sábado, dezembro 01, 2007

SIMPOSIO ARCHIVO Y FONDOS DOCUMENTALES PARA EL ARTE CONTEMPORANEO



Decorreu nos dias 29, 30 e 1 de Dezembro de 2007 na cidade de Cáceres (Espanha) um conjunto importantíssimo de palestras relacionadas com arquivos, fundos documentais e arte contemporânea. O grande proposito deste brilhante evento foi a memória e obra de um dos maiores artistas do século XX , WOLF VOSTELL (1932-1998). Obra essa que pode ser vista nas antigas instalações de um histórico lavadouro de lãs, convertido ainda pelo artista em Museo Voltell Malpartida (Malpartida de Cacéres). Um lugar mágico, cheio de boas energias e que vale mesmo, mesmo, mesmo a pena visitar!!

terça-feira, novembro 27, 2007


Rosmaninhal, 2007


A aldeia do Rosmaninhal encerra um conjunto de práticas ligadas ao pastoreio de capital interesse. Trata-se de um território vincado pelas agruras climáticas mediterrânicas. Com frequência se encontram burros, éguas, machos, cavalos nas imensas propriedades, outrora douradas pelas searas de trigo. Por aqui, diz o povo, que até as pedras davam trigo. Hoje, tudo se alterou, ficaram as impressionantes marcas numa paisagem intensa e monótona. Porém, muitas das ancestrais práticas continuam a pautar os dias claros e límpidos desta remota aldeia. É o caso do tradicional pastoreio de percurso, geralmente feito a pé, mas que muitos não dispensam a preciosa ajuda do burro. Associado a esta prática tradicional de pastoreio um saber especializado foi-se desenvolvendo, apurando, decifrando. Quem nunca ouviu um "brado" de um pastor, um assobio fino e melódico, um palavrão direccionado, uma certeira pedrada, um baloiçar de cajado? Alguns desses chamamentos passaram de geração em geração, são formas arcaicas de uma linguagem entre o homem e o animal. Alfabetos esquecidos que a UNESCO considera uma urgência preservar. É precisamente isso que estamos a fazer!

segunda-feira, novembro 26, 2007

PASTOREIO NOMADA




A cultura do pastoreio nómada reclama perante este mundo cada vez mais globalizado que a sua ancestral arte não seja vista como algo folclorico, mas sim como uma cultura milenar produtora de alimentos de qualidade, obtidos com a gestão mais adequada do meio ambiente.

OBJECTOS ESQUECIDOS



Arca forrada com pele de bovino com uma fechadura ornamental em ferro forjado, Quintã, 2006)

Digo objectos esquecidos, porque todos nós temos em casa objectos que por algum motivo perderam a sua funcionalidade, deixaram de servir, ter utilidade, passaram pois à categoria de objecto-memória, estão fora do tempo, encontram-se numa espécie de limbo temporal. É o caso desta arca religiosamente guardada numa velha casa. Apenas serve para guardar algumas colchas bordadas e algumas mantas de lã, também elas fora de uso. Porém, são objectos de memória, marcam um tempo, uma vivência, uma encruzilhada de destinos. Entre esta trama de sentidos situa-se a instituição museu.

domingo, novembro 25, 2007

MEMORIA E TESTEMUNHOS ORAIS


Seminário Internacional

Memória & Testemunhos Orais


Lisboa, 22 e 23 de Novembro de 2007

Fundação Mário Soares
Instituto de História Contemporânea/FCSH/UNL

(Guardar programa em PDF)

5.ª feira, 22 de Novembro de 2007

09.30 Recepção dos Participantes

10.00 Abertura do Seminário

Alfredo Caldeira (FMS
Fernanda Rollo (IHC)
10.15 Utilizações da História Oral

Luísa Tiago de Oliveira (ISCTE)
11.00 A História Oral e os Movimentos Sociais

Paula Godinho (UNL)
11.45 Debate

13.00 Intervalo para almoço

14.30 História Oral – Metodologias

Dulce Freire (IHC)
Inês Fonseca (CNRS)
15.30 Debate

16.00 Intervalo café

16.15 Testemunhos Orais, Memória e História

Paula Borges Santos (IHC)
16.45 Debate

17.00 Constituição de acervos de História Oral: entre actividade científica e prática arquivística

Luciana Quillet Heymann (CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil)
18.00 Debate

21.00 Média & Memória Histórica
Imagens e Sons apresentados pelos Autores

Geração de 60 de Diana Andringa
Alentejo - Réstea de Esperança de Jacinto Godinho
Crónica do Século/O Século das Mulheres de Maria Augusta Seixas
Timor - A última bala é a minha vitória de Manuel Acácio
6.ª feira, 23 de Novembro de 2007

10.00 Arquivo da Memória e História do Século XX

Armando Malheiro da Silva (CEIS 20)
10.45 Intervalo café

11.00 Projecto de Arquivo de Testemunhos Orais

António Coelho e Hugo Guerreiro (FMS)
11.45 Debate

13.00 Intervalo para almoço

14.30 Arquivos Sonoros: o caso da Radiodifusão Portuguesa

Eduardo Leite (RDP)
15.15 Jornalismo e memória histórica

Mesa-redonda coma participação de João Coelho (rádio), Eduardo Dâmaso (imprensa escrita) e Jacinto Godinho (televisão)
16.00 Debate

