quarta-feira, junho 07, 2017

Tsuchida Bakusen (1887-1936)

domingo, junho 04, 2017

ON THE ROAD


as ideias vão surgindo num leque de velocidades. leio Artaud. aprofundo esses sentidos novos da loucura, da santa loucura...

sábado, junho 03, 2017

DA NATUREZA

(john james audubon)

vi que não há natureza
que natureza não existe
que há montes, vales, planicies,
que há árvores, flores, ervas,
que há rios e pedras,
mas que não há um todo a que isso pertença
que um conjunto real e verdadeiro
é uma doença das nossas ideias

a natureza é partes sem um todo
isto é talvez o tal mistério de que falam

*Fernando Pessoa, poemas de Alberto Caeiro

sexta-feira, junho 02, 2017

TERTÚLIA 011 - RAIA GERAÇÔES


Ontem estivemos em S. Miguel de Acha, novamente com os oradores Tom Hamilton e Dra. Maria Adelaide Salvado, na insistencia da temática da valorização do património sineiro da Beira Baixa (penso que faz mais sentido pensarmos este património no seu conjunto enquadrado nesta ampla região denominada Beira Baixa). Em S. Miguel de Acha destacou-se, como era de esperar nesta povoação com dinâmicas muito particulares, um publico extraordinariamente interessado e sensibilizado para a salvaguarda e valorização do seu património sineiro. O movimento está a ganhar contornos interessantes...

quarta-feira, maio 31, 2017

ARQUITECTURAS POPULARES. E OS SABER-FAZER?


esta imagem foi tirada no ano 2005 no território do Rosmaninhal, no interior de uma pequena casa (espaço da cozinha), de piso térreo, construída e lajeada em xisto. a tarefa que tive o cuidado de documentar desde a escolha do local onde foi extraído o barro até à técnica de mistura com água e respectivos gestos técnicos de "caiar" o interior da casa com uma arcaica vassoura de giesta, são para mim hoje documentos de uma importância absolutamente extraordinária. no sentido em que neste curto espaço de tempo de cerca de 10 anos, estas pessoas que habitavam o campo no sentido pleno e quase animista do que significava compreender o meio envolvente na sua totalidade, com uma linguagem corporal que ganhava arcaicas expressões, nos gestos, nas formas mais simples de olhar o cosmo, a vida e a morte, deixaram definitivamente o campo e com elas dilui-se toda uma forma de experiênciar o mundo (o pequeno-grande-mundo). e neste mundo estão os olhares mais interessantes de tudo aquilo que é um compêndio de conhecimentos de uma paisagem...

terça-feira, maio 30, 2017

Veigaviana, Espanha. 2017

domingo, maio 28, 2017


do lado da luz...

ARQUITECTURAS POPULARES EM TERRA

troglodyten caves. libia

sexta-feira, maio 26, 2017

OBJECTOS FERIDOS. A HISTÓRIA DO ROUBO DE UM BRASÃO




Inconsolável civilização (a nossa) que recusa a alma mas acumula os restos e os signos, que exclui, mas ao mesmo tempo quer tornar tudo visível.

*M. Guillaume

recentemente surgiu o melhor dos desenlaces para um brasão que tinha sido roubado na aldeia de Monsanto. lembro-me na altura do suposto roubo que uma das pessoas que mais atenções e preocupações patrimoniais com eventuais desaparecimentos no concelho de objectos de valor patrimonial, foi o Joaquim Baptista http://porterrasdoreiwamba.blogspot.pt/2008/05/coberto-da-noite-vndalos-criminosos.html . provavelmente e como foi encontrado do lado espanhol, subentende-se de algo muito bem organizado, conforme se discutia na altura deste e de muitos desaparecimentos. o que me parece de relevância pertinente é o estado do respectivo brasão e seu conjunto (portal) antes do suposto roubo, tal como essa simbólica relativa aos sentidos dos poderes que se pretende e que a população local hoje lhe atribui. outro facto que se discute é o roubo de um outro brasão da porta do castelo, hoje com a substituição de uma placa meramente simbólica. antropologicamente, estas dimensões tornam-se fecundos casos de estudo em torno do valor das "coisas", simbólico, social,  politico., mas também são urgentes alertas para a velha máxima: a melhor forma de valorizar e proteger o património é estuda-lo"....


