sexta-feira, março 23, 2007

Moinho de vento


Santiago do Cacém, S. Francisco da Serra, Moinho de Vento.

terça-feira, março 20, 2007

"Five to one"



A primavera de todas as liberdades chegou...

Um beijo cósmico do Eddy e da Estrelinha do Mar para a NINI, sobrinha mágica que faz 4 aninhos... Ode à Maria Primavera.

segunda-feira, março 19, 2007

O Fascinio da mascara: coloquio sobre os rituais de inverno com mascaras



Aqui divulgo, na íntegra, a informação publicada no site do Instituto Português dos Museus sobre este importante evento que reúne os mais prestigiados investigadores em torno dos rituais com máscara em Portugal.


"Centrado na exposição "Rituais de Inverno com Máscaras", inaugurada em Dezembro de 2006 no Museu do Abade de Baçal, este colóquio reúne o grupo de investigadores que, sob a orientação científica de Benjamim Pereira, e, tendo todos eles realizado trabalho de campo sobre a temática das festas do Ciclo de Outono-Inverno e o complexo dos mascarados de Trás-os-Montes, contribuíram para o catálogo.
Esta apresentação e debate público será também uma homenagem ao trabalho de Benjamim Enes Pereira sobre o complexo das máscaras portuguesas e em prol do desenvolvimento da Etnografia Portuguesa.
Este colóquio irá realizar-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na Torre B, auditório 1, no dia 20 de Março, entre as 9h30 e as 17h."

Programa:

9h45m - Apresentação
Clara Saraiva e Paula Godinho (FCSH)
10h - Rituais de Inverno com Máscaras
Benjamim Enes Pereira
10h30m - Janelas para o Terreno
Paulo Costa (IPM)
11h - As "loas" que contam uma festa: permanência e mudanças na Festa dos Rapazes
Paula Godinho (FCSH)
11h30m - Quando a máscara esconde uma mulher
Miguel Vale de Almeida (ISCTE)
Almoço
14h30m - "Caretos" de Podence: um espectáculo de reinvenção cultural
Paulo Raposo (ISCTE-CEAS)
15h - Percursos entre Festas
João Leal (FCSH e CEAS)
15h30m - Rapazes e almas no período invernal
Clara Saraiva (FCSH)
16h - Apresentação de filme "Rituais de Inverno com máscaras" (Laranja Azul)
16h30m - Discussão final e encerramento

segunda-feira, março 12, 2007

Arte Aborigene

Aboriginal Cave Paintings, Western Arnhem Land, Australia
© John Miles/Survival

Aos profetas do capitalismo, aos que exaltam um mundo homogéneo, global, entregue unicamente a valores económicos, esquecendo o direito à diferença dos povos da Terra. Por um mundo diverso, aqui vos deixo um trecho da arte dos aborigenes australianos.

sexta-feira, março 09, 2007

Objecto quotidiano

Artista: Romuald Hazoumé. País: Benin

quinta-feira, março 08, 2007

Arquitectura tradicional: antiga aldeia da Cubeira

Vista parcial da aldeia.

A aldeia vista de outro ângulo
Casa tradicional.

No seguimento do post anterior, revela-se hoje a outra aldeia-vitima da denomina "Guerra dos Montes". Deste remoto lugar podemos dizer que era uma povoação menor, com uma arquitectura análoga à dos Alares.
(Continua)

domingo, março 04, 2007

Arquitectura tradicional: antiga aldeia dos Alares


Vista parcial da aldeia dos Alares (Rosmaninhal).


Exemplo dos principais materiais utilizados na construção das casas.


Uma das últimas casas habitadas.