16.45 Intervalo café

17.00 Direitos de Autor e Propriedade Intelectual na União Europeia

José Antonio Suárez (Espanha)
17.30 Produção de conteúdos multimédia e direitos de autor

Manuel Pedroso Lima
18.00 Debate

18.30 Encerramento




Apenas faço referência a este importante evento que decorreu na Fundação Mário Soares, pela sua extrema importância no panorama actual das ciências sociais. Estive presente e registei um conjunto de iniciativas inovadoras em torno da constituição, preservação, valorização dos testumunhos orais. Apreciei o fértil diálogo entre a antropologia e a história.

domingo, novembro 18, 2007

A TODOS OS PASTORES



A vida de pastor, ao contrário do mais idílico que possa parecer, é uma vida dura, muito dura mesmo, repleta de muitas preocupações, principalmente na altura das parições. Altura em que o pastor mal têm tempo para repousar durante a noite, tal é a procupação em assistir os frágeis borregos acabados de nascer. É necessário "afilhar" os borregos, ou seja, coloca-los a mamar na respectiva teta da mãe. Contudo, o pastor guarda momentos de carinho mágicos para com estes pequenos animais, só ele sabe quem é quem, só ele decifra esta imensa beleza, só ele é capaz de verter lágrimas pelos seus queridos animais...

terça-feira, novembro 13, 2007

AOS PASTORES TRANSUMANTES...


Entrevista ao Ti Zé Lourenço, 2005.

Pastores transumantes, Ti Zé Camilo e Ti Zé Lourenço, 2005.

Estamos no mês de Novembro e era precisamente durante este mês que os rebanhos da Serra da Estrela iniciavam a sua lenta e melodiosa marcha até aos verdejantes campos do concelho de Idanha-a-Nova. A este tão remoto e ancestral movimento pastoril, intitula-se de TRANSUMÂNCIA, etimologicamente significa: TRANS - "além de" e HUMUS - "terra", ou seja, "ir além da terra". Por outras palavras resume-se a uma deslocação periodica de gados entre dois regimes determinados de clima diferente. Um identificado como invernal e descendente, quando, face à escassez de pastos causada pelas neves das terras altas, os rebanhos desciam para os pastos das regiões mais amenas. O outro, estival ou ascendente, caracterizado pela deslocação de rebanhos para as terras altas. O grande mestre Orlando Ribeiro descreve do seguinte modo uma Invernada dos serranos para os campos da Idanha:

"(...) É pelos Santos que o grosso dos rebanhos deixa a Serra. Dantes um maioral tomava entrega dos gados de toda a povoação; quando voltava faziam-se as contas dos gastos e repartia-se a quantia proporcionalmente ao gado que cada um tinha mandado. Hoje uma só aldeia pode mandar vários rebanhos, que raro atingem mais de 1500 cabeças. O lugar de invernada para os gados do Sabugueiro e, de um modo geral, para os da zona mais elevada da Serra, é nas Campanhas da Idanha. O itenerário do Sabugueiro até lá, a via pecuária mais importante da região, passa através da Serra, quando o tempo o permite (em direcção a Cântaro e à Nave de Santo António), ou contornando-a por Valezim, Loriga, Alvoco, Unhais até ao Tortozendo. Atravessam a fértil Cova da Beira e, pelo Fundão, galgam a cumeada da Gardunha. Por Alpedrinha, Vale dos Prazeres, ainda encostados à montanha, entram no Campo, e por Orca, S. Miguel de Acha e Oledo ganham Idanha-a-Nova. Alguns pastores ficaram pelo caminho, arrendando pastos para os gados onde lhes pareceu que os havia abundantes."

Relativamente à composição, práticas e quotidiano deste impressionante "exército", Ferreira de Castro no seu romance A lã e a neve, descreve de uma forma notável e impressionante, esta ancestral prática:

"(...) Era a época em que, anualmente, se iniciava a transumância, levando-se o gado para longínquas campinas, onde a invernia se fizesse sentir menos. O primeiro rebanho a abalar, para a viagem de cinco, seis dias, que tanto exigia a caminhada dali até à Idanha, fora o do Canholas, com ovelhas de mais quatro pastores. Outros partiram depois (...) eram quase trezentas ovelhas, brancas e negras, mosaico que cobria toda a largueza da estrada, a caminho da terra baixa. À frente e aos lados, mantinham guarda o "Lanzudo" e outros cães, menos o "Piloto", que fora considerado débil para a longa jornada. Atrás marchavam Horácio, o Tónio, o Aniceto, o Libânio, o filho do tio Jerónimo, e um burro por cada homem. Os onagros transportavam bardos e ferradas; e os seus alforges, com alimentos no fundo, guardavam espaço para recolha de cordeiros que dessem em nascer, como sempre acontecia, durante o trânsito. As ovelhas ora marchavam lestas e muito juntas no seu passo curto, se os gritos ou pedradas a isso impeliam; ora abriam clareiras no rebanho e cortavam à esquerda e à direita, à cata do pasto vizinho da estrada. Às vezes, os seus focinhos orientavam-se para a folhagem que tinha dono sempre pronto a barafustar contra as ladras; e, por mor dessas queixas e até de multas policiais, outras pedras e outros berros caíam sobre as famintas, que retomavam o caminho, na esperança de serem, além, mais felizes. (...) Finalmente, ao sétimo dia, vencida a estrada imensa, cruzando vales, grimpando serras, os condutores do rebanho transumante, todos sujos, cara negra de barba, corpos esgotados pela andança, viram, ao longe, as campinas da Idanha, seu último objectivo."