quarta-feira, maio 24, 2017

romaria Santa Madalena. Rosmaninhal


temos que saber aprofundar esse sentido sócio-antropologico das festividades. entender que ao invés de um único sentido que lhes querem atribuir (unidimensional), existem muitas outras interpretações. aqui reside toda a riqueza patrimonial do fenómeno das festas. nas tensões, nas contradições, nos ocultamentos. é ir ao encontro daquilo que J. Derrida magistralmente esclareceu com o refrescante conceito de "desconstrução", procurar todos os descentramentos possíveis, imbricarmo-nos nos multiplos caminhos que se afastam dos "centros". entenda-se aqui "centro" como pensamento verdadeiro, forma ideal, ponto fixo....que garante todo o sentido, significado e verdade às coisas...
(svemirska)


tudo flui, nada fica estagnado

heraclito

terça-feira, maio 23, 2017


um projecto artístico fabuloso...

segunda-feira, maio 22, 2017


"generalizar é ser um idiota"

william blake

domingo, maio 21, 2017


cadeira de pastor. 2017

sábado, maio 20, 2017

selvagens. 2017
"dead-man". 2017

quinta-feira, maio 18, 2017


na orla do bosque. na voraz aventura dos silêncios. 
imaginado palavras aladas. como amo cada vez mais os abandonos...

quarta-feira, maio 17, 2017

bate contra a minha cara esta chuva de maio. potência cósmica nas minhas linhas interiores. um som de um sino ouve-se entre as pedras. o metal funde-se no silêncio. uma luz clara irrompe entre os espinhos. aumenta a intensidade da chuva contra a minha cara. caminho com esta agua sonora. as mãos vão abertas. escancaradas no meio desta agua que corre. bate. agua-potência-cósmica. que me trespassa. ao fundo uma névoa circunda os verdes rejuvenescidos como um fogo lento purificador em torno das copas claras das árvores. mais perto tudo escurece. recordações de infância de entardeceres-paraíso. o caminho continua a bater na água que me bate na cara como se fosse uma chuva de maio.

segunda-feira, maio 15, 2017

paisagem geológica. 2017

sábado, maio 13, 2017

(pyredust)

estes dois dias intensos dedicados ao santuário de Fátima, com a visita do peregrino Papa Francisco, trouxeram alguma reflexão interior. penso até que o mais interessante destas experiências religiosas seja a sensação de pertença a uma espécie de "comunidade imaginada" que em certa medida, a partir deste pequeno lugar, contribui para alguns momentos sublimes de paz no planeta. uma das palavras mais ouvidas nestes dias foi misericórdia e perdão para com todos (e não apenas com os nossos). que esta seja uma outra lição de humanidade...muito para além da própria religião.

quinta-feira, maio 11, 2017

(esthetiques)



releio Rimbaud. acendem-se todas as ervas com uma água nocturna. repentina. troveja. como se irrompe-se um exército negro desta noite prenhe de aromas selvagens. voltam as palavras de Rimbaud:

demasiado visto. a visão percorreu todos os ares.
por demais sofrido. rumor das cidades, à noite, ao sol, e sempre.
por demais sabido. as estocadas da vida: ó rumores e visões!
 partida no afecto e no ruído novos!

quarta-feira, maio 10, 2017

sábado, maio 06, 2017

ON THE ROAD


um flash de chuva  de granizo cruza a estrada...

sexta-feira, maio 05, 2017

TERTÚLIA Nº010




A tertúlia nº010 promovida pela Raia Gerações/Misericórdia de Alcafozes aconteceu ontem nesta localidade e teve como convidados principais a Drª Maria Adelaide Salvado e Tom Hamilton. O tema principal foi a valorização do património sineiro do concelho de Idanha-a-Nova. Um enorme destaque foi dado na abertura desta reunião com uma deslocação até à igreja matriz, onde está localizada a respectiva torre sineira. aqui o mestre sineiro local António José em jeito introdutório, demonstrativo e elucidativo deste singular saber-fazer, tocou as Avé Marias. Seguimos para o espaço da Misericórdia onde o Tom nos apresentou uma "viajem sonora" pelos toques de sinos do distrito de C. Branco, no sentido pleno de uma sensibilização para a urgente necessidade de resgatar este património em vias de se diluir face à massiva introdução de tecnologias de gravação sonora nas respectivas torres sineiras.  Na segunda parte do programa da tertúlia, a Drª Maria Adelaide Salvado complementando alguns dos aspectos destas paisagens sonoras sineiras e suas importâncias, ampliou e sistematizou de forma notável as relações entre a cultura popular e suas dimensões  simbólicas e profiláticas associadas aos sinos (trovoadas, afugentos). no final houve espaço para um convívio em torno de um lanche com iguarias do concelho. ficou o mote para uma próxima tertúlia sobre este mesmo património noutras localidades...

quarta-feira, maio 03, 2017

1º DE MAIO (A PROPOSITO DAS VELHAS E SANTIFICADAS LUTAS OPERÁRIAS)





temos que saber reinventar outros sentidos colaborativos e cooperativos para a dimensão do trabalho. urge mudar de paradigma: em vez de trabalhar para (sobre)viver, é urgente primeiro viver para depois trabalhar...

