quarta-feira, dezembro 31, 2008

NÃO...

(Cadáveres de cinco irmãs palestinas de 4 a 17 anos mortas no bombardeamento nocturno israelita a uma mesquita do campo de refugiados de Yabalia. Jornal El Pais, 27/12/2008)


não.ninguém pode ficar indiferente perante a mortes de seres humanos totalmente inocentes, muito menos a morte brutal de crianças. "danos colaterais" dizem os profetas das guerras e a vida continua para os que se acham donos e senhores de reduzir a meros números contabilisticos as milhares de vidas inocentes. mas que raio, enchem-se as televisões de mensagens de caridade natalícia, recebemos nas nossas caixas de correio outra panóplia desmesurada destas mesmas mensagens e ali num qualquer recanto deste mundo próximo, dito global, permite-se isto, a morte brutal de seres humanos inocentes...que natal? que ano novo? que festas? ...tudo não passa de uma fábula mal contada...

terça-feira, dezembro 30, 2008

NO MUNDO DOS OBJECTOS...

cabaça. espólio CCR

chavelha, espólio CCR.

coleira com puas, espólio CCR.



também passei grande parte de 2008 em torno da análise e estudo destes objectos. neles, o passado aloja-se, as sensações despoletam, as memórias comunicam...

domingo, dezembro 28, 2008

ARQUITECTURAS TRADICIONAIS



devido a este  meu fascinio sempre renovado por estas arquitecturas tradicionais e também pelo facto de ter passado muito do 2008 a fotografar e a inventariar estes testemunhos únicos relativos a um tempo em que os campos permaneciam habitados, deixo-vos uma destas extraordinárias  arquitecturas fotografada no árido território da freguesia do Rosmaninhal. este magnifico exemplar têm anexado o tradicional curral, galinheiros, palheiro e a casa do respectivo pastor. 

2008...


um dos maiores acontecimentos históricos de 2008 foi sem duvida a eleição de B. Obama para presidente dos EUA. o mundo suspirou de alivio!

quarta-feira, dezembro 24, 2008


para todos os seres humanos que perderam os seus entes mais queridos, quando chegam estas alturas festivas, repletas de efervescência comunitária, o mundo parece-nos um lugar demasiado estranho...

a estes em especial, e a todos em geral, um aconchego desde o profundo universo...


UM FELIZ NATAL 

domingo, dezembro 21, 2008

uma história real...

(creative art)


jogava o real madrid contra o valencia, na bancada um adepto de 65 anos sofre um ataque cardiaco fulminante, está acompanhado do filho. alguma confusão, entra a equipa médica e durante o obscuro momento  em que estão a fazer as respectivas massagens cardiacas de reanimação, o real madrid marca golo, os adeptos em torno do homem já morto, saltam de alegria...e o adepto morto conjuntamente com o filho e a equipa médica emergem-se ainda mais na terrivel realidade...

mas que raio, uma "merda" de uma bola que entra numa insignificante baliza é o suficiente para levar a tamanha alegria e ao esquecimento imediato de um homem queacabou de perder a sua vida??

(aconteceu este fim de semana)


quinta-feira, dezembro 18, 2008

SOUVENIR...



pin da antiga associação de futebol do rosmaninhal
seria interessante reunir o que resta desta colectividade..

segunda-feira, dezembro 15, 2008

IRUÑA VELEIA, A FRAUDE ARQUEOLÓGICA...OU NÃO?


depois de ter sido noticiado (junho 2006) com toda a pompa e circunstancia um dos achados mais espectaculares da história da arqueologia espanhola, discute-se agora a sua veracidade, fraude ou artefacto arqueológico? veja-se por exemplo a representação deste enigmático calvario que segundo os arqueologos poderia dar uma reviravolta total na história do cristianismo, uma vez que ligavam este espantoso achado à emergencia do cristianismo na Roma do séc. III. mas vejamos: porque razão colocariam as inicias RIP (requiescat in pace) - descansa em paz -, em vez de INRI (Iesus Nazarenus Rex Iudeorum) - Jesus de Nazaré Rei dos Judeus, uma vez que a primeira é mais recente?
enigmas...ou "enganologia"...pura e dura...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

PENSAR A RELIGIÃO CATOLICA


terá esta imagem alguma semelhança ou analogia com um seguidor de Cristo?
quanto a mim não..assemelha-se mais a um imperador ou a um seguidor de um qualquer poder ideológico que lhe afere o respectivo poder dourado, o poder da materialidade terrena...será que esta religião legisladora da objectividade única poderá alguma vez tornar-se na religião das subjectividades humanas...afinal, quantas verdades existem dentro deste universo dourado denominado de Vaticano?

sábado, dezembro 06, 2008



nirvana
pennyroyal tea

...





black sabbath

paranoid

grande...grande...som...


