domingo, março 29, 2015

3. CELEBRAÇÕES PASCAIS. EM JEITO DE UM GUIA DE OBSERVAÇÂO


O

afinal o que é a Semana Santa?

2. CELEBRAÇÔES PASCAIS. EM JEITO DE UM GUIA DE OBSERVAÇÃO


G

num vasto e novelesco intercalar de significações, penso que ainda podemos dizer abertamente: as ritualidades é que definem e singularizam um povo.

sábado, março 28, 2015

1. CELEBRAÇÕES PASCAIS. EM JEITO DE UM GUIA DE OBSERVAÇÃO


B

face ao calendário festivo e celebratório que se avizinha (triduo pascal e tempo pascal), vou aqui traçar ao jeito de um guia de observação, ora com alguns dos itinerários visuais e temáticos que suscitam essa mistura entre curiosidade, criatividade e reflexividade, ora aprofundando alguns aspectos mais teóricos e discursivos que sempre nos remetem para um campo alargado de opiniões.


quinta-feira, março 26, 2015

FOTOGRAFIA

(josef sudek /1896-1976)



*

quarta-feira, março 25, 2015

PFET


a doçura mata

*h. helder


terça-feira, março 24, 2015

CADERNO Nº3 (ODE A HERBERTO HELDER)


Herberto Helder, o grande mestre das artes poéticas deixou-nos e partiu nessa nuvem alva, espessa de tantas coisas de março. o poema que transcrevo foi escolhido ao acaso, abrindo um dos seus livros que leio quase religiosamente (oficio cantante). artes mágicas ou não, quanto a mim, é mesmo e tão só a poesia que detêm esse dom de arrebatar-nos até ao mais profundo de nós mesmos, até à nossa alma.

Ω

a minha idade é assim - verde, sentada.
tocando para baixo as raizes da eternidade.
 um grande número de meses sem muitas saídas,
soando
estreitos sinos, mudando em cores mergulhadas.
a minha idade espera, enquanto abre
os seus candeeiros. idade
de uma voracidade masculina.
cega.
parada.
algumas mãos fixam-se à sua volta  


segunda-feira, março 23, 2015

DA NOSSA HORTA ENCANTADA


algumas culturas da primavera e a preparação da horta de verão...

sábado, março 21, 2015

ADUFE. MUITO PARA ALÉM...

(Igreja S. Juan de Amandi, Asturias)


nesta extraordinária igreja românica do século XII está esculpido este conjunto escultórico num dos capitéis. a representação da figura (feminina/masculino?) do lado direito remete-nos para alguém a tocar adufe. entendendo os elementos culturais enquanto conjuntos/padrões de significados vivos e dinâmicos, como é o caso do adufe nas terras da raia Idanhense, a minha percepção conjuga de imediato toda a experiência dos meus sentidos (ouvido e olhar) que este instrumento conecta. daí e quase na totalidade da sua importância (longe das ansiosas e doentias procuras da autenticidade) só me interessa essa fascinante possibilidade de o perceber como um todo vivo: os seus ritmos, as suas performances, as suas linguagens, os seus contextos vivos. por outro lado, também se destaca essa atenção e mestria dos artistas da época em fazer reproduções estéticas exactas com os gestos técnicos precisos. ou contrário de hoje, alguns dos ilustradores urbanos "cultuados", apenas lhes interessam o "umbigo" das cores, do traço, da montra, do cenário, do pano de veludo, enfim, do "boneco", esquecendo-se de todo um contexto vivo, dinâmico, onde as comunidades se revitalizam e se revêem. 

MEDULAS POR ACHAR...


michael hummel

Δ

sexta-feira, março 20, 2015

OCULTO


acontece este fim de semana em P. Garcia.

quinta-feira, março 19, 2015

UM ENCONTRO ECUMÉNICO EM MEDELIM (IDANHA-A-NOVA)


não deixa de ser notável que numa aldeia do interior do país se conceba um encontro desta natureza.

quarta-feira, março 18, 2015

(RE)PENSO LOGO EXISTO


lia um conjunto de publicações (el pais, jornal + suplementos), e num destes suplementos, numa sábia entrevista ao Nobel Vargas Llosa, finda com esta pergunta  de cariz filosófico: o que o inspira a celebre frase de Descartes: "só sei que nada sei"; imediatamente li duas vezes, será possível que nem o Nobel tenha reparado na confusão entre o que disse Descartes (penso logo existo) e o que disse Socrates (só sei que nada sei)...

segunda-feira, março 16, 2015

PELOS DIAS...

