depois de uma visita ao conhal do arneiro (local relacionado com a remota actividade mineira romana de exploração de jazigos secundários de ouro) o respectivo simpósio culminou com um fantástico manjar na aldeia do arneiro, onde foi servida uma saborosa ementa, reconhecida nesta aldeia, onde o peixe do rio (carpa, barbo, etc) assume um destacado lugar, em especial a tradicional miga de peixe.
ao trespassarmos as portas de rodão (monumento natural) tive a real percepção da sua escala e monumentalidade. esta experiência de navegação através do tejo trouxe-me olhares renovados sobre esta mesma paisagem. pois sempre admirei este lugar fantástico, ora através da estrada, ora apartir do comboio. aconselho vivamente esta enriquecedora experiência...
no último dia do simpósio, depois de uma manhã de discussão informal, efectuamos um admirável passeio de barco pelo tejo até ao arneiro. é uma viagem a não perder...
no dia 19 de junho, em vila velha de rodão (centro de artes), ocorreu as respectivas conferências ligadas ao simpósio. no seu conjunto, apresentaram-se temáticas diversas, com maioria das áreas histórico-arqueológicas e geológicas. em suma, houve discussão, debate e novas aprendizagens, parabéns à excelente organização.
no edificio central onde funcionam os diversos serviços administrativos encontra-se a loja dos minerais, onde é possivel comprar multiplas e variadas "pedras preciosas" que são provenientes da respectiva mina. trata-se de um mecanismo que cumpre a função dos tradicionais "souvenirs". aqui cada mineral têm um número de código e um preço, escolhe-se e em alguns casos é possivel ainda regatear o preço.
depois das multiplas operações aqui documentadas (em parte) eis um dos produtos finais, a volframite, cujas aplicações são variadas: industria das lâmpadas, lapiseiras, ligas, etc...
os minérios depois da respectiva extracção são transportados para a superficie, para outra unidade tecnica (lavaria), onde são triturados, lavados e separados. aqui o intenso ruído de toda a maquinaria era ensurdecedor.
foi intenso o contacto com alguns mineiros. deu para sentir, em parte, o que é ser mineiro. realço os estrondosos ruidos das máquinas a trabalhar. o cheiro quase insuportável do monóxido de carbono, assim como a temperatura elevada devido ao funcionamento dos motores. é, sem dúvida, uma profissão durissima e pela exposição a diversos riscos, deveria ser muito bem remunerada, o que infelizmente não acontece.
depois de descermos com a ajuda de um tractor e um atrelado uns bons metros no sentido de uma das muitas explorações activas, percorremos a pé ainda mais uns metros em profundidade. uma nota de atenção em relação à respectiva exploração: o principal mineral é a volframite que se encontra em filão.
simpósio (dia 18): visita ao interior das minas da panasqueira.
existe um determinado fascinio ligado ao interior da terra. daí as grutas, covas, gretas, etc., serem motivo de inúmeras lendas. senti deveras essa carga emotiva à medida que iamos descendo cada vez mais para o interior da terra.
um livro interessante do antropólogo luis maçarico. face à rotina do trabalho que se impõe vamos acumulando bibliografias, esta obra do luis é uma delas. comecei a ler e aconselho. pois vai ao encontro de muitas das lógicas deste complexo universo do associativismo.
recebi através do luisum exemplar desta interessante revista da associação da aldraba. para além de um conjunto de temáticas diversificadas ligadas aos patrimónios ditos populares, destaco um pequeno artigo sobre o adufe da autoria de ana c. dias.