sábado, abril 11, 2009

DIAS DE SILÊNCIO

(foto eddy, 2008)


pela maioria das aldeias da beira baixa pautam as tradições populares evocativas  da Paixão de Cristo. outrora, tudo era cumprido ao rigor, principalmente na Sexta-Feira Santa. jejuava-se, não se trabalhava, nem tão pouco se cozinhava. este era o dia por excelência do silêncio.

sexta-feira, abril 10, 2009

ROSMANINHAL, ROTA DOS VEADOS



(fotos Eddy, 2009)

Aconteceu do passado domingo dia 5 de Abril a inauguração deste percurso. foi uma caminhada pautada pelo agradável sol primaveril e pelo companheirismo dos fabulosos amigos amantes da natureza. um abraço para o Tomé e para a Cláudia. 
(foto Eddy, 2007)


era uma casa - como direi? - absoluta

H. Helder

domingo, março 29, 2009

HEMEROTECA


Jornal Blitz - Ano XII Nº 621, 24 de Setembro

...

fui assinante deste mitico  jornal desde inicio dos anos 90 do século passado. é assustador, como o tempo passa e como de repente passo a ter um arquivo fascinante de dois mil e tal exemplares desta histórica publicação. aqui iniciei a publicação de uns pequenos textos que eram frequentemente publicados numa secção denominada "Pregões & Declarações". como ainda não tinhamos o desfrute dos telemóveis nem tão pouco da internet, as mensagens, declarações, misssivas, amores, desamores, poemas, etc., tinham aqui neste espaço um amplo eco. tudo se esvaneceu com as novas tecnologias. até mesmo este formato em papel de jornal, hoje esta mitica publicação já é editada em formato de revista. 

relativamente ao conteúdo da noticia da capa sobre a edição de uma autobiografia electrica dos então recém desaparecidos nirvana, o jornalista escreve: "from the muddy banks of the wishkah" é um álbum particularmente vocacionado para todas as pessoas que nunca assistiram aos nirvana ao vivo".  eu ainda tive a sorte de assistir ao hilariante concerto dos nirvana no histórico dramático de cascais...
(mike paré)

can I love the whole world?

sexta-feira, março 27, 2009

(foto Eddy, Monsanto, 2005)


tudo será construido no silêncio, pela força do silêncio, mas o pilar mais forte da construção será uma palavra.
tão viva e densa como o silêncio e que, nascida do silêncio, ao silêncio conduzirá."

António Ramos Rosa, O aprendiz secreto, p. 11.



"Closed zone"

genial ...esta animação sobre o conflito israelo-palestiniano e a opressão que causa à liberdade de viver...

domingo, março 22, 2009

(foto eddy, 2007)

arquivo oral - histórias de vida
etiqueta - Guerra Civil Espanhola

Josefa Moreno Rico, 95 anos, natural de Alcântara (Espanha), residente no Rosmaninhal (Idanha-a-Nova)

"Vim para o Rosmaninhal tinha 15 anos. Morreu o meu pai e a minha mãe e eu fugi da guerra civil espanhola. Casei aqui (Rosmaninhal) e tenho uma filha, mas está em França. O meu homem já morreu. Chamava José Miranda. No tempo da guerra eu estava em espanha, depois fugi. Nesta altura deitavam as pessoas da ponte de Alcantara cá para baixo."
(art wolfe)

nómadas.deserto.fascínios
elementos para uma geografia do desconhecido

sábado, março 21, 2009

(ingue/deviantART)

happy spring

ADUFE 14


já está a circular o nº 14 da espectacular Adufe

sábado, março 14, 2009

DAN FUNDERBURGHla Mano de Dios

catálogo/exposição 

Maria Jesús Manzanares

"O sonho do pastor"

(Centro Cultural Raiano)

quinta-feira, março 12, 2009

(foto eddy)


resgatar um objecto moribundo, condenado a essa agonia fatal que advém desse mesmo esquecimento a que normalmente é submetido, é um exercicio interessante e pertinente, é pois tentar reter o tempo, ou seja,  musealizar. veja-se a titulo de exemplo aquilo a que denominamos por "lixo". o que é lixo e o que não é? veja-se o complexo mundo da reciclagem, onde um conjunto de lógicas, muito próximas das lógicas patrimoniais, (re) valorizam, (re) funcionalizam, (re)utilizam objectos que à partida estavam no final da sua vida. 

quarta-feira, março 11, 2009

(mirco macacci)

...e daí emana a estranha melodia

sábado, março 07, 2009

Rosmaninhal: "Cantar às Benditas Almas"