(horst p. horst)


ξ

o que se deve pedir no começo do crepúsculo
é um cântico de luz para a manhã seguinte

António Salvado, a flôr e a noite

*


@
aun: the beginning and the end of all things

domingo, março 15, 2015

ARTE

(andy warhol)

sábado, março 14, 2015

FRAQUEZA OU FORÇA




*

(© Paul Koudounaris)

Beinhaus Leuk

sexta-feira, março 13, 2015

quarta-feira, março 11, 2015

SIMBOLISMO DA EFEMERIDADE DA VIDA (E DOS SEUS PRAZERES)

El árbol de la vida, Ignacio de Ríos. 1653


 o momento efémero da curta duração da vida humana pela Terra ou em termos mais genéricos a brevidade do tempo terreno em conjugação com os seus prazeres, é das dimensões mais angustiantes e dramáticas da vida humana. pródiga de actividade ritual  (morte, culto das almas) que as sociedades rurais lhes dedicam:  " lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás de tornar" "alerta, alerta que a vida é breve e a morte é certa". aqui, nesta pintura do sec. XVII, a representação simbólica do alerta para esta mesma brevidade está notavelmente brilhante, principalmente naquilo que é o detalhe da farta mesa onde está representada de forma satírica a nobreza da época e os seus prazeres. o alerta "sonoro" que a figura de Jesus Cristo alude, o pequeno demónio num trabalho técnico de astúcia em prole da hecatombe final, esse desfecho repleto de imprevisibilidade que o interromper da vida sempre deixa...  

terça-feira, março 10, 2015

CADERNO nº3


e os dourados...

segunda-feira, março 09, 2015

CADERNO Nº3


como um deposito de escombros em brasa, de pequenos encantamentos espinhosos, eminências de restos de sedas arcaicas, assim vou calcorreando as alturas deste pequeno caderno engalanado de nadas. palácio de intrahistórias. e assim me submeto a todos os ventos que trazem marcas de fábulas demasiado antigas.

sexta-feira, março 06, 2015

MISTÉRIOS DA PÁSCOA EM IDANHA

a semana santa no concelho de idanha-a-nova, tal como na maioria do extenso mundo mediterrâneo, é das celebrações religiosas mais importantes do calendário cristão. as comemorações centradas na Paixão, morte e ressurreição de Cristo, impregnadas de regras, códigos pre-estabelecidos e liturgias, são porém vivenciadas, experiênciadas e interpretadas de forma diversa, complexa e dinâmica por cada grupo, cada comunidade (imaginada). aqui reside, penso eu, precisamente a grande riqueza deste imenso património cultural, pois é justamente sob este imenso universo de significados vivos e dinâmicos, espelhos de religiosidade popular, que se ampliam alguns dos eixos das principais problemáticas (modos de participação/negociação  nestes universos simbólicos).


quinta-feira, março 05, 2015

DAS ABUNDÂNCIAS...


a melhor regra para cada situação é fazer aquilo que tu queres

*charles bukowski

quarta-feira, março 04, 2015

JEJUM & VIAGENS

(condenastytraveler)

terça-feira, março 03, 2015

INFUSÔES....


o extraordinário assombra a toda a gente, o quotidiano apenas ao génio

j. wagensberg

segunda-feira, março 02, 2015

ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO INDUSTRIAL

*importantíssimo...
naquilo, por exemplo, que têm sido as definições dos projectos relacionados com o património geo(etno)mineiro. 

BIBLIOGRAFIAS


domingo, março 01, 2015

O INDIVIDUO NO TODO

(fotograma do filme Vilarinho das Furnas de Antonio Campos)

são muitas as vezes que nos questionamos sobre o lugar do indivíduo numa sociedade rural (anos 60). sabemos que ele deve a sua existência quase e apenas pelo colectivo, pelo grupo. um notável exemplo disto poderá ser mesmo a vasta obra do etnografo beirão Jaime Lopes Dias, nesta não surge nem uma referência individual, um nome que se tenha destacado ora pelos seus saberes, ora por qualquer outra eventual mestria. o indivíduo nestas sociedades rurais (anos 60/70), praticamente não existe, a não ser imiscuído no todo. este é um tema que me tem interessado ultimamente, pois problematiza a dimensão da diversidade, conjuntamente com as suas opacidades (normas, regras, gestos, símbolos).

sábado, fevereiro 28, 2015

COM AS CORES DAS ARVORES EM FLOR


hoje pela tarde reparei que algumas árvores da proximidade já estavam esplendidamente floridas. fiquei ali a observar e a respirar profundamente, a sentir os aromas sem os desvios dos pensamentos, uma espécie de pré-meditação. depois o corpo começou a responder aos poucos e a ficar calmo, sereno, flutuante. quando regressei à materialidade das árvores floridas as cores já não estavam nas árvores, estavam no meu interior cada vez mais incandescentes...

