno de uma ideia faço-o com profundidade, procuro-a nos abismos de mim mesmo, escuros fundos onde irrompe essa pequena centelha de qualquer coisa... 
Monsanto (da Beira). 2017
(magictransistor)
fetich magician, west africa. robert hamill naeau (1904)

mas o que nós admitimos dificilmente é que as nossas máscaras essas personagens bizarras, hoje essencialmente cómicas, que apenas fazem medo às crianças, tenham encerrado um conteúdo religioso tão sério.

Benjamim Pereira, Máscaras Portuguesas. 1973

segunda-feira, março 06, 2017

(crimsonkitten)

muito poucas épocas nos revelaram tamanho esvaziamento cultural e artístico como a que estamos a viver actualmente na Europa.  o dinheiro tornou-se a única verdade suprema. K. Marx foi um visionário nestas matérias. os que nada têm são completamente esvaziados de existência social e em muitos casos são meramente "robotizados" enquanto instrumentos estatísticos. Bob Dylan, nobel da literatura e enquanto criador no sentido "Deleuzeano", talvez seja o último artista de contestação social verdadeiramente livre em muitos séculos vindouros, pois "um criador só faz o que necessita absolutamente"....
submersos. eddy chambino. 2017

domingo, março 05, 2017

Deus não faz milagres em vão e não os deve a ninguém

*r. caillois, pilatos.
submersos. eddy chambino. 2017


o vento abana as roupas num estendal, a perguiça quer-se misturar nesse movimento liso, morto pela mão inerte do instante. cores que tem sede, janelas esgaçadas pelo movimento da terra, tantas voltas para encontrar o amor, a luz, o topázio da noite. romeu e julieta pendurados no estendal, mortos pela imobilidade do fio de aço encostado ao  pescoço, fazendo da dor uma recordação, deixando a cor do sangue descolorar com violência contra uma parede que já foi carne.

eddy chambino, desde os frutos. 
beira alta. 2017

sábado, março 04, 2017

MEMÓRIAS. IDANHA-A-NOVA


o extraordinário das festividades locais é a sua constante recriação a partir das redes de sociabilidade das povoações, como também as dinâmicas de entre-ajuda no sentido de angariação de fundos (rifas, peditórios, leilões, quermesses, etc). revelam em si circuitos e mecanismos de sociabilidade vivos que através e mediante a festa se revitalizam.  

sexta-feira, março 03, 2017

quinta-feira, março 02, 2017



quarta-feira de cinzas. a quaresma, inicio do ciclo cerimonial anual que se organiza em torno da evocação da paixão e morte de Cristo. um período de preparação do corpo e do espirito, em analogia com o período de jejum e meditação de Jesus Cristo no deserto. em termos simbólicos trata-se de um período povoado de intensidades rituais.

quarta-feira, março 01, 2017