sábado, novembro 15, 2008

BAIRRO DOS LOUCEIROS




(fotos Eddy, 2008)


a vila de idanha-a-nova, conjuntamente com a aldeia da zebreira, constituiram outrora vigorosos centros de produção oleira. nestes característicos fornos, situados no Bairro dos Louceiros, num dos topos da vila de Idanha, coziam-se todo o tipo de louça utilitária. com base neste vantajoso comércio, estabeleceram-se importantes redes de negócio, que se tornaram capitais na estruturação da economia local. muito do que se sabe hoje deste histórico labor e das suas respectivas redes e fluxos, deve-se fundamentalmente ao estudo do meu colega e amigo paulo longo, antropólogo na câmara municipal de idanha. aliás, deste estudo, resultou uma exposição e o seu respectivo catálogo, onde se pode vislumbrar a insigne colecção. este catálogo pode ser adquirido no centro cultural raiano.

domingo, novembro 09, 2008

O ADUFE. ESSE SIMBOLO IDENTITÁRIO E PATRIMONIAL



(Ti maria, Monfortinho, 2008)


o adufe, esse ancestral instrumento musical oriundo do norte de africa, é hoje em toda a beira baixa um simbolo identitário, fruto de inúmeras tentativas de activação patrimonial. A ele estão ligadas as festas sagradas e profanas, os interiores domésticos, a construção da alteridade, a construção de genero, as activações politico-patrimoniais, enfim, ele é o cerne dos discursos em torno das identidades ditas raianas. contudo, convém referir que o adufe não se autodetermina a ele mesmo enquanto simbolo identitário e patrimonial, trata-se de uma representação para quem o enuncia. portanto, se estivermos atentos ao devir do tempo, vamos encontrar, nas diversas sociedades onde ele adquire protagonismo e funcionalidade, ou seja, nas ditas sociedades raianas, diversas formas de o representar, ou seja, de o "patrimonializar". a tendência paradoxal é "essencializar" este património e esta identidade como algo estático, enraizado desde a noite dos tempos nas respectivas regiões. aliás, como acontece com a maioria das activações patrimoniais, entendidas como um valor primordial que deve ser valorizado e difundido. como um bloco homogeneo, alicerçado nos discursos essencialistas da defesa e salvaguarda de algo que se pode perder para todo o sempre. Daí, a panóplia de comemorações, encontros gastronómicos, recuperação de mitos locais, festas, jogos e rituais populares. tudo isto e mais alguma coisa acende e activa todo um discurso de "invenção" de umas tradições. à luz destas narrativas efabulatórias de etnoculturas únicas, forjam-se importantes redes de negócios culturais. em suma e regressando ao simbólico adufe, como para além do seu toque encantatório e mistico, se constroi e se reinventa essa dita "comunidade imaginada", como ele se pode constituir enquanto objecto de estudo capital para o entendimento de uma história social.

domingo, novembro 02, 2008

O REMOTO FOGO PRIMORDIAL...



entramos num dos periodos do ano mais obscuros: os dias estão mais pequenos e as noites prolongam-se frias e solitárias. já cheira a fumo nas ruas, este forte aroma entranha-se no mais profundo das memórias e traz recordações remotas. é enigmática a nossa relação com o fogo, pois o fogo regenera, purifica e destroi. em torno dele se congregam ainda muitas familias deste portugal dito rural. celebram-se inúmeras festividades em torno do fogo: o natal, o S. João, Pentecoste, etc. segundo algumas lendas, Cristo (e os Santos) revivificam os corpos passando-os pelo fogo da fornalha da forja. o Homem é fogo, diz S. Martinho. ao aspecto destruidor do fogo estão subjacente todas as forças malignas ou seja diabólicas, lucifer (portador da luz celeste) arrojado nas chamas do inferno, um fogo que queima sem consumir. em suma, a origem da humanidade deve-se essencialmente à força deste remoto enigma, o FOGO. 

sexta-feira, outubro 31, 2008

UM DIREITO ANCESTRAL..