"strange kind of love"
peter murphy

recordo aquela mágica noite no sudoeste...para ti estrelinha...

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O SABER-FAZER DO PÃO...


Rosmaninhal. Ti Mari'Zé, 2008.

não me canso de divulgar estes ancestrais saberes-fazer, em particular o do pão, porque sei que estão no limiar da sua existência. também sei que é o curso normal de uma sociedade, todos nós nos vamos transformando, adaptando ao longo dos tempos, assim se passa com estes basilares saberes. nesta aldeia, Rosmaninhal, terra outrora dourada de searas de trigo, de tanta tradição ligada ao pão, nos dias de hoje apenas esta senhora teima em cozer todos os dias duas fornadas de pão. cada dia que entro no espaço perfumado do seu forno, fico ali sentado, em silêncio e em admiração profunda, a contemplar o seu fustigado corpo, traduzindo alfabetos de trabalho, a oscilar de uma tarefa para outra com uma mestria milenar. depois, converso, ouço-a a soletrar sempre a mesma oração..trabalho..trabalho...trabalho. chega o Ti Zé, o marido, também ele fustigado pelo mesmo alfabeto, com a carroça cheia de lenha. senta-se e desabafa: isto está a acabar..! é verdade...e com isto perdem-se igualmente estas partilhas, estas ligações ao local do forno, estas histórias contadas com o aroma perfumado das charas e das giestas, esta aprendizagem e esta linguagem dos objectos a laborar, a dialogar com os nossos sentidos. 
...penso nos labores que estiveram durante décadas ligadas ao pão e que hoje já não existem, desde o tradicional carpinteiro que fazia as masseiras e os tabuleiros, ao ferreiro que forjava a raspa, a pá e a férrea...

quinta-feira, dezembro 04, 2008

uma curiosidade da sabedoria popular: 

"para curar as aftas esfrega-se a lingua pela cal da parede"
chris kenny

...

domingo, novembro 30, 2008

da colectânea de contos "a morte, a minha princesa"