Era, de facto, um impressionante espectáculo! Hoje, restam as poucas ou nenhumas memórias desta árdua caminhada. Ainda assim, foi possivel encontrar alguns testemunhos vivos, deixo-vos uma memória viva, o PastorTransumante, José Lourenço :

"Tinha 30 anos quando começei a ir com o gado para a Idanha. Em primeiro iam umas 150 ou 200, depois iam as outras mais tarde. As mais borreguinhas iam primeiro e mais tarde ia o vazio. Eram as borreguinhas que tinhamos criado no ano anterior, os carneiros e assim; a gente chamava o "alfeire" ao vazio. Os pastores que iam eram conforme o gado, às vezes iamos 4, outras 5; um burrinho para levar a merenda, pão, toucinho, que era para todo o inverno. Quando chegavamos lá tratavamos da mulher para comprar a farinha para o pão e depois a gente ia lá a buscar. O caminho era quase sempre pelo Vale Formoso. Depois iamos para a Capinha, daqui iamos para o Pedrogão, depois daqui a gente passava para lá. A gente não tinha sítio certo, a primeira noite, dormiamos quase sempre nas Murteiras Redondas, era logo ali ao cimo da Idanha. Depois iamos para o sítio que tinhamos comprado, era ali na Vigia, no Lemite e no Vale de Couto ali por baixo da Sª da Graça. A gente dormia em qualquer lado enrolado na capa. Também íamos para a Barragem, íamos pela quelha. Eu sem gado cheguei a ir para cima, numa noite estava no Oledo, vim a dormir à Orca, depois Fundão até Manteigas. Num inverno fui lá três vezes à Idanha, três vezes para baixo sem gado, num dia ia para cima. O Manel Moita era meu amigo, eu estava na Vigia e ele no Cabeço das Canas. Arrendava-se a três meses. Quando a gente ia lá a arrendar era em Agosto, íamos ao Campo a comprar a pastagem. As contas eram feitas à cabeça, cada um pagava um tanto por cabeça. Tive lá anos de 40 contos em despesa, tudo incluido. Ao fim entrava tudo em conta."

(Extracto do Diário de campo nº5, Julho de 5)

- Pastor transumante, José Lourenço, 92 anos, Manteigas)

Bibliografia

Castro, Ferreira (1990). A lã e a neve. Guimarães editores, Lisboa.

Ribeiro, Orlando (1995). Opúsculos geográficos. Estudos regionais, Fundação C. Gulbenkian, Lisboa.

domingo, novembro 11, 2007

A oliveira: um simbolo do mediterraneo





Por esta altura os campos tornam a receber algum frenesim de outrora, é o tempo da apanha da azeitona, esse fruto precioso de onde se extrai à muitos séculos o denominado ouro do mediterrâneo. As mais remotas técnicas de extracção conhecem-se na bacia do Mediterrâneo desde a IV dinastia egípcia. Em Portugal, surge em conjugação com outras culturas, nas proximidades das povoações. Na região da Beira Baixa a plantação de oliveiras teve um crescente impulso nos finais do século XIX, alterando em parte, a fisionomia da paisagem outrora preenchida quase exclusivamente por sobreiros e azinheiras. Hoje, estas paisagens tornaram-se simbolos identitários de muitos territórios e das suas gentes, que heroicamente souberam modificar muitas encostas de montanhas sem interferir com o entorno natural. Quem ainda não admirou extasiado a paisagem cascalhenta dos terraços do tejo que acompanha a linha da Beira Baixa, a partir de Belver até Vila Velha de Rodão? Seria importantíssimo o estudo, valorização e preservação desta memória colectiva associada a esta paisagem. Relativamente às técnicas artesanais de extracção de azeite, no concelho de Idanha-a-Nova, em particular nas aldeias de Proença-a-Velha e Idanha-a-Velha, existem excelentes exemplares musealizados. Para saber mais sobre estas arcaicas tecnologias, encaminho-vos para uma leitura urgente e de excelência, a obra de Benjamim Pereira,Tecnologia tradicional do azeite em Portugal, editada pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Ti DOMINGOS: O PASTOR FILOSOFO


Ti Domingos "Menoucho", pastor, Penha Garcia (Falecido)