(foto El Pais)

milhares de ovelhas e seus respectivos pastores atravessaram uma das avenidas principais do centro de madrid neste último fim de semana, trata-se de uma das ancestrais passagens (cañadas) de gados transumantes instituidas pela histórica sociedade medieval, La Real Mesta. nos dias de hoje, conota-se como uma reivindicação, um direito de passagem, conservação e salvaguarda destes históricos caminhos, um alerta para as questões que dizem respeito a este património histórico e cultural, assim como uma forma de "beliscar" incentivos, visibilidades, etc. sob o ponto de vista das questões ligadas à encenação do animal nestes contextos festivos e performativos, seria crucial uma etnografia "transumante" através destas avenidas.

quinta-feira, outubro 30, 2008

escritos...

Naquele limiar entre o que resta do dia, a luz parda que vinca os finos ramos das árvores, metamorfoseando-os em infinitas linhas que imitam a vida da respiração, acende-se. Neste espaço de intensidades misturam-se os zumbidos dos insectos da noite com os últimos chilreares dos pássaros que procuram dormida e alguma companhia para a terrível e doce noite. De repente uma gargalhada de um melro rasga este interlúdio, é o sinal do seu regresso ao coração acalentado de uma silveira.

(décimo dia-eddy nelson)

sábado, outubro 25, 2008



impressiona, em pleno século XXI, ouvir chefes de Estado proferir discursos onde a diferença entre um "Nós" (inteligentes, ricos, prosperos, puros, poderosos, mestres, etc, etc...) e um "Outro" (idiota, diabólico, terrorista, atrasado, errático, etc, etc) é ainda uma realidade bem vincada. dá vontade de perguntar: poderosos em quê? superiores em quê? ricos em quê? prosperos em quê?...só falta agora dizerem que a crise que está a mergulhar o mundo num tremendoo abismo também é culpa dos "outros"!?!?! 
com um mundo globalizado, interconectado através das inúmeras redes mundiais (internet, satelite, etc.,) transformam-se de igual modo as diferenças e as desigualdades. urge pensar a diferença dentro deste contexto?

domingo, outubro 19, 2008

TERRAS DE PÃO, PÃO DAS TERRAS




(eiras, locais onde se debulham os cereais (trigo, centeio), Rosmaninhal, 2008)


é dificil falar das paisagens raianas e das suas gentes sem mencionar os cereais. tudo se estruturou em seu redor, inclusivé a própria configuração das aldeias. aliás, toda a história da humanidade se configurou em torno da domésticação dos cereais. da sua transformação resultou o pão, esse alimento capital para a grande maioria das sociedades humanas. no concelho de idanha-a-nova cultivou-se na maioria das terras trigo e centeio, deste periodo agrário resultaram as configurações das vastas paisagens pontuadas aqui e ali com casarios designados de arraiais, alguns confudem-se mesmo com as próprias aldeias, tal era o povoamento e a dimensão estrutural da vida nos campos em torno dos cereais e dos gados. basta simplesmente olhar para a paisagem para vislumbrar os resultados desta mágica complementaridade entre as culturas cerealíferas e a criação de gados. a paisagem revela-se assim como um precioso livro aberto, nela se inscrevem uma infinidade de marcas desta fantástica e árdua História. a confirmá-lo estão por exemplo estes remotos recintos circulares, lageados ou simplesmente em terra batida, designados de eiras, onde se debulhavam o trigo e o centeio. depois de secas as espigas, a debulha do trigo efectuava-se com um trilho, puxado por um animal ou uma parelha, também era usual a debulha a pé de gado (alentejo e ribatejo). por outro lado, as malhas do centeio eram efectuadas a braçal, para preservar o colmo. os malhadores utilizavam o magual.
antes do aparecimento dos tractores, ainda foi uso generalizado as debulhas mecânicas do trigo, das quais ainda tenho uma leve recordação na aldeia do rosmaninhal. muito haveria por dizer destas inovações e da memória das suas práticas, assim como dos moinhos e das inúmeras fábricas de moagem, ou do saber-fazer das mulheres que amassavam, coziam e colocavam o pão na mesa das numerosas familias, mesmo em tempos de falta, havia sempre um cantinho de seara (pão). a recolha destas memórias tornam-se assim estruturais para percebermos melhor a história economica e social das paisagens da raia, sem elas tudo fica incompleto, insonso, quase vazio...

sexta-feira, outubro 17, 2008

...escritos...