eddy chambino



o coração de plástico


“Blitch mnic tri bur trom desawer trunccmippfret”. Soletrava este estranho alfabeto ao mesmo tempo que vincava as profundas rugas da pele amarelada do rosto com um sorriso leve. – Esta língua só eu a sei falar. Dizia para os jovens que estavam sentados à sombra do velho choupo e que balbuciavam a sua alcunha – Malta, malta, chegou o Coração de Plástico! Os jovens riam-se e metiam-se com ele, que seguia com o seu passo curto e lento com um balde na mão, cheio de farelo misturado com restos de fruta e vegetais na direcção do galinheiro. De regresso, já vinha mais equilibrado, o balde vinha vazio e a singular postura tinha ocupado o volume normal naquela rua íngreme. Uma das mãos vazias tinha regressado ao habitual pouso, que era no peito, sensivelmente por cima do lugar do coração, onde os quatro dedos ficavam no interior da roupa, ficando apenas de fora o polegar, ou seja, a mão ficava apoiada no botão central do velho casaco consumido pelos anos. Na cabeça, poisava há muitos anos um decrépito chapéu preto que teimava em permanecer ali para sempre. Ao passar pelo mesmo grupo, tornou a soletrar aquele alfabeto ficcionado. Depois de algumas explicações ocas e de algumas gargalhadas, um dos jovens fez-lhe a pergunta de sempre – Porquê que você anda sempre com essa mão ai enfiada no casaco? Até parece que anda sempre a esconder qualquer coisa? A sua postura ficou rígida e respondeu com um ar sério mesclado com tons de cores visionárias – Sabes rapazola, é que eu sou doente do coração, tenho um coração de plástico e tenho esta mania de o proteger, é um coração mas é também um coração frágil, fraquinho. Os jovens permaneceram durante um pequeno instante em silêncio a observa-lo, como se tivessem sido hipnotizados por aquelas estranhas palavras, mas de imediato o feitiço quebrou e um deles desatou a rir e todos recomeçaram a fanfarra de sempre – Você está a mentir, ninguém pode ter um coração de plástico, muito menos você. E continuaram a rir desmesuradamente. O Coração de Plástico retomou o seu rumo na direcção da rua principal, desceu a leve inclinação, passou pelo café e seguiu na direcção do adro da igreja. Depois de ter cruzado o amplo largo vazio e de ter tirado o decrépito chapéu em sinal de respeito junto à porta da igreja, acelerou o passo e foi cagar debaixo de uma oliveira, como habitualmente fazia e como desejava sempre fazer. Feitas as necessidades, rumou decidido a calcorrear as estreitas ruas até chegar a sua casa. A mulher já o esperava sentada no reduzido degrau da pequena casa. Quando vislumbrou a sua figura franzina na mira da esquina, soltou um dos seus berros característicos – São horas Gabriel? Os ovos já estão frios, agora comes a comida fria, pobre diabo! Ele apenas oscilou a cabeça no sentido do degrau da entrada da casa e dirigiu-se para a mesa onde estavam dois pequenos pratos tapados com um pano quadrado. Depois de comer a sua desatenção fria, mais uma vez, foi-se sentar próximo da mulher numa cadeira para ai cumprir o ritual de todas as noites, o ritual da televisão e do adormecimento. Ouviam atentamente as notícias do mundo. Os dois espantavam-se amiúde com este mundo televisionado, muitas vezes escancaravam os olhos em demasia e as imagens engasgavam-nos severamente, obrigando-os mesmo a fechar os olhos durante uns instantes para assim poderem mastigar toda aquela impossível realidade. Naquela continuidade noticiosa o locutor soletrou um nome que lhes era bastante familiar – Ouviste o que ele disse? Parece que falou no nome da nossa terra – Parece que sim, também o ouvi nomear o nome da nossa terra! Respondeu ele com o corpo inclinado para a frente e com um ar atento. Anunciava, o repórter da televisão, a presença no dia seguinte do Presidente da Republica para inaugurar o novo Mercado da Vila – Isto é amanhã às 10 horas, já tinha ouvido falar ali na Praça – Tu ouves falar de tudo, estás sempre com os ouvidos à escuta. Grunhiu ela com um ar sisudo. Tinham passado duas horas e o reflexo intermitente das imagens da televisão reflectia agora com violência naqueles dois rostos derrotados pela letargia da ocasião.
Na manhã seguinte, eram 7 horas e o Gabriel já estava pronto para sair de casa. Balbuciou algumas palavras matinais e fez-se ao caminho, com o balde do farelo e alguns restos, na direcção do galinheiro. Despachou-se num ápice e deixou o balde atrás da pequena porta, tinha intenção de voltar mais tarde, talvez depois da dita inauguração. Já na Praça ouviu dizer que havia comes e bebes e por ali ficou entretido a ouvir as conversas. O tique da mão enfiada no meio do casaco, em jeito de protecção do seu falso-verdadeiro-coração de plástico permanecia. Chegada a hora da dita inauguração as pessoas foram-se dirigindo para o referido local. Junto à porta, começaram a ocupar lugares estratégicos para poderem ver o importante acontecimento – Já chegaram os peixes graúdos, disse um dos transeuntes com uma cara de troça. Viu passar um grupo de homens bem vestidos, reconheceu o Presidente da Republica, acompanhado pelo Presidente da Vila conjuntamente com outras figuras conhecidas. Limitou-se a seguir a vertigem da corrente para dentro do novo edifício. Cheirava a tinta fresca. Já dentro da enorme sala, ouviu-se um discurso, bateu palmas e dirigiu-se para a mesa. Próximo da mesa começou a sentir-se mal, sentia tonturas que iam aumentando gradualmente a sua indisposição, uma dor aguda penetrou-lhe no peito e caiu inanimado. Uma multidão começou a oscilar até junto do seu frágil corpo – Desviem-se, deixem o homem respirar – Chamem uma ambulância – É o Coração de Plástico que desmaiou – Se calhar já bebeu demais. O fatídico acontecimento chegou ao Presidente da Republica, que era médico de profissão. Dirigiu-se rapidamente até ao lugar onde se amontoavam cada vez mais pessoas – Desviem-se, deixem passar o Senhor Presidente, ele é médico. Abriram a muito custo uma clareira para que o Presidente pudesse chegar ao respectivo corpo inanimado. Quando o vislumbrou, com aquela mão encaixada no peito, pálido, sentiu que algo lhe tinha acontecido de mais grave. Iniciou de imediato todos procedimentos médicos. Apalpou-lhe o pulso e iniciou com rapidez as respectivas massagens cardíacas. Durante aqueles infinitos segundos, uma miúda que estava próxima do acontecimento gritou no meio de um daqueles intervalos inexplicáveis de silêncio – Não carregue com muita força que o homem tem um coração de plástico, pode-se escangalhar! Alguns dos presentes esboçaram alguns sorrisos amarelos. O médico Presidente da Republica olhou a postura incisiva da miúda e continuou mais uns segundos as fracassadas massagens. Tinha morrido o Coração de Plástico. Já tinham chegado os bombeiros e estavam a ultimar os preparativos para transportarem o cadáver para dentro da ambulância. Entre aqueles instantes, a mesma miúda lembrou-se que tinha em casa um coração de plástico cor-de-rosa de uma boneca que lhe tinham oferecido, penso que era BARBA, uma daquelas caixas-surpresa em forma de coração. Como a sua casa era relativamente próxima, num pequeno instante e já se encontrava novamente junto da maca com o fantasioso coração de plástico cor-de-rosa, colocando-o na mão do bombeiro e dizendo-lhe com uns olhos claros de aflição – Experimentem este! O bombeiro sorriu, mas levou-o consigo, disfarçando aceder ao seu fantasioso pedido com a devida profissionalidade. Depois de todos os procedimentos concluídos, na altura de colocarem o cadáver na urna, o bombeiro lembrou-se e decidiu colocar-lhe aquele insólito coração de plástico por dentro do casaco, encaixado no lugar eventual do outro verdadeiro ou falso que o médico Presidente da Republica tinha quebrado sem saber. Anos mais tarde, como o bombeiro nunca tinha contado a ninguém e como também já tinha falecido, quando o coveiro e as suas obrigações decidiram exumar o que restava dos restos do Gabriel, ao perfurar com a ponta da picareta aquela terra misturada com os restos daquele amontoado de ossos, roupa e pedaços apodrecidos de madeira do caixão, debruçou-se para apanhar alguns destes ossos e naquele singular gesto encarou com um intacto coração de plástico já quase sem cor. Atónito, guardou o dito coração e embrulhou-o num velho papel de jornal. No final do dia, como habitualmente fazia, dirigiu-se à taberna e gritou com uma voz rouca – Afinal era mesmo verdade, o Coração de Plástico tinha mesmo um coração de plástico e mostrou a todos o verdadeiro coração de plástico.











