são assim as vidas das coisas. ora efémeras e votadas ao desaparecimento... ora reutilizadas em prol de diversos usos, alguns completamente antagónicos aos originais. talvez seja mesmo uma enorme lição para o olhar de tantos especialistas que teimam em ver apenas o que lhes convém e não as infinitas possibilidades que apresentam as "coisas" do passado ora reutilizadas ora esquecidas....
nesse processo colonial os percursos das fotografias familiares enviadas entre Africa e Portugal preencheram, fundamentaram e colmataram um "território" de ausências....
pelas fotos dá para ver o quanto este lugar é singular. a vista a partir do "lugar" (esta estrutura em ferro, centro de interpretação) é absolutamente extasiante.
perante estas pedras sacralizadas sempre penso nessas reinterpretações que o cristianismo deu aos espaços e lugares, nomeadamente aos sistemas de crenças remotos (pagãos).
são assim estas "coisas/património", ora se vêem envolvidas em apertados círculos de perigosidades e excessos de formalidades ora nos surpreendem no mais completo dos abandonos. é o caso desta magnifica cabeceira de cama, em madeira, com gravados personalizados, quiçá elaborada pelo mestre-carpinteiro da aldeia.