(Arabesques : heurtoirs et tirants de portes de diverses époques (1877))


As folhas amareladas poisadas ao acaso do destino naquele espaço já anunciam o Outono. A tarde chega ao fim com pautados chilreares. Aqui e ali ouvem-se os rasgantes ruídos dos motores dos carros. Algumas nuvens ocupam a faixa norte do cabeço. Esta quietude é apenas aparente e resulta de uma combinação cósmica, difícil de decifrar, onde todos os organismos vivos e, porque não os mortos, percepcionam sensorialmente os diversos ciclos diários. E desta mágica decifração, vão também eles adaptando-se à mudança de todas as coisas perecíveis e não perecíveis. A lua dá uma volta ao céu em 27, 32 dias e o sol num ano. Tudo se revela como consequência de tudo.

eddy chambino, décimo dia.

quinta-feira, outubro 16, 2008



john lennon - mother

domingo, outubro 12, 2008

(gilbert garcin-face au vide:le fantaisiste)


a opção certa...a fantasia!

sexta-feira, outubro 10, 2008

(gilbert garcin)


"the consequences"

um artista plástco extraordinário

quarta-feira, outubro 08, 2008



neste jazigo insondável e triste
onde o destino me degredou já
e onde não entra um raio de alegria
a sós com a noite, companhia má

Baudelaire

terça-feira, outubro 07, 2008


(fotos eddy, 2008)

mais lugares da morte...

segunda-feira, outubro 06, 2008




(Fotos Eddy, 2007)


...e o luto nas suas multiplas formas de o manifestar...esse processo que todos os elementos de uma familia, de um grupo, de uma casa sofrem, essa transformação, esse tempo de poluição, de interdição de qualquer manifestação de alegria, essa mudança de estado, enfim...o luto esse velho poluidor da vida...

domingo, outubro 05, 2008

pensar a morte...

(foto eddy.2008)

quais os sentidos para os rituais associados à morte? ...um deles é pensar os mortos como um grupo, uma comunidade...que continua a "viver/participar" no limbo momentâneo deste mundo...





sábado, outubro 04, 2008

sebastião salgado...um dos meus fotografos preferidos...


...mundo animal...



domingo, setembro 28, 2008

um conto...(RELEMBRADO)