(fotos eddy, 2009)


pelas frias noites da Beira Baixa, em muitos concelhos e freguesias, já se ouvem, às sextas-feiras, os "cantares às almas" (encomendação das almas). Normalmente, iniciam-se pelas 00 00 horas e são tristes ladainhas entoadas nos pontos altos das aldeias e vilas. No concelho de Idanha-a-Nova, a maioria das freguesias possuem este costume. são grupos, ora mistos ora apenas formados por mulheres. Este ano, decidi acompanhar o grupo do Rosmaninhal e fiquei simplesmente impressionado. trata-se de um canto acentuadamente triste e funebre, que apela e recorda a condição mortal do ser humano e por consequência as suas faltas neste mundo. para além das vestes enlutadas, uma campainha pauta o ritmo do começo e do fim de cada paragem. a quem nunca acompanhou pelas solitárias ruas destas remotas aldeias estes fantásticos rituais funebres, aconselho urgentemente, vale mesmo a pena...

sexta-feira, março 06, 2009


(fotos eddy)

amo estas constelações.

quinta-feira, março 05, 2009



(fotos Eddy)



caminhei e já não caminhava porque já não tinha corpo e vi um cipreste iluminado 
aromas de incenso e de jasmim levaram-me para a profundidade de qualquer flor
ali sem corpo quem era eu?



quarta-feira, março 04, 2009

coisas que acontecem enquanto lavo a louça...



(Positron. Collaborative zine created by Micah Lidberg with Mike Perry.)


num destes dias, estava a lavar a louça e a prestar atenção a um destes programas de final de tarde preenchidos com todo o tipo de noticias do "quintal". um dos entrevistados era um mediático escritor, envolvido no miolo do meio literário há décadas e numa das "secas" perguntas de chinelo que a entrevistadora de sofá lhe fez (o que gostaria de dizer às pessoas lá de casa?), o magno e iluminado escritor respondeu: é preciso que as pessoas leiam mais, gostaria de ver as pessoas a ler mais!! será que com tanta vida literária, com tantas "correntes da escrita" no "pêlo", com tantas ilustres conferências e viagens "on the world"...é apenas isto que tem a dizer aos milhões de telespectadores? nem uma ideiazinha fresca?
ideias??? talvez depois de lavar a louça...

terça-feira, março 03, 2009

(andrea dezso)




há dias assim...

domingo, março 01, 2009

PAISAGENS PASTORIS

Rosmaninhal, 2007.


quem frequenta as paisagens hoje? 

não há muitos anos contavam-se às centenas de rebanhos e pastores nas paisagens raianas. tudo se transformou, avistam-se com menos frequência rebanhos acompanhados por pastores, aqui e ali vão pontuando alguns rebanhos  solitários em terrenos vedados. a ausência do pastor na paisagem é aterradora, causa vazio e abandono. em particular  quando alguém conheceu e viveu esta realidade de perto. no meu caso concreto, tive a oportunidade de ainda conhecer uma das últimas gerações de pastores. acompanhei as suas travessias, ouvi as suas histórias, perscutei os seus medos e experiênciei uma das actividades mais remotas da humanidade. penso no paradoxo deste mundo actual, tecnológico, massificado, urbanizado, higienizado, etc. penso na paupérrima cultura que é partilhada e que é gerada pelos ansiosos "up-dates" tecnológicos, pelas redes de informação que se tornam também redes de iliteracia e definhamento da lingua, redes de pobreza acentuada, reificação atroz da opinião pelos media, pauperização da mente, etc, etc... é precisamente enquadrado nestas lógicas que surgem os novos actores das paisagens: excursionistas pedestres, ciclistas, caçadores, vigias e guias da natureza. cada vez mais deixa de fazer sentido falar em natureza...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009



catálogo da exposição "Doces de Festa em Idanha-a-Nova"
...a devorar, porque os olhos também comem...


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

A QUARESMA

(foto eddy, 2007)

entramos na quaresma, periodo de quarenta dias que medeia entre a Quarta-feira de Cinzas e o Sábado Aleluia. trata-se de um ciclo do calendário ritual anual organizado em torno da evocação da Paixão e Morte de Cristo.






terça-feira, fevereiro 24, 2009




the cure
"apart"

se o mundo fosse um simples rio, todos mergulhavamos para o mesmo lugar..
the cure...robert smith


dias intermináveis e madrudas sem fim...sempre serei assim...
ouço-te

domingo, fevereiro 22, 2009

ARQUITECTURAS TRADICIONAIS

(Rosmaninhal. 2008)


pela sua estrutura poderia bem ter sido um dos muitos  abrigos pastoris disseminados pelo território. como muito outros, foram sendo reaproveitados e reutilizados ao longo das sucessivas gerações que habitaram este remoto território pastoril. este serviu de galinheiro. trata-se de um importante património a preservar porque contextualiza os usos complementares de uma paisagem agricola e pastoril ao longo dos séculos. 