Há muito tempo que na minha cabeça pairava a ideia de fazer aqui, neste lugar virtual, uma sentida homenagem a alguns pastores com quem passei horas extraordinárias de aprendizagem e que, entretanto, já partiram deste efemero mundo.
Conheci o Ti Domingos numa tarde clara de Abril, passava na estrada e vi o seu rebanho de cabras a pastar ali próximo. Parei o carro e dirigi-me a uma pessoa que estava solenemente apoiada no seu cajado, depois de me apresentar e de lhe pôr ao corrente do meu árduo labor, consentiu de imediato a minha presença e o rol das infinitas perguntas que sempre trago nos meus pequenos cadernos pretos. Enquanto as perguntas e as respostas fluiam, as suas cabras pastavam calmamente a fresca erva que a serra oferecia. Falou do mundo, da morte, das guerras, da sua querida Penha Garcia, das filhas, das cidades, das suas cabras e dos dificieis partos que já tinha assistido, das doenças das cabras que tinha milagrosamente curado, das mulheres, do seu queijinho que fazia todos os dias com a maior das dedicações. Recordo com saudade uma terna conversa:

"Comecei esta vida de pastor aos 6 anos ao pé do mê pai. Dantes o mê pai era munto recto para nós, pois coitadinho, ele não tinha nada para nos dar a comer e pedia-nos a morte, tinha vontade que morrêssemos, quer dizer, cobiçava a vida dessas pessoas que não tinham filhos. Não tinham filhos, não tinham despesas! era o atraso. Estamos os seis vivos. Depois aos 8 anos começei a guardar porcos, andava com outros, batiam-me munto. O mê pai era cabrero , aprendi com ele. Nessa altura começei a guardar porcos na Espanha, logo por cima das Termas. O mê pai fez-me na Espanha, poi era cabrero lá. O mê avô estava aqui na parte de cá, a minha mãe foi lá a desovar. A minha avó era partera e ódepoi o mê avô dizia-me assim: tinha lá um cortiço para pôr coisas, como esses das abelhas, mas maior. - Olha tu nasces-te aqui ao pé deste côrtcho. Depois só vim para Portugal tinha 16 anos, começei a andar com uma junta de vacas e a fazer vida de ganhão. ódepoi, já adulto a minha mulher morreu e as filhas já se tinham casado, agarrei-me às cabrinhas. Há 42 anos que aqui estou no Gorralão. As serras da frente são a Pedraninha, a Matafome e a Borrasca, ali mai adiante é Brejos. Antigamente pagava por aqui estar 100 alqueires de trigo. Era a renda anual, era de S. Miguel e S. Miguel.

(Entretanto começa a merendar: pão, chouriço e o seu famoso queijinho de cabra. Tudo cortado à navalha. Estamos sentados atrás de uma velha casa)

A minha vida foi assim, trabalhar munto. Andei no contrabando do café com 30 quilos às costas, ódepoi aborreci-me, começei a andar com as pernas escorralhadas em cima do cavalo. Olhe, podia-me ter matado afogado lá no rio, passavamos lá num sítio, na Espanha, aquilo eram umas fragas, quando era de Inverno aquilo ajuntava ali munta água, nós passavamos num sítio ruim, se caíssemos não havia salvação. Levavamos café para lá. Afogaram-se alguns, mas não eram daqui. Um secalhar até o mataram, os espanhois vinham ao nosso encontro. O café umas vezes era mai caro outras mai barato. É assim a minha vida, agora estou aqui, conheço esta serra toda!"

(Extracto do Diário de Campo nº3, 27 Abril de 2005)

quarta-feira, outubro 31, 2007

O CULTO DAS ALMINHAS




Alminha de uma casa particular em Manteigas.