Antes de me debruçar sobre alguns aspectos interessantes da arquitectura tradicional desta aldeia, convém referir que este lugar, denominado de Alares, - situado nos limites da aldeia do Rosmaninhal - conjuntamente com o lugar da Cobeira e as Cegonhas Velhas fizeram parte de um mirabolante episódio histórico a que a imprensa da época intitulou de "A Guerra dos Montes". Em traços gerais o que ocorreu resume-se a um conjunto de confrontos entre o povo (ou parte do povo) do Rosmaninhal e os habitantes destes montes (os monteses). Tudo isto se passou entre 1923 e 1930 e a razão principal foi fundamentalmente o uso e a posse da terra. Deixarei para breve um trabalho mais minucioso sobre este acontecimento. Passemos então aos testemunhos, ou seja, à arquitectura tradicional que as muitas gerações que habitaram este lugar tiveram que deixar forçosamente. Hoje apenas restam remotas ruinas, no entanto, ainda se pode analisar a essência da sua vivência quotidiana, assente numa magra economia rural, cujo o eixo principal seria a criação de gado e os cereais de sequeiro. As construções eram análogas às do Rosmaninhal, prevaleciam as construções em xisto. Porém, como neste lugar não abundam as pedreiras de onde se retirava o xisto, os habitantes utilizavam com alguma frequência outro recurso, o barro. A grande maioria eram casas térreas, com pisos marelos, lisos, elaborados com bosta de vaca seca e barro. O costume de fazer armários no interior das paredes com prateleiras de xisto era usual. Abdicavam das janelas e das escadas exteriores, em amiúde aproveitavam a luz natural que entrava pela porta. Nas padieiras de janelas e portas ainda são visiveis pedaços de toscos troncos de azinho e em alguns casos também, como a fartura não era muita, aproveitamentos de velhos eixos de carroças. Seria interessante se se conseguisse edificar aqui neste lugar um exemplar destas casas tradicionais para que se pudesse interpretar a história social e económica deste povo.
(Continua)

quinta-feira, março 01, 2007

Zeca o grande Amigo



Não sei se isto é uma homenagem, apenas sei que estou a recordar um amigo que nunca conheci, a não ser através da musica. Comecei muito cedo a ouvir Zeca, pois tive a sorte de ter um pai, UM GRANDE PAI, com todas as letras possiveis e imaginárias, que tocava e cantava encantadoramente. Nos longos serões de inverno, era ele quem aquecia os nossos corações com as musicas do Amigo Zeca: "Os vampiros", "Chamava-se Catarina", "Venham mais cinco" e terminava com uma das minhas preferidas, "O que faz falta". Foi assim, deste modo carinhoso e sentido que me foi apresentado o Amigo Zeca, daí que hoje achei por bem escrever-lhe uma carta:

Amigo Zeca,

Não sou daqueles que teceu a sua consciência politico-social a ouvir-te cantar esses cantos de resistência e de denúncia, sou talvez, conjuntamente com a minha geração, o fruto do que veio a seguir à tua despedida. Houve mesmo quem lhe chamasse "geração rasca", mas isto é outra conversa, o que me interessa aqui dizer-te, é que foste e és um dos maiores musicos portugueses. Isto porque forjas-te admirávelmente uma obra única em todos os sentidos, plena da mais livre das palavras, Liberdade. Na tua obra ecoam tradição e modernidade, estas eram as tuas notas preferidas, daqui emanava o teu poder criativo. Com frequência ainda paira o espanto ao ouvirmos as tuas canções novas que soam a milenares convivios, misturando-se mesmo com a toda uma memória colectiva ancestral. E é precisamente desta alquimia que renasce sempre, mas sempre mesmo, essa tua força revivificadora, a chamada alma nova. Muitos têm se esquecido desta essência e remetido a tua obra para um espaço onde imperam outras forças, chamemos-lhes vagas, ocas de sentido, onde reinam circulos mágicos à volta da fogueira. Amigo Zeca, a obra que crias-te é muito mais do que isso, é a tradução pelo espirito da luta por uma grande palavra, LIBERDADE.

Amigo Zeca, "o que faz falta é animar a malta".

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Arquitectura tradicional: palheiros da aldeia das Cegonhas



Cegonhas, palheiro, 2006

Os palheiros normalmente localizam-se nas zonas limitrofes das aldeias, este exemplar é uma construção em xisto, com uma cobertura já em telha. Porém, ainda conserva o tradicional uso das lages de xisto por debaixo das telhas. Dizem os locais que em tempos estes telhados eram elaborados em colmo e giesta, só depois é que passaram a utilizar as lages de xisto e posteriormente a telha. No seu interior conservavam o feno e as alfaias agricolas. Ainda hoje, mesmo não tendo esta funcionalidade, mantêm esse aroma caracteristico do feno entranho. Era importante para estas aldeias e sobretudo para a memória colectiva de um território preservar estas arquitecturas vernáculas.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Arraial agricola


Espanha, fronteira de Segura, Arraial agricola.

Este arraial agricola encerra um conjunto de promenores que se destacam dos restantes, basta olharmos para os grandes arcos de granito das portadas do palheiro principal, para percebermos a importância deste espaço destinado ao armanezamento de fenos e/ou estábulo de vacas de trabalho. Em anexo, têm uma pequena casa de habitação e um cabanal baixo para os restantes animais (bestas, etc). Nas imediações localizam-se os tradicionais furdões para a prática da suinicultura. Pelo seu conjunto e pela sua localização (junto à estrada principal), merecia ser recuperado e valorizado.

domingo, fevereiro 25, 2007

Toponímia do outro lado da fronteira


Piedras Albas, Calle Portugalillo.