quarta-feira, novembro 26, 2008



the gunshy...grande...grande projecto musical..procurem..devorem..fascinem-se..

falta ainda dizer que este projecto (album) foi concluido com base num conjunto de cartas de amor escritas pelo avô do vocalista (mat) durante a segunda guerra mundial..

segunda-feira, novembro 24, 2008




(fotos eddy. 2007)


haverá sempre um luto que nos perpetua a solidão

domingo, novembro 23, 2008

alexis zorba...ou o bom demónio...de n. kazantzaki, um dos meus feitiçeiros favoritos...
terminei de ler este precioso livro com as lágrimas nos olhos. quando um livro nos provoca os sentidos cumpre em pleno a sua função, ou seja, a estranha função de imitar a vida...

"(...) há três especies de homens: os que tomam como objectivo viver, como eles dizem, a sua vida, comer, beber, amar, enriquecer, ganhar a celebridade. depois, há os que miram, não a sua própria existência, mas a de todos os homens. sentem que todos os homens constituem uma unidade e esforçam-se por os esclarecer, procurando amá-los e fazer-lhes todo o bem que podem. finalmente, há aqueles cujo o desejo é viver a vida do universo inteiro".



ALBARRACIN



albarracin (teruel-espanha) é um daqueles lugares mágicos, tudo respira esse lado misterioso de outros tempos. a sua caracteristica arquitectura marca de facto a diferença. casas de três pisos, construidas com o recurso da preciosa madeira de castanho. trata-se de um lugar a visitar impreterivelmente...