Joaquim, o Grande




A luz parda de um dia qualquer de Outubro encobria o velho palheiro de granito num imenso oceano de monotonia. Lá dentro, dormia Joaquim, O Grande, conjuntamente com o colossal vazio de nenhuns pertences. Deste vazio, apenas se destacava a sua motorizada. Uma Saches Fuego gasta, cansada de tantas quedas e acrobacias. Porém, mantinha-se exemplar em tudo o que qualquer outra motorizada podia fazer de melhor. O Joaquim costumava dizer do alto dos seus 2 metros e 8 centímetros que esta tinha a particularidade de conhecer demasiado bem o seu dono, assim como as estradas e caminhos de pó por onde circulava. Sim, o Joaquim media 2 metros e 8 centímetros. Tinha uns braços finos e compridos, desajeitados e umas mãos que mais faziam lembrar duas enormes raízes desconexas e desarticuladas do corpo que as sustia. As suas pernas faziam lembrar as de uma cegonha. E desde o alto, oscilava um pequeno crânio desproporcional a todo este monumento, que era o seu desconexo corpo. Quando conduzia a sua motorizada, os joelhos atrapalhavam e roçavam no volante, que ele teimava em inclinar para trás. Era um autêntico alienígena que no imenso ruído se fazia transportar a toda a velocidade pelas estradas da Vila. Apenas pelo sôfrego ruído da motorizada cansada e gasta a subir as íngremes rampas da encosta da Vila, toda a gente já sabia que era o Joaquim, O Grande, na sua motorizada Saches Fuego bege-gasto. Depois, entrava na taberna e pedia uma mini sagres e dobrava aquele colossal tronco sob o balcão e ali ficava até já mal articular as palavras devido à dose excessiva de minis que tinha bebido. Abandonava a taberna imitando um velho tronco de uma árvore contorcida e arrancava na sua motorizada com a ajuda das compridas pernas, arrastando-as como duas muletas. E assim evitava alguma queda mais que prevista. Para além deste percurso quotidiano, o Joaquim era um homem triste e sozinho. Não tinha família e vivia num palheiro emprestado pela caridade de um dos seus cúmplices de bebedeiras. Sempre que ultrapassava a volumetria de uma simples bebedeira, silvava alfabetos estranhos e chorava até cair inanimado. O mundo não tinha lugar para aquele colossal corpo caído desarticulado na calçada húmida. Eram necessários pelo menos cinco homens para o levantar e o sentar decentemente num dos bancos corridos de madeira da taberna. Passados estes árduos trabalhos, já sentado, adormecia como uma criança abandonada. Todos na taberna ficavam ali a admirar o monstro que dormia como uma criança triste.
Nunca ninguém lhe ouviu uma única palavra de lamento, mesmo quando lhe aconteciam as maiores desgraças, ou seja, quedas da motorizada, falta de dinheiro, falta de roupa, etc. Respondia sempre ao mundo com um desmesurado sorriso proporcional ao seu corpo. Numa manhã de Junho aquele colossal corpo sucumbia dentro daquela triste casa, no meio de um velho colchão coberto com uma manta gasta. Morte natural escreveu o médico. Minutos antes de fechar os olhos para todo o sempre teve um daqueles fatídicos pressentimentos e decidiu de vez disparar… uma velha máquina fotográfica que lhe tinha dado há muitos anos um velho amigo emigrante. Mais tarde, quando o Lúcio decidiu recolher todos os destroços do que restava desta gigante vida, encontrou a velha máquina pousada num pequeno apoio ao lado da sua cama. À saída da loja de fotografia, à medida que caminhava ia folheando cada uma daquelas enigmáticas imagens. Destas, apenas guardou uma que lhe pareceu visualizar, embora de uma forma desfocada, o rosto sorridente do Joaquim. O resto deitou fora. Foi com este enigmático sorriso que o Joaquim se tinha despedido da vida e que agora, por iniciativa de todos os seus companheiros da taberna, pairava em cima da sua solitária sepultura, encaixilhado numa pequena moldura. Na taberna dizia-se que até na morte o Joaquim tinha sido Grande, pois não havia sorriso no cemitério como o do Joaquim, O Grande. 




quinta-feira, setembro 25, 2008

DIÁRIOS ALZHEIMER

(um dos muitos exercicios que efectuei com a minha mãe)


"...não me peçam para eu fazer as coisas, eu não sou capaz!!!"

domingo, setembro 21, 2008

21 SETEMBRO - DIA DO DOENTE DE ALZHEIMER


a minha mãe faleceu há cerca de um mês com esta terrivel doença, tinha apenas 63 anos, para que muitos possam ter o apoio que eu e a minha irmã não tivemos, façam-se sócios desta preciosa causa, associem-se aos doentes e familiares de alzheimer, pois...a união faz a força. para que hajam mais ajudas estatais, para que se constituam grupos de apoio psicologico aos familiares mais directos destes doentes, principalmente aqueles que vivem longe dos grandes centros urbanos, para que se instaurem instituições de acolhimento especializadas nestas doenças nas capitais de distrito e porque não nas aldeias, onde a calma e serenidade imperam etc..etc..etc... a todos os que já sofreram uma perda destas...animo...uma oração...


sábado, setembro 20, 2008

TRIBUTE TO R. WRIGHT




(Pink Floyd - us and them)


...mais uma perda para este mundo terreno...R. Wright, fundador dos miticos Pink Floyd, partiu deste mundo aos 65 anos...

O INTERIOR DE UMA CASA DE CAMPO

rosmaninhal, 2007.



o registo sempre atento destas arquitecturas vernáculas...uma casa de campo abandonada, com todos os sinais das inúmeras vivências que por ali passaram. admirável este barro que cobre os interiores, uma protecção ecologica ancestral. procurar este saber-fazer já é uma tarefa quase inglória..

sexta-feira, setembro 19, 2008

mais objectos...


interiores domésticos...

quinta-feira, setembro 18, 2008

OBJECTOS

(Ti Zé Pequeno, Pastor, Toulões. 2007)


o universo pastoril no interior da casa do pastor...

quarta-feira, setembro 17, 2008

ARQUITECTURAS DE TERRA

(jarandilla de la vera-espanha)

as fascinantes arquitecturas de terra (adobe)...



terça-feira, setembro 16, 2008

ARQUITECTURA TRADICIONAL

(casa em granito, idanha-a-nova, 2008)


extraordinária, esta casa em granito, erguida sob um robusto afloramento de granitos. aos mestres destas arquitecturas quase eternas...

domingo, setembro 14, 2008

MAIS RAIA...