Arquitectura tradicional de Oledo


Casa tradicional da aldeia de Oledo



Na aldeia de Oledo prevalecem as casas de granito de dois pisos, com a cozinha no piso superior. Contudo, o presente exemplo com o piso superior construido em tabique também é usual. Dizem os locais que ficava mais em conta no preço dos materiais e exigia menos mão-de-obra, ou seja, era uma solução mais economica. No entanto, como estes tabiques eram, em geral, preenchidos com uma mistura de barro com palha de centeio, têm-se que equacionar outro factor, o isolamento térmico do lugar mais habitado da casa durante o rigoroso inverno beirão. Era aqui onde se passavam as frias noites ao lume e onde se situavam os exíguos quartos de dormir.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

As talhas da agua fresca


Rosmaninhal, interior de uma casa tradicional, móvel (banca), barril e talhas de barro onde se colocava a água para beber.

Tanto poderíamos dizer sobre estes tradicionais recipientes, cheios de água fresca, que povoavam as casas das aldeias. O lugar onde ficava situada a "talha da água" não variava muito, escolhia-se um lugar fesco, funcional, perto da porta de entrada da casa. O móvel onde esta encaixava também variava, nas casas mais antigas ainda se podem observar os antigos poiais de xisto onde se colocava a talha. A tapar a boca da talha estava um pequeno prato de barro, ao que se denomina de barranhão, sobre este repousava um copo igualmente de barro. A tapar o copo, colocava-se um pano de linho bordado que embelezava e o protegia dos inumeros insectos. Para além das talhas, havia outro universo de recipientes de barro que preenchiam outras funções, tais como: as bilhas, os potes, os barris, etc. Um dos factores que contribuiu para a inoperância desta prática, foi a canalização das casas. De repente ou paulatinamente, conforme os casos, todas as casas foram incorporando outros consumos (electricidade, botija de gaz e água canalizada). Isto fez com que se alterassem os interiores das casas, para integrar novos objectos que, por sua vez, foram destituindo outros. As sociabilidades também se modificaram, os quotidianos configuraram-se mediante estes novos consumos. O repetitivo trajecto de ida à fonte deixa-se de se fazer e a fonte vai ficando cada vez mais esquecida, assim como as sociabilidades que lhes estavam associadas. Veja-se a quantidade de topónimos ligados às fontes e à água, as tradicionais canções sobre as idas à fonte, os namoros que a pretexto da ida fonte se desenharam. Deste modo, a talha e a ida à fonte se conjugam, se imaginam e, sobretudo, se complementam. Haveria, contudo, ainda muito para dizer, desde as formas de beber água, de dar água a um desconhecido, a um familiar, de lavar o copo antes de o mergulhar dentro da talha, como se mergulha, etc. Também a lavagem das talhas à porta de casa, com palha, era uma prática que por si, gerava todo um discurso sobre este milenar saber-fazer. Em jeito de conclusão, veja-se como um objecto ou um conjunto de objectos, inoperantes dentro de uma casa nos pode ser útil para entender a própria casa e perceber as sociabilidades geradas no seu interior.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Os muros: um patrimonio esquecido


Carriçal, muro de xisto, quartezito e quartzo leitoso.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Arquitectura tradicional de Segura


Segura, casa de andar em granito

Nesta encantadora aldeia fronteiriça prevalecem um misto de casas ditas "baixas" e de andar. O granito é o material mais utilizado. Aparecem algumas casas similares à casa tipica do norte do concelho, ou seja, casas de andar, escuras, com as ombreiras das portas e das janelas caiadas de branco. Por dentro, as madeiras combinam com os barros e a palha para fazer os tabiques dos quartos.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Vidas: os ultimos monges de Yuste



O Mosteiro de Yuste fica situado numa das encostas da Serra de Gredos (Espanha), na comarca de La Vera (Cacéres), proximo da aldeia de Cuacos. O actual edificio foi construido sob as ruinas do velho mosteiro que serviu de residência a Carlos V nos últimos dias da sua vida (1556-1558). Hoje, o mosteiro alberga apenas sete monges que, incansávelmente, aqui se entregam ao espirito que os uniu. Visitei este silêncioso lugar no ano passado (integrado numa actividade do gabinete de turismo da CMI), este ano tornei a repetir a visita, vale mesma a pena entrar neste maravilhoso lugar e assistir a um cântico em latim proferido pelos próprios monges.

sábado, fevereiro 03, 2007

A crise ou a falsa crise??