(fotos eddy.2008)



"sou um bodhisattva"

sábado, fevereiro 21, 2009


(gabriel rolt)


todas as vezes que visito o cemitério passo por um dos lugares da minha infância. é uma rua inclinada, ampla, alva, com casas  assimetricas de um lado e do outro da rua. fazem ordeiras fileiras como se estivessem enfrentando-se em duras e ferozes lutas pacificas. enquadrado nesta cosmogonia intima está uma parede branca, lisa, de uma casa alta. contra ela chutava uma bola tardes inteiras até que o anoitecer era a voz da minha mãe a chamar-me para o aconchegado jantar ou era o roncar de um motor embrutecido do carro do meu pai e aquele sorriso sonhador hoje tantas vezes sonhado a levar-me a voar na sua direcção. preservo os cheiros dessa comida e o beijo a cheirar a oficinas longinquas do meu pai. é quando esventro essa mesma rua na direcção do cemitério que tudo acontece novamente. muitos são os dias que ali fico parado a olhar para essa infância e deixo o meu corpo ir ensanguentado na direcção do cemitério. hoje mesmo desejei essa comida de mãe, esse anoitecer e esse beijo a cheirar a oficinas longinquas do meu pai. mas a rua levou-me apenas ao cemitério.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

PARA FAZER COM AS MÃOS

(lalalaurie's)



vivemos num mundo consumista,onde  tudo concorre numa lógica do compra e deita fora. ainda assim, a criatividade distancia-se brilhantemente dessa poeira efemera.
 

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

chris mars



chega o entrudo (introitus, entrada) e com ele os elementos de licenciosidade, excesso e subversão preenchem a maioria dos espaços publicos e privados. 
(ramage)




todas as noites pela madruga silênciosa acordo, acendo a pequena luz do candeeiro e tal como um moribundo perdido na imensidão silenciosa da noite procuro essa visão iluminada. esse extase chamânico. essa vertigem liquida. leio platão e sereno os pensamentos.

"De facto, Atenienses, temer a morte não é senão julgar-se sábio sem o ser, pois é crer que se sabe o que não se sabe.
Ninguém conhece o que é a morte e se ela não é, porventura, para o homem o maior de todos os bens. No entanto, teme-se como se se soubesse que ela é seguramente o maior dos  males.
Ora, julgar saber o que se ignora, não é a mais condenável de todas as ignorâncias?"

Platão, Apologia de Sócrates, p.46.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

(mark-weaver)


o melhor partido politico é a história da arte, desde as pinturas das grutas de altamira até hoje.
os artistas deveriam ter uma républica fantástica e pacífica, filosófica, 
bondosa e excluida do mundo violento.

Vostell, Alfabeto.

sábado, fevereiro 14, 2009

PATRIMÓNIOS...

tesoura de tosquia.


face às ansiedades geradas pelo consecutivo desaparecimento de património por todo este país rural ou melhor pós-rural, não podia deixar de focar este tema. A última das noticias foi o desaparecimento de um tronco fóssil (com contornos tipicos de uma novela policial). ou seja, já é recorrente este tipo de alertas de roubos, desaparecimentos misteriosos, golpes de magia, compras e vendas de hábeis malabaristas, enfim, todo um caso de estudo com contornos interessantes. vale a pena escrever umas linhas sobre alguns pontos que podem ajudar a compreender melhor estes malogrados acontecimentos. 

...é difícil dizer o que não é património, pois com o alargamento exaustivo do termo tudo se torna património: paisagens, cidades, arquitecturas, aldeias, fábricas industriais, codigo genético, etc. seria mais fácil perguntar o que não é património? em relação ao desaparecimento deste património ligado aos campos, dito património "menor", tais acontecimentos explicam um dado curioso, pois com o abandono progessivo dos labores agricolas e pastoris estes territórios passaram a enquadrar um sem fim de estruturas vazias, ocas que inevitavelmente perderam a funcionalidade para que tinham sido arquitectadas, ficando deste modo à mercê de todo o tipo de vontades (museológicas, mágicas, etc). paralelamente a este plano surgem as ansiedades de protecção, conservação e gestão deste vasto conjunto de dificil classificação, vontades essas que para os que habitaram estes campos e possuem essa memória, tornam-se totalmente incompreensiveis. daí a solene pergunta: patrimónios, de quem e para quem?