(cegonhas-portugal)


paisagens canículas...

sábado, setembro 13, 2008

DA RAIA...


(estrada de Membrio-Espanha)

tamanha é a força da ideia preconcebida de fronteira, linha, limite, raia..etc..tudo se torna liminal, até mesmo a mais quotidiana das paisagens canículas. tenho interesse em aprofundar esta ideia de uma cartografia liminal. seria o mote de partida para um exercicio interessante: como se vive a ideia de fronteira sem fronteira nos dias de hoje? como se representa nos imaginários esta materialidade? e as cartografias como se lêem ou interpretam? 




quinta-feira, setembro 11, 2008

sábado, setembro 06, 2008

EM MEMÓRIA DO PEDRO ORNELAS



nestes últimos dias atravesso oceanos de dor...... e é neste contexto de perdas, que quero exprimir aqui as minhas mais profundas palavras para um amigo que partiu deste efémero mundo. com o pedro, também ele antropólogo, editor da Agenda Adufe da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, troquei muitas impressões, vivemos em intensidade o fascinio por este mundo rural...até já amigo, porque uma vida é apenas um momento e nada mais!

 ...que a tua alma descanse em paz...as minhas sentidas condolências aos seus familiares.

quinta-feira, setembro 04, 2008

DO ECOLÓGICO...

Soalheiras, 2007.

acho extraordinário esta capacidade inventiva, este forjar duma modernidade ou pós-modernidade que parece não ter qualquer efeito em alguns locais ermos desta construção doentia duma portugalidade europeia, vanguardista, etc, etc...de repente, na minha proximidade territorial, alguém me pergunta se já fotografei a sua obra prima, a sua arquitectura ecológica, sustentável, funcional...mal sabe, este habitante local, que aquilo que ele sempre fez e que lhe foi transmito pelas suas gerações ancestrais, é nos dias hoje, a solução mais "vendida" para um mundo mais sustentável...admiro, venero, ausculto com um estetoscópio este mundo perdido/encontrado...

segunda-feira, setembro 01, 2008

BALANÇO DA PARTILHA CULTURAL


do acontecimento cultural ocorrido no espaço museológico dedicado à cultura pastoril da aldeia do Salgueiro (Fundão), tirei as seguintes ilações:
- só mediante este tipo de iniciativas, onde a fértil e elevada partilha de conteúdos ocorre, é que estes espaços culturais podem fazer sentido. neste caso concreto, foi um exclente exemplo, o espaço cultural tornou-se num espaço de troca de vivências e imaginários. assimilou-se na integra enquanto espaço/zona de "contactos culturais".
bem hajam a todos...

quinta-feira, agosto 28, 2008

COLÓQUIO "PATRIMÓNIOS PASTORIS. CRUZAR OLHARES"




a partilha e o debate em torno da cultura pastoril no nucleo museologico do Salgueiro....

aproveito para agradecer ao municipio do fundão (divisão da cultura) e à junta de freguesia do salgueiro o convite de participação.

(a verdade, a verdade...)

"A vida humana é apenas uma ilusão perpétua; o que fazemos é enganar-nos e iludir-nos mutuamente. Ninguém fala de nós na nossa presença como na nossa ausência. A união que existe entre os homens é fundada sobre este mútuo embuste; e poucas amizades subsistiriam se cada um soubesse o que o seu amigo diz dele quando não está presente, ainda que ele fale então sinceramente e sem paixão.
O homem é apenas disfarce, engano e hipocrisia em si mesmo e para com os outros. Não quer que lhe digam a verdade e evita dizê-la aos outros; e todas estas disposições tão afastadas da justiça e da razão têm uma raiz natural no seu coração."


Blaise Pascal, in "Pensamentos"

terça-feira, agosto 26, 2008

CICLOS DO INTERIOR - TRABALHOS A PARTIR DA ALIENAÇÃO

sexta-feira, agosto 08, 2008

O PROBLEMA DA AUSÊNCIA DE GENTE

Rosmaninhal, 2008.