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

ADUFE. ESPECIAL MUSICA


foi lançada hoje esta edição especial da Adufe, dedicada à música. em termos gráficos e conceptuais está muito bonita. os conteúdos visuais são deveras demonstrativos dessa "herança musical" das terras d'Idanha.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

AGENDA MISTÉRIOS DA PÁSCOA 2015


depois da respectiva apresentação pública, a agenda já está cá fora. este ano, para além do retorno ao "preto e branco", os destaques são as manifestações da Semana Santa de Segura. Salienta-se ainda os Encontros Quaresmais e o II Curso Livre sobre Religiosidade Popular. 

terça-feira, fevereiro 24, 2015

COMIDA DE VERDADE?

(vertproj)

nas grandes cidades da europa e do mundo capitalista o consumo de uma enorme variedade de alimentos alterados (geneticamente, condições naturais, sazonalidade, etc) tem aumentado assustadoramente. pouco falta para se perguntar: este alimento  é verdadeiro ou é uma mera imitação?

domingo, fevereiro 22, 2015

DEIXAR A PELE


*deixar a pele (samarra)...

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

E TODOS COMEÇARAM A VIVER INTENSAMENTE, DEIXANDO AS MÁQUINAS OBSOLETAS

(nick knight)

nenhum homem possui verdadeiramente a alegria a menos que ele viva apaixonado

*S. Tomás de Aquino (1225-1274)

PARAISOS


deste lugar "secreto" trouxemos o perfume e o cristalino das águas. 
tanta luz clara que respiramos...

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

ENCONTRO INTERNACIONAL. AS CIDADES CRIATIVAS E A MÚSICA


um conjunto de conferências com elevado interesse etnomusicologico (e afins), contribuindo para o aprofundamento e conhecimento da paisagem etnomusical da região.

domingo, fevereiro 15, 2015

DOMINGO GORDO. TEMPO DE ENTRUDO

(supersonicelectronic)


os velhos cultos populares no Ocidente da Europa ainda insuflam de vida um calendário festivo. hoje, como se esperava, totalmente imiscuídos nessas revitalizações de características modernas (pós-modernas). penso que ainda existem muitas questões em aberto. principalmente os motivos/aceitações dessas activações (patrimoniais) e seus sentidos no seio dos grupos.

sábado, fevereiro 14, 2015

ARTES


El pago de Chile

*Nicanor Parra

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

DE QUEDA EM QUEDA...

(albrecht durer, 1521)

o mundo é vicioso;
causa-te estranheza?
vive, deixa ao fogo
a obscura tristeza.

*a. rimbaud

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

PARA LÁ DO MARÃO, MANDAM OS QUE LÁ ESTÃO...

(twogermanys)