Raramente, neste espaço virtual fiz qualquer referência a questões que tendem a afastar os vários propositos que me fizeram criar este espaço. Mas esta noticia que recebi de um grande amigo, motivou-me a abrir aqui uma excessão à regra. Estou farto de ouvir falar de crise e mais crise e mais crise. O fosso, neste país, entre os mais ricos e os mais pobres está cada vez mais fundo, mais visivel, mais declarado, mais intenso, mais crú. Este post é para os profetas da tão mal afamada crise.

"Diz o governo que há demasiados funcionários públicos de carreira e que os seus salários contribuem para aumentar o défice.

Fica aqui um bom exemplo, de entre milhares, de "racionalização de recursos" e que nos deixa perceber a razão da primeira afirmação.

Será que os sindicatos já pensaram nisto ou andam preocupados com outras coisas?"

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,

DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS

Gabinete do Ministro

Despacho n.o 24 054/2006

1—Nos termos e ao abrigo do disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 2.o

do Decreto-Lei n.o 262/88, de 23 de Julho, nomeio o jornalista Mário

Luís da Silva Ribeiro Fernandes, assessor do meu Gabinete, para

prestar apoio na área da comunicação social e relações públicas.

2—Ao nomeado é atribuída a remuneração mensal ilíquida de

E 3450, acrescida do respectivo abono para despesas de representação

e do subsídio de refeição, bem como dos inerentes subsídios de férias

e de Natal, estabelecidos para o cargo de adjunto de gabinete.

3—Quando se deslocar em missão oficial no País ou no estrangeiro

o nomeado terá, ainda, direito aos abonos das correspondentes despesas

de transporte e de ajudas de custo no montante igual ao que

estiver em vigor para os servidores do Estado com a categoria correspondente

ao índice 710 da tabela salarial da função pública.

4—O presente despacho produz efeitos a partir do dia 1 de Novembro

de 2006, revogando o meu despacho n.o 9355/2005, de 12 de

Março, publicado no Diário da República, 2.a série, n.o 81, de 27 de

Abril de 2005.

2 de Novembro de 2006.—O Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento

Rural e das Pescas, Jaime de Jesus Lopes Silva.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Biblioteca itinerante da Gulbenkian




A carrinha chegava ao meio da tarde. Subia a rua inclinada na direcção da Guarita. Ali, abria as portas ao mundo dos livros para a aldeia. A entrada naquele mundo novo dos livros era feita pela porta traseira. Lá dentro estava um homem com umas botas diferentes. Tinha um salto numa das botas e na outra não. Aquelas botas marcavam uma cadência dentro daquele mundo. Tudo era diferente, até este homem parecia ter saído desse mundo misterioso dos livros. Havia outra personagem, este era rude, alto, demasiado alto. Costumava alertar num tom de voz severo para o cuidado a ter no manuseio dos livros. Era frequente aparecerem livros manchados com nodoas de azeite, rasgados, riscados, etc. Pois o universo dos livros conviviam com alguma proximidade com o universo das tarefas domésticas. Na maioria dos casos em casas de pessoas analfabetas. Aqui, o livro servia para tudo menos para ser lido. Era o fascinio das gravuras, das letras gordas, das cores de mundos tão distantes que aquela "carrinha dos livros" trazia à monotonia da aldeia. A entrega dos livros era sempre um momento delicado, aquela voz severa, ecoava do mais alto para repreender alguma desatenção com o livro. Enfim, restam as memórias destes livros que não eram livros, destes mundos que não eram mundos, mas que a aldeia gosta de recordar.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Arquitectura tradicional: anexos de animais


Quintã de Pêro Martins, Figueira de Castelo Rodrigo

A arquitectura tradicional da Beira Alta comporta com frequência estes anexos destinados aos animais de criação. Neste caso, por cima são galinheiros e por baixo uma pequena furda, destinada ao porco. Estes importantes testemunhos duma economia doméstica rural estão completamente esquecidos.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Testemunho da moagem idanhense


Idanha-a-Nova, mó de granito gravada.

Esta mó, para além de ser um fabuloso testemunho dos tempos áureos da moagem na vila de Idanha-a-Nova, documenta ainda a particularidade de estar datata e simbólicamente protegida pela cruz de Cristo. O tão importante ciclo do "pão nosso de cada dia", fruto de árduas e longas jornadas de trabalho.