"desertificação", dizem... eu como acho esta palavra desasjustada, digo ausência de gente, pois um deserto é algo muito mais imponente que a simples ausência de gente...deixando a discussão dos conceitos para outros palcos, vamos ao que realmente interessa analisar. a ausência de gente nas aldeias raianas, eu diria mesmo em todo a orla interior deste tão pequeno-grande país. esta rua por exemplo na aldeia do Rosmaninhal não tem gente, é um assombro...todos temos que repensar este mundo rural que se apaga, que ideias criativas poderão relançar a vida destes lugares? é um problema sério, à escala de um país que se entretêm a rever-se apenas nas grandes cidades, e o resto? a mim entristece-me profundamente ver esta aldeia silênciada...

quinta-feira, agosto 07, 2008

ADUFE 13



mais um excelente número...

terça-feira, agosto 05, 2008

VESTIGIOS DE UMA ENCENAÇÃO FOLCLÓRICA

Monsanto, 2008.


estavamos em 1938, em plena ditadura salazarista, quando o Secretariado Nacional para a informação decide promover o "concurso da aldeia mais portuguesa de Portugal". com este evento, o regime de salazar atingia o seu pleno, ou seja, a construção ou encenação de um país feito de tradição, ordem e harmonia nos campos. são estes mesmos valores que ajudaram a promover uma identidade homogenea, dissimulando todo o tipo de diversidades regionais. neste contexto, a aldeia de Monsanto ganha o atribulado concurso. hoje, passados 70 anos, entre os habitantes locais ainda podemos ouvir ecos deste mesmo discurso, aliás, um dado curioso, foi este mesmo discurso "da aldeia mais portuguesa" que colocou esta encantadora aldeia raiana no mapa dos destinos turisticos de milhares de portugueses e estrangeiros. o meu interesse vai ao encontro da reprodução destas narrativas de promoção de uma aldeia que "é a mais portuguesa". que elementos são usados, entre os habitantes locais, para que tal promoção ainda continue a ser legitimada?

domingo, agosto 03, 2008

SOBRE OS ESPANTALHOS...


já aqui manifestei o meu fascinio pelo uso generalizado  destes "vigias" permanentes das culturas, assim como das tecnologias que os complementam e os substituiram. é na primavera que se revitaliza o seu uso, justificado pelo desabrochar das novas culturas. contudo, o uso do espantalho transporta consigo mais do que a simples protecção das aves, isto porque de fora ficam todas as pragas nocivas de insectos, vermes, etc., assim como o próprio homem como amigo do alheio. por outro lado, o espantalho é também fruto da imaginação de quem o elabora, projectando nele, esse "outro" que habita a paisagem. muitos autores viram nele o prolongamento de diversas entidades protectoras e sacralizadoras. o espantalho evoca essa alteridade, participa nesse discurso sobre o outro, pois ele, embora feito com base nos principios da nossa semelhança, ele é esse "outro" que vai intervir e afastar os males. porém, ele é também o "outro" que nos faz rir, esse palhaço feito de palha que pauta tantos rituais do calendário festivo anual. afinal, quem não se lembra da celebre representação pictórica do espantalho acompanhado dos respectivos pássaros como elementos da sua companhia  permanente, daí, o que espanta o espantalho? o antropólogo J. Pais de Brito diz-nos que "talvez a generalidade dos medos e um dos mais frequentes modos de o exorcizar: o riso".

UMA MEMÓRIA...

Molinos (Espanha), 2007.


existem lugares no mundo que uma vez vistos nunca mais se esquecem. este é um deles.

sábado, agosto 02, 2008

MAIS...

Idanha-a-Nova, 2008.

mais arquitecturas simples...em Idanha-a-Nova. o mesmo primor, o mkesmo encanto, o mesmo investimento no singelo promenor estético. quantas vidas o fizeram? hoje, permanece ali, intacta, no cerne do mundo globalizado, ausente dos projectos duma vida. 

ARQUITECTURA TRADICIONAL



casa tradicional, zebreira, 2008.


como se impõe ao nosso olhar esta arquitectura simples! o apontamento daquela entrada pintada de branco, motivo de investimento estético e social.