domingo, setembro 03, 2017


na continuação das notas aqui referidas sobre estes apontamentos "icnográficos" em torno do espaço sagrado da romaria da Sª. do Almortão, fui recentemente até este lugar onde se encontra esta (quase incompreensível) estrutura de ferro e um conjunto de painéis de interpretação da paisagem envolvente. a sensação familiar e quase "druídica" ao chegar a este remoto lugar, era um (re)encontro com algo muito próprio, singular, um envolver de "coisas" que nos fazem recordar um profundo lugar, esse espirito do lugar, apenas o espaço da romaria com a sua ermida no coração de uma paisagem "natural" envolvente (a natureza em conjugação com o sagrado, as camadas dos ancestrais cultos da natureza, esse paganismo indelével na decifração deste todo, desta linguagem dos elementos, onde as águas tinham aqui um destaque para o corpo e o espirito), esses aromas trazidos pelos ventos conjugados com essa solidão característica do próprio lugar, convidativa a todos os questionamentos do horizonte alaranjado dos entardeceres, esses sentidos insondáveis que a meditação confere a estes lugares, aportando-lhes mistério, rejeitando quaisquer "textualizações", pois este lugar tinha inerente a sua própria identidade, que sempre foi um misto cimentado por diversas sensações em torno da fé e desse insondável sagrado que tudo renova nos seus ciclos, aquilo que identificamos como identidades locais que estão em permanente diálogo e partilhas. ao ser "patrimonializado", foi no meu entender completamente esventrado, jamais conseguirei olhar e estar neste lugar da mesma forma, pois foi como se fosse imposta uma "label/marca" ao lugar, tal como já observei nas paisagens do Douro vinhateiro (marca sandman), nas terras de Castilla (Espanha) junto à auto-estrada (o reimaginado touro). como se não fosse suficiente a rica e única vivência gerada em torno da alma do lugar...

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