1º DE MAIO (A PROPOSITO DAS VELHAS E SANTIFICADAS LUTAS OPERÁRIAS)



the old get old
and the young get stronger
(...)
they got the guns
but we got the numbers

1º MAIO (A PROPOSITO)


(james wainwright)


"o futuro é a única propriedade que os senhores concedem 
de boa vontade aos escravos"

*camus

terça-feira, maio 02, 2017

capela N. Sª da Consolação, Salvaterra do Extremo. 2017

domingo, abril 30, 2017


aconteceu durante esta semana o bodo de Monfortinho. para além de se assumir enquanto uma festa transfronteiriça, congrega elementos e especificidades identitários notáveis: práticas alimentares, dádivas, redistribuição alimentar, manjares cerimoniais, repertórios, saberes, sagrado...

em homenagem ao meu pai, um grandíssimo marco no colectivismo local, pois foi treinador de futebol, bombeiro voluntário, participou enquanto tocador de viola no rancho de idanha-a-nova, fadista e animador de tantas e tantas festas de amigos. embora a ingratidão faça parte de um certo "estar" de um conjunto de estratégias de status local continuo a pensar que toda esta entrega e dedicação de uma vida ao colectivo valeu deveras a pena. 

terça-feira, abril 25, 2017


a festa é um momento extraordinariamente rico em múltiplas histórias. o antropólogo procura esse conjunto experiêncial de vivências colectivas e individuais e tem que saber ir para além do mero enfoque das luzes...

domingo, abril 23, 2017

sábado, abril 22, 2017

(clean-lines)


sentir a vida, essa conjugação de sentires incríveis, ultrapassar essa falsa linha de formatações mentais, chegar até ao desconhecido e entregar a mente ao infinito, ao nada...e a meditação das meditações irrompe com toda a sua lavra de luz... 

"objectos feridos". 2017

os objectos de museus locais, inseridos em pequenos projectos etnográficos, condensam riquíssimas tramas de discursos colectivos e individuais, formas de apropriação, linguagens técnicas, percursos de uso, funcionalidades. tudo isto torna-se ainda mais urgente reter neste mundo cada vez mais consumista, onde a noção de fora de uso ganha contornos absolutamente incríveis e imediatos. contrariando um universo de práticas e saberes associados a estes objectos ditos etnográficos. neste sentido, o mundo da reparação e seus intervenientes assume um papel enigmático e social nestas sociedades consumistas, pois encontrar um objecto reparado para voltar a uso é quase impossível, tal como os seus especialistas. contrapondo os universos das operacionalidades e saberes que ainda se reproduzem em continentes como Africa. portanto, através das práticas da reparação podemos construir itinerários, discursos e imaginários extremamente férteis para os eixos de acção destes pequenos museus locais. linguagens artisticas onde a criatividade se assume como um contraponto aos nexos do consumo imediato, contrariando essas lógicas absolutas e centralizadas de "objectos moribundos"...
igreja matriz de barrancos. 2017

sexta-feira, abril 21, 2017

quarta-feira, abril 19, 2017



"l'extase"

a vida só pode ser essa tempestade que está sempre por chegar, essa dor, essa fusilagem de solidão imensa, essa ráfia de tudo, esse decreto constante da desgraça, esse entesouramento do peso do mundo na alma. o despertar de um conjunto de verdades ilusórias é um grito, repertórios desses intelectos mimados, essa prolixa espécie de românticos e romantismos encantados e encantatórios...

ARQUITECTURAS POPULARES DO CONCELHO DE IDANHA


recentemente e quase ao acaso, não fosse a ajuda de um pastor local, tive a oportunidade de registar este notável conjunto de arquitectura popular denominado na zona de furdões (criação de porcos),  construído em xisto (pedra seca) e com cobertura vegetal e terra , o que permite uma impermeabilização ecologicamente eficaz. são construções com especificidades locais, próximas dos abrigos pastoris em falsa cúpula. pela sua importância histórica e cultural no significado de um território/paisagem humanizado, pelas suas ancestrais técnicas de construção, estes conjuntos merecem ser observados e valorizados no âmbito dos agro-ecosistemas locais e porque não inventariados enquanto património da humanidade...


domingo, abril 16, 2017


cont.