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

DARWIN...E MUNDO NUNCA MAIS FOI O MESMO

yay hooray

por todo o mundo cientifico celebra-se o legado da vida e obra de Charles Darwin e a sua revolucionaria

 celebre-se os 200 anos com debates, muitos debates

terça-feira, fevereiro 10, 2009

LAVRAR A TERRA...

Rosmaninhal, 2007

todos os anos o Ti Joaquim teima em lavrar a sua terra, pois a terra que fica por lavrar transforma-se em terra de mato e terra de mato é sinónimo de desleixo, abandono, descuido. impressiona-me esta forma de lavrar, coloco toda a atenção nos gestos técnicos do Ti Joaquim para conduzir o Pardal que teima em sair fora da esquadria, talvez seja a idade que o torna mais teimoso, é como nós, refere o Ti Joaquim. da terra emana um forte odor que há muito não respirava. dizem que a terra ao ser lavrada sangra, então este é o odor do seu elegíaco sangue. apenas o ruido caracteristico da relha a esventrar a terra pauta este tempo de todos os vagares. é assim que a terra tem valor, é assim que a terra simboliza  o prestigio de uma casa (unidade familiar), mas como diz o Ti Joaquim "agora já ninguém quer saber da terra, está tudo cheio de mato e os donos só querem subsidios e passeio, trabalho tá quieto!" pois é, medito no valor simbolico e estrutural do uso e da posse da terra nestas sociedades do  pós-ruralismo.

sábado, fevereiro 07, 2009

O SONHO DO PASTOR-EL SUEÑO DEL PASTOR






uma belíssima exposição de maria manzanares no centro cultural raiano. 

...trata-se de uma "serie de cuadros en lana teñida como 
representaciones metaforicas del rito"

....

formas, silhuetas, corpos distorcidos, carregados ou ténues...tudo numa mescla onde a matéria lã serve de motivo para pensar novas formas de arte...eu diria mesmo novos paradigmas oníricos...

(um encanto)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

(PPOW)


alimentação vs veneno
a decisão é tua...consulta com urgência esta lista da greenpeace sobre alimentos que contêem transgénicos


terça-feira, fevereiro 03, 2009

(ether-elegia)

hoje não consegui escrever poesia em cima do telhado. a chuva foi intensa apenas comigo. tornei a entristecer com tanta agua. os beirais dos encantados telhados tiveram que chorar comigo. ali ficamos sem escrever. passou um determinado tempo morto e avistei no meio da já penumbra das proximidades um tolhido casal de cegonhas encaixado no centro de um coração de espinhos. luziam primaveras adiadas. senti pelo menos isso. foi então que surgiu outro pavoroso grito das florestas negras. desta vez era a luminosa voz de  nietzsche:
"o que há de maior no homem é que ele é uma ponte, e não um termo: o que se pode amar no homem é que ele é uma passagem e uma queda"

...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

(johaan wimmer)


ainda sob os cumes dos telhados, dessas escaladas negras a transbordar de um silêncio em gotas pesadas que anunciam a verdadeira existência. ainda ao fundo, num dos cumes frios de uma qualquer floresta negra, rimbaud grita:
"falta ouvir musica sábia"

domingo, fevereiro 01, 2009




spirit of the stairs

para quem não conhece...é simplesmente genial...

sábado, janeiro 31, 2009

esta é a formula original da essência do cristianismo:

"Pedro o negador de Jesus, Paulo perseguidor de Jesus"


cair para voltar a erguer-se

quarta-feira, janeiro 28, 2009

a vida nos telhados

amo a vida nos telhado. passo horas intermináveis a admirar estes espaços de ninguém. apenas os gatos e os passaros disputam estes espaços liminais. num telhado estamos sós, porém, também ouvimos os outros em baixo, mas aqui no telhado tudo é diferente. podemos admirar outra vila apartir dos telhados, uns mais escuros outros mais claros, uns com chaminés altivas outros com chaminés mais simples. como seria diferente viver num telhado, acordar com o esplendor de uma luz primária e adormecer com o teatro das misteriosas formas do universo. houve tempos em que os telhados eram procurados por artistas e visionários. digo bem, houve tempos... houve tempos em que o mundo se via de forma diferente. amo a vida nos telhados.

algures, desde um telhado...