Proximo dos velhos caminhos, estradas, ruas, avenidas, veredas, etc., encontram-se com bastante frequência pequenos nichos, ora escavados em granitos, ora em retábulos de madeira, ora em azulejos, onde no geral se representa o purgatório. Chamam-lhe "alminhas", "nichos das almas" ou simplesmente "almas". Estão relacionadas com a crença do Purgatório, onde todas as almas têm que passar para serem purgadas com fogo dos pecados ditos veniais, ou seja, os pecados mais leves. Podendo ser abreviadas através dos sufrágios dos vivos, daí encontrar-se em alguns um pequeno cofre para esmolas e dito associado: Oh vós que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando, rezai um Pai-Nosso e uma Avé-Maria pelas almas que sofrem no Purgatório."
A crença neste ardente lugar está profundamente ligada ao II concilio de Leão (1124), onde se afirmou dogmáticamente a existência do Purgatório. À cerca das suas origens alguns ligam-nos aos altares Romanos dedicados aos Lares Viales e aos Lares Compitales, erigidos junto aos caminhos e nas encruzilhadas. Vergílio Correia chegou mesmo a chamar às alminhas as "descendentes directas" daqueles altares, isto pelo facto dos dois altares estarem localizados em sitios idênticos. Mas depressa se refutaram todas as teorias relacionadas com os altares Romanos. Uma vez que estes altares simbolizavam génios agricolas, protectores dos campos, das culturas e dos trabalhos rurais. Em seu louvor se costumava erigir altares nos sítios em que duas ou mais propriedades se interceptavam, para que a protecção divina pudesse estender-se a todas simultaneamente. assim, como o lugar do encontro de várias propriedades fica quase sempre numa encruzilhada de caminhos, apareceram os deuses Lares Compitales - "génios das encruzilhadas". Quanto aos Lares Viales, estes apareceram como protectores dos viajantes, pois começaram a ser erigidos nas margens dos caminhos. De génios agrários, os Lares transformaram-se em divindades que defendem os homens do perigo dos caminhos e das encruzilhadas. Outros povos houve que também pediram ajuda a protectores dos caminhos e encruzilhadas, entre eles os gregos que colocavam nos caminhos capelas sob a invocação de Apolo.
Contudo, a igreja dos primeiros séculos preocupou-se em adaptar as antigas crenças ao cristianismo, daí o facto de assimilar muitos monumentos levantados pelos pagãos nos caminhos e encruzilhadas. Dessa morosa substituição, diz Flávio Gonçalves "devem ter nascido as cruzes de madeira e cruzeiros de pedra que naqueles mesmos lugares se observam por toda a Europa ocidental e central - e que em Portugal também apareceram muito antes das alminhas. O simbolo da fé de Cristo ficou a ocupar o lugar dos altares do paganismo". Segundo o mesmo autor, todos estes cruzeiros são de facto muito mais antigos que as alminhas, pois vieram substituir claramente os Lares, daí terem sido colocados em locais idênticos e com a mesma função. Quanto às alminhas, pois não têm qualquer ligação directa com o culto praticado entre os latinos, embora haja alguma semelhança entre a localização dos monumentos. Mas os altares dedicados aos Lares tinham como intenção a protecção dos campos e dos viajantes, enquanto que as alminhas apenas pedem a oração dos que por elas passam, em favor das almas do Purgatório.

Muito havia ainda por dizer, por exemplo, sobre a simbologia da encruzilhada, sobre o lendário popular em torno das almas penadas, sobre os prantos que lhes cantam nas escuras noites da Quaresma e que tão bem estudou Margot Dias (encomendação das almas), sobre a simbologia do próprio retábulo, sobre o culto actual, etc...

Referências bibliográficas:

Chambino, Eddy (2002), O culto das almas expresso na religião popular: uma viagem pelas crenças e supertições em torno das almas", Lisboa, FCSH-UNL,Tese de licenciatura.
Correia, Virgilío (1937), Etnografia artística.
Gonçalves, Flávio (1959), Os Paineis do Purgatório e as Origens das "Alminhas" Populares, Matosinhos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Cont. NOITE MAGICA


Jovens cavaleiros, noite de S. João, Rosmaninhal 2007.

A fogueira de "rosmanos", noite de S. João, Rosmaninhal 2007.

Um cavaleiro audaz, noite de S. João, Rosmaninhal 2007.

A coragem, noite de S. joão, Romaninhal 2007.

Martinho, o alferes festeiro, Rosmaninhal 2007.

domingo, outubro 28, 2007

A FESTA DO FOGO: A NOITE MAGICA DE S. JOAO NO ROSMANINHAL


Rosmaninhal, S. João 2007.

"Ai, meu lindo S. João,
Meu ramo de rosmaninhos,
Dá saúde ao nosso alferes
E também aos seus padrinhos"

A chegada do solstício de verão (24 de Junho) foi desde tempos ancestrais celebrada de forma orgíaca. A noite mágica de 23 para 24 de junho é uma "noite aberta", pois a ordem das coisas pode ser perfeitamente alterada. Nesta noite tudo pode acontecer, "todas as plantas e todas as águas são sagradas". Devido à intensa comunicação cósmica gerada, os espiritos podem despretar e para os afunguentar queimam-se ervas aromáticas junto às casas.
Na aldeia do Rosmaninhal (Idanha-a-Nova) celebra-se um dos mais interessantes rituais em torno deste fogo cósmico. Ainda com o sol no limite das suaves linhas alaranjadas do horizonte começam a ouvir-se pela calçada das ruas o som das arcaicas ferraduras que convergem na direcção da casa do alferes. São cavalos, éguas, machos e burros que desfilam sob o olhar atento e alegre das gentes mais idosas, as mulheres gritam "Viva o S. João, viva os festeros". E, assim, em jeito de procissão, desfilam o alferes e os padrinhos à frente e os restantes cavaleiros atrás. Pelo caminho saltam as fogueiras aromáticas, desafiam o fogo com a bravura de antigos guerreiros e do alto das bestas esboçam dos rostos corados a expressão da verdadeira herança ancestral, dominar a besta e o fogo.