ao equacionarmos a experiência complexa e subjectiva vivêncial nestas remotas terras raianas do interior do país, extensissima Ibéria Antiga e mediterrânea, surge (pelo menos em termos de esperança) essa possibilidade telúrica, de viver em conexão com as temporalidades cíclicas, com esse sentido do colectivo num encadeamento de memória, nos quotidianos e nas festividades. daquilo que um calendário anual projecta e torna matéria de sonho, imaginação, criatividade e espera. o que comemos é espelho de isso mesmo, comidas sazonais, comidas rituais, aspectos particulares e colaterais dos modos lentos e pausados (slowfood), dos conhecimentos de proximidade "emic" (por dentro). as dimensões sonoras (lo-fi) da natureza, dos animais, do sino, das vozes, do precioso silêncio da noite, enfim, das imaterialidades expandidas e sempre reinventadas. ao contrário, num extremo oposto, estão os modelos urbanos de muitas das metrópoles, vivem em demasia o individual, o narcisico presente anulado das continuidade históricas do passado, motores e combustões da máquina televisiva e dos seus desenhos expandidos e estilhaçados em programas de variedades quase imperialistas (a variedade é só aparente) agora multiplicados a escalas impensáveis, com suas próprias legiões de "profetas" do consumo emergente e reinante com formulas cada vez mais eficazes ("ganhe, marque, aponte, não custa nada, é fácil...."o pessoal lá em casa gosta")  que se expandem como epidemias por todo o país, incluindo também neste interior "silêncioso". numa destas ocasiões observei como organizam e impõem estes modelos, exigindo e manifestando autoridade cultural, desenhando acção e texto, manuseando os saberes consoante os jeitos e os propósitos  das modas e as formas do olhar, jogo e teatro televisivo. é a folclorização dos conhecimentos e das práticas, a saturação da repetição, a coisificação dos sujeitos meramente como objectos de promoção turística. daqui à mera vulgaridade é um passo, trazendo à posteriori o esquecimento dos elos fundamentais e identitários, justamente pela banalização das qualidades locais e regionais. os resultados podem ser catastróficos, pois o momento costuma ter uma duração efémera e mediática. finda a encenação da "telerealidade" tudo volta (ou não, por vezes tudo se altera) ao adormecimento das pautas quotidianas, pelo menos para a grande maioria. face a um consumismo extremo, tudo parece tão óbvio, tão artificial, tão plástico e ao mesmo tempo tão desnorteado. pois nestas grandes metrópoles deambula-se, não se sabe para onde ir e o que fazer, são os mecanismos do desperdício da criatividade, pautados unicamente pelas escalas mediáticas dos mesmos modelos televisivos consumistas.  haja a coragem, o (super)deslumbre visionário de impor ao contrário as leituras e os olhares, exigir a esses modelos televisivos que respeitem as diferenças, temporalidades e as acções, os actores e as suas performances, os lugares e os silêncios, as vozes e as sonoridades próprias de cada lugar, as encenações e os gestos da espontaneidade, a ingenuidade da alegria e a verdadeira festa dos lugares, pois é a única forma de nos protegermos contra os mecanismos da devastação cultural, traduzidos  pela homogeneidade plástica televisiva. mas também, reconhecer com lucidez que só assim é possível a experiência real da diversidade cultural.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

INVISIVEL, DEMASIADO INVISIVEL


abrir as fontes e ficar de cabeça para baixo... 

terça-feira, fevereiro 10, 2015

*

(alecsandrastoica)


a inutilidade de ser brilhante

*m. kundera

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

domingo, fevereiro 08, 2015

*

dos livros rasos

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

terça-feira, fevereiro 03, 2015

DEAMBULAÇÔES

as pequenas histórias começam por vezes assim. quando menos esperamos. um passeio por um caminho secundário, a claridade da manhã por cima do verde dos campos e das árvores. a espera e os sons a entrarem pelos ouvidos atentos, sim ouvidos porque temos orelhas cuja funcionalidade básica e essencial é ouvirmos os "outros" e os "outros" supostamente ouvirem-nos. é um principio básico da comunicação humana. depois uma atenção ao céu, ao azul, aos pássaros que vão em direcção do sul e por baixo alguns vestígios do passar do tempo pelas coisas. a minha espera prolonga-se, a sombra já alcançou metade do caminho e o Ti Zé não apareceu.

OS PASTORES SÃO A ÁGUA, O VENTO, A TERRA...



(Robert Duncanson, 1821. Smithsonian Museum)

quando revisito os meus "cadernos de campo pastoris" encontro conversas com pastores que contêm muito mais que palavras escritas. são experiências de vida, ensinamentos cristalinos, visões particulares do mundo e das coisas que nos rodeiam. muitas destas pessoas, para mim, eram o entendimento dos animais, das árvores, dos pássaros, das flores, da terra, das águas, dos ventos, do sol, da noite, das estrelas, das sonoridades lo-fi (de baixa intensidade, não repetitivas e mecânicas)...no fundo eram o entendimento em profundidade da natureza. este "eram" transparece qualquer coisa que findou, qualquer coisa que deixou de funcionar, qualquer coisa que se modificou junto das paisagens.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

ANIVERSÁRIO CENTRO CULTURAL RAIANO


*aniversário do Centro Cultural Raiano
02 Fev 1997

domingo, fevereiro 01, 2015

UMA SEGUNDA VIDA...


encontrei esta pequena boneca de madeira meio destroçada na rua. lembrei-me da insignificância das coisas, das banalidades materiais. ao leva-la comigo atribui-lhe uma suposta segunda vida, idêntica aquelas que o museu costuma proporcionar. pensei nos "objectos feridos" e nas múltiplas linguagens (reparar/arranjar/concertar/remendar) que surgem por via das suas cicatrizes. tanto para dizer, em torno desses discursos sobre a segunda vida das coisas que por inúmeras razões (perda de funcionalidade, saída de circulação, etc) ganham  novos estatutos...