UM DIA "IDANHENSE" OU O DIA DA IDANHA...


aconteceu hoje à tarde no CCR a inauguração da exposição documental "Club União Idanhense - a união faz a força - 100 anos". é sem dúvida um dia enorme para a vila de Idanha, para além da celebração do centenário desta colectividade idanhense, é sábado de aleluia. sobre este projecto expositivo, inteiramente local (esboçado a partir das equipas do CCR em colaboração com a direcção do C.U.I), é urgente conhecer, pois estamos perante um ambicioso projecto de salvaguarda do património documental desta instituição centenária.

quinta-feira, abril 13, 2017



"Cada região olha com orgulho para as suas tradições e até há quem as queira elevar a Património Cultural da Humanidade da UNESCO. É o caso do desertificado concelho de Idanha-a-Nova - que guarda Monsanto, a aldeia mais antiga de Portugal - que prepara a candidatura da representação cénica de Maria Madalena. E qual é o segredo de Idanha? "É tudo feito pelo povo, ninguém ensaia nada."

Diário de noticias, 13 Abril de 2017


li esta noticia com o seguinte titulo "quantas páscoas há neste país? um retrato da tradição de norte a sul", mas nesta noticia da eventual diversidade ritual que o país sugere, apenas se realçam os mais mediáticos do momento, muitas outras "páscoas" são silenciadas em termos de "comunicação mediática", as comunidades participam nas cerimónias colectivas do calendário litúrgico como sempre o fizeram, se eventualmente chega alguém desconhecido, logo iniciam alguma explicação que se desmultiplica numa curiosa e viva conversa sobre a sua terra. percebemos logo que não há necessidade de recorrer aos interpretes oficiais das "textualizações" patrimoniais. existe, na minha opinião, um enorme paradoxo no meio destas lógicas patrimoniais "mediáticas", sugerem-se comunidades, grupos, "povo", mas raramente são eles a apresentarem-se perante o universo dos ouvintes da comunicação social, existem sempre os denominados "representantes oficiais da tradição", com tudo preparado e organizado (ensaiado). como se costuma dizer "o povo é falado mais do que fala".

terça-feira, abril 11, 2017

segunda-feira, abril 10, 2017

domingo, abril 09, 2017

IV CURSO LIVRE DE RELIGIOSIDADE POPULAR


aconteceu ontem na vila de Idanha (fórum cultural) a 4ª edição deste Curso. para além dos painéis com notáveis investigadores, realizou-se uma interessante mesa redonda com o fadista Carlos do Carmo, Prof. Rui Vieira Nery, Dr. Paulo Lima e Presidente Armindo Jacinto (moderador Eddy Chambino), cujo a temática foi a salvaguarda do património imaterial. a encerrar o grupo Coro da Câmara de Lisboa Cantat. 

sábado, abril 08, 2017



as laranjeiras estão floridas e da solene noite que as envolve só resta uma máquina ou uma vontade de máquina quase doentia que se perfura a ela mesma nos olhos inchados de tantos fuzilamentos-flashes. adiamos os repousos dos nossos sonhos nos fundos das águas claras da primavera. adiamos as vigílias ao luar nos ermos sombrios dos vértices das ruínas das casas de granito. adiamos aqueles passeios por cima da frescura das ervas. hoje mesmo quando passei pela rua ouvi por lá os nossos risos deslumbrados e quase chorei quando a sombra das nossas mãos se flagelava contra os mesmos pregos de todas as crucificações. e lá iam os cosmonautas-sacerdotes debaixo dos pálios-nave de mãos carnudas bem à mostra. lá iam também todos os notáveis dos primeiros lugares, felizes e contentes com as suas verdades. uma gente apareceu de rompante e gritava quase agonizante - vêm ai os apóstolos de Cristo.


sexta-feira, abril 07, 2017


numa destas manhãs de pensamentos e de saudades das "minhas almas" tive este encontro claro. a natureza dá-nos grandes lições de tenacidade, profundo encanto daquilo que é tão pouco e que nos enche de luz...

quinta-feira, abril 06, 2017

museu nacional de etnologia. 2017

quarta-feira, abril 05, 2017

becos suspensos numa manhã de abril...
arquitecturas populares. 2017

segunda-feira, abril 03, 2017

l'âme d'un vieux poète. 2017

sábado, abril 01, 2017


para ti Miguel que já partiste e iniciaste a grande viagem transcendental...como tenho a certeza de que isto não termina aqui...havemos de nos voltar a ver...