"Viva o S. João, viva os festeros"

(Agradeço a simpatia e a humildade do alfares Martinho e seus familiares, ajudantes e noctívagos "rosmaninheros" por esta magnifica festa cósmica)

quarta-feira, outubro 24, 2007

A estranha vida dos objectos usados




Interrogar-nos sobre a "vida social" ou "biografia cultural" das coisas, colocando a intersubjectividade entre humanos e o mundo material como um dos principais pilares para a compreensão deste planeta.
Porque os objectos são também acções, intenções, desejos, tristezas, angustias, interesses e propositos recíprocos da vida social humana.

quarta-feira, outubro 17, 2007

segunda-feira, outubro 15, 2007

A Linguagem das Portas




Em Albarracin (Espanha) existe uma arte em ferro referente à simbologia das portas (aldrabas, batentes, pegas, etc). Tornando-se mesmo num dos patrimónios mais divulgado nos folhetos turisticos da região.


Sobre a linguagem das portas consultem:

- http://aaldraba.blogspot.com/
-http://portasdomundo.blogspot.com/

sábado, outubro 13, 2007

ALDEIA DE POMAR


Uma das poucas casas que ainda persiste.


Uma das ruas do lugar.


Ti Patrocinia.

Nos limites de Monsanto, já situado nas faldas da serra, fica localizado um dos povoamentos agro-pastoris mais remotos desta área do concelho. O lugar denomina-se Pomar, alguns chamam-lhe mesmo aldeia de Pomar. Segundo os documentos históricos, em 1944 este lugar tinha 74 habitantes, possuindo igreja e cemitério próprio. Hoje é um lugar vazio, demasiado vazio. Restam apenas três habitantes, a Ti Patrocinia é a habitante mais antiga, têm 89 anos, nasceu neste local onde ainda persiste em não o abandonar. À minha chegada, fui encontrá-la de foice na mão, a cortar erva. Depois de me dizer que os outros dois habitantes "andavam a trabalhar", convidei-a a sentar-se um bocadinho ao sol e pedi-lhe que me falasse deste remoto lugar, ao que me respondeu com um enorme sorriso:

"Isto aqui, intigamente havia cá 24 casais, ou mai, hoje só cá estou eu e o Zé António mai a mulher. O mê pai era do Salvador, chamava-se Francisco Marmelero e a minha mãe era daqui, chamava-se Maria Antónia. Eramos cinco irmãs, só cá estou eu e uma irmã que está ali em Monsanto. Isto tinha cemitério e igreja.

(Fala das dádivas que um homem uma vez lhe trouxe e da ajuda da vizinha)

"Isto é uma dádiva florida. A minha vizinha dá-me tudo o que me faz falta. ela tem horta e tem tudo. O marido anda no corte (egalipos). Tem cinco cabras, dá para fazer o queijo."

(Fala das visitas que vai recebendo)

"Esteve aqui um estudante a terer fotografias e estava a carujer (chover) e ele não sabia o que queria dizer, não sabia nomear. Atão a gente que anda a estudar não sabe ver o astro?" (refere-se à previsão do tempo)

(Depois de algumas horas a viajar pelas infinitas histórias da Ti Patrocinia, despediu-se com o mesmo sorriso com que nos recebeu)

BEM HAJAS, TI PATROCINIA

quinta-feira, outubro 11, 2007

AS POTENCIALIDADES DA AGRICULTURA BIOLÓGICA: COLÓQUIO NO CENTRO CULTURAL RAIANO



É urgente reflectirmos todos em geral sobre a temática dos produtos biólogicos, e em particular as zonas rurais, pois é precisamente aqui onde as potencialidades são inúmeras. Basta de culturas que seguem os modos ditos capitalistas, onde apenas e exclusivamente o lucro interessa. Danificando a terra, alterando os ciclos biólogicos normais dos alimentos e consequentemente os seres humanos que os consomem. Não sei mesmo, se o indice de doenças cancerigenas não seja uma consequência directa deste processo de capitalização da agricultura e seus derivados. Pois não existem estudos comparativos, estudos a uma escala micro..
Em Espanha, por exemplo, circula uma campanha institucional acerca dos produtos biológicos cujo o slogan diz o seguinte: "Agricultura Ecológica. Vívela". Isto porque, segundo um semário, a maioria das pessoas conhece e valoriza os alimentos bio, mas só uma quarta parte os consome alguma vez. Não seria benéfico se as escolas desde os infantários até às universidades apenas permitissem nas suas cantinas produtos bio??? é claro que aqui se equacionam os custos, mas se o Estado garantir um apoio, mais e melhor estruturas surgirão. E aqui, os meios rurais terão um papel capital, pois são eles que detêm as melhores condições para o desenvolvimento destas pequenas e tão prósperas "manufacturas" artesanais.
O concelho de Idanha-a-Nova têm enormes potencialidades nesta área, têm um saber-fazer milenar associado às hortas, têm um território diversificado, extenso, têm um conjunto de infraestruturas ditas tradicionais inoperativas que podiam servir de plataformas de excelência no capitulo das tão divulgadas "arquitecturas sustentadas", etc, etc. Tudo isto está infelizmente no limiar da sua existência. Porém, não será necessário dramatizar, procurar discursos ansioliticos e angustiantes acerca do desaparecimento das coisas, pois elas são o fruto do devir das próprias sociedades, nenhuma sociedade é estática, todas têm o seu complexo processo de mudança. Se procurarmos entender melhor as mudanças nas sociedades talvez seja mais fácil encontrarmos as soluções mais simples. Daí que a promoção destes encontros em torno de temáticas que se revelam centrais para o desenvolvimento dos meios ditos rurais, sejam de uma importância capital!!

Deixo uma máxima: "Está na hora de começarmos a comer melhor??

terça-feira, outubro 09, 2007

"CHAVES DE SILVAS E DE ESTRELAS: CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO DE CHAVELHAS DO NÚCLEO MUSEOLÓGICO DO SALGUEIRO"



Integrado na festa da memória pastoril transumante, a Câmara Municipal do Fundão, inaugurou na aldeia do Salgueiro uma exposição dedicada aos fechos - chavelhas ou trasgas - das coleiras dos gados.
Objectos interessantes, que da mera funcionalidade de fechar o colar do chocalho, adquiriam, igualmente, o signo de adorno, individualizando os inúmeros sentimentos de carinho e afecto que o pastor-artista tinha pelos seus animais. Por todo o mundo pastoril se conhecem. No contexto transumante, remetem-nos, frequentemente, para as sistemáticas trocas culturais entre os dois territórios - Serra/Campo. São conhecidos alguns exemplos de pastores transumantes que trocaram "chavelhas" serranas por "trasgas" do campo e vice-versa.

Agradeço à Câmara Municipal do Fundão, em especial ao Mestre Pedro Salvado, a solicitação de um pequeno ensaio da minha autoria, onde são equacionadas algumas questões que se revelam centrais para a compreensão do estudo destes objectos ditos "quotidianos".

BEM HAJAM

quarta-feira, outubro 03, 2007

Paisagens Nómadas



"Percorro a estrada molhada e ao longe avisto um rebanho estático na paisagem, acompanhado pelo seu pastor. Fixo o momento, abrando os descontraidos passos e aponto a máquina fotográfica para a imensidão verde. Continuo a minha direcção oca e o rebanho conjuntamente com o pastor permanecem ali, estáticos, como se o tempo não existisse, como se a vida os tivesse esquecido, como se fossem meros personagens de um bucólico quadro - seriam mesmo??" - Eddy Nelson "Fragmentos liláses"

segunda-feira, outubro 01, 2007

Palavras de Aquilino...



"... Olhem sempre em frente, olhem o Sol, não tenham medo de errar, sendo originais, iconoclastas e anti, o mais anti que puderem, e verdadeiros, fugindo aos velhos caminhos trilhados de pé posto e a todas as conjuras dos velhos do Restelo. Cultivem a inquietação como fonte de renovamento"

(Aquilino Ribeiro, palavras proferidas na homenagem que lhe foi prestada na Sociedade Portuguesa de Escritores – citado por António Valdemar, Expresso-Actual, 15 de Setembro 2007, p. 12)

quinta-feira, setembro 27, 2007

"CATÁLOGOS DO IMPOSSIVEL"




O relógio marca 21:43, nos restaurantes da avenida janta-se, à porta uma voz rasgada saída da cozinha da alma: “vivo na rua e não tenho nada para comer”, a avenida estende ainda mais as distâncias, um rapaz com as vestes de trabalho diverte-se numa conversa de telemóvel, talvez sejam os ciúmes da sua namorada na distante aldeia, ele encosta-se à parede de um prédio claro, sorri, por cima da sua cabeça um distintivo diz “Casa das Beiras”.

Eddy Nelson – poesia de veludo.

terça-feira, setembro 25, 2007

NIETZSCHE, O FILÓSOFO QUE FILOSOFAVA COM UM MARTELO



"Como não hei-de estar grato a toda a minha vida? - E assim conto a mim mesmo a minha vida" Nietzsche, Ecce Homo.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Geração "Beat"



"(...) porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir, semelhantes a aranhas através das estrelas e, no meio, vê-se o clarão azul a estourar e toda a gente exclama: Aaaahh!"
in One The Road, Jack Kerouac.

quinta-feira, setembro 13, 2007

AS MÃOS DA ESCRITA



O aproveitamento do tempo livre é uma tarefa árdua, pois damos connosco a vasculhar tantos afazeres deixados para um dia que nunca mais chega. Pois, recentemente, reúni as minhas notas e apontamentos tirados ao longo de um tempo demasiado prenhe e fui passar umas longas e saborosas horas na Biblioteca Nacional. Para além destas minhas pesquisas despreocupadas aproveitei e fui visitar uma exposição patente num dos pisos superiores, fiquei deslumbrado! O seu titulo é bastante ilustrativo do que ai podemos vislumbrar: "AS MÃOS DA ESCRITA"; trata-se de uma exposição onde a BN realça "a importância do manuscrito autógrafo nas suas multiplas facetas - monumento do património cultural, testemunho do processo de criação textual, documento das marcas fisicas do autor e os seus papéis, o autor e os papéis dos outros, as correspondências de papéis, os papéis no seu tempo - através das mãos que manipulam e da oficina de trabalho do autor à oficina de trabalho do estudioso."
Deste interessante conjunto de documentos manuscritos deixo uma atenção especial para o tão merecido documento que certifica o prémio nobel a Saramago, mas também no meio de tantas preciosidades, tocou-me no coração um pequeno caderno de poemas delicadamente feito pelas mãos do poeta das madrugadas febris - AL BERTO.
Vale a pena o deslumbramento desta viagem pelos caminhos e trilhos de tinta que estes autores nos legaram...

terça-feira, setembro 11, 2007

Dalai Lama em Portugal



Pela segunda vez sua Santidade Dalai Lama, simbolo máximo do Budismo, visita o país entre 13 a 16 de Setembro. Enquadrado nesta visita, estará numa sessão de ensinamentos e dará uma conferencia, cujo o tema será: "O poder do bom coração". Mais informações consultem o site da União Budista Portuguesa - www.uniaobudista.pt

terça-feira, setembro 04, 2007

Desde um lugar chamado Férias...um pensamento


Épicuro - filosofo grego, 341-270 a. C.

FILOSOFIA

"Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia"

"Philosophiaes servias o portet ut tibi contingat vera libertas"

Épicuro

sexta-feira, agosto 31, 2007

Um tempo ausente...ou a ausência do tempo?

Deixo-vos um pensamento:

"Pedir custa, mas custa muito mais ser obrigado a pedir"
Miacouto.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Um Poema numa Tarde de Agosto


Desenho - Carlos Arrojo- Siameses


A manhã move a pedra sem raiz
o seu repouso de árvore em flor
qualquer astro é menos que o repouso
de uma pedra em flor

Daniel Faria in Poesia(Inédito).

quinta-feira, agosto 09, 2007

Endeavour rumo ao espaço




Neste voo emocional segue Barbara Morgan, substituta de Christa McAuliffe, morta na explosão do Challenger em Janeiro de 1986, seria a primeira professora do ensino primário a visitar o universo. Mais de 20 anos depois do acidente, B. Morgan, de 55 anos, também professora do ensino primário, volta a pegar na bandeira para se converter na primeira professora no universo.

(Fonte: El Pais)

quarta-feira, agosto 08, 2007

Memórias do contrabando


Rio Erges, Segura, 2007.

"Na noite do dia 2 do corrente, quando a coluna volante da corporação da Guarda Fiscal da secção, com sede nesta localidade, anadava em serviço de fiscalização na linha divisória do limite de Salvaterra do Extremo e Segura, proximo à margem do rio Erges, no sítio do ribeiro dos Tuno, foram apreendidas por contrabando pela referida coluna, dez cabeças de gado bovino, que os seus condutores pretendiam passar para o reino de "nuestros ermanos". Os condutores evadiram-se, devido à escuridão da noite, se bem que as praças da mencionada coluna empregassem todos os seus esforços para a sua captura. O valor do gado foi computado em 450$00. A primeira apreensão que temos visto no genero, nesta secção, se bem que, ainda havia poucos dias, outra tinha sido efectuada de igual delito, de 143 cabeças de gado caprino, no valor de 160$00."

(Jornal Povo D'Idanha, 18 de Setembro de 1915)

segunda-feira, agosto 06, 2007

Penha Garcia Templária



A encantadora aldeia de Penha Garcia, um dos geosítios principais do imenso território Geopark Naturtejo, celebra, contempla e (re)cria todo um ambiente em torno da mitíca e histórica Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos por Ordem dos Templários.
A não perder nos dias 13, 14 e 15 de Agosto.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Parque Nacional Virunga (Congo)



Mais quatro gorilas mortos no Parque Nacional de Virunga (Republica Democrática do Congo), três femeas e um macho "silverback". No mundo restam apenas cerca de 700 gorilas e mais de metade deles vive na região montanhosa de Virunga.

"The death of these gorillas is not only grave for the conservation of the species but also represents a significant loss of a source of revenue for the local community."

(Fonte: UNESCO)

quinta-feira, julho 26, 2007

celebração de um ano virtual


Touro Sentado, Tribo Sioux (América do Norte)

Pois é, este blogue faz hoje um ano de existência virtual,quero agradecer (isto é se as coisas se agradecem) a todos os que se entreteram com este lugar e daqui levaram alguma coisa útil para as suas vidas quotidianas.

Bem hajam a todos!

Para a comemoração escolhi uma mensagem do Touro Sentado da tribo dos Sioux:

Touro Sentado

"Tatanka Yotanka, ou Touro Sentado, Guerreiro Sioux, Lider Tribal da Divisão Hunkpapa Teton e mais tarde um "sonhador" sagrado, esteve em pé de guerra quase continuamente de 1869 a 1876.
Povoadores brancos chegavam constantemente, e ainda mais desastroso para os indios, tinha-se descoberto ouro no território das Colinas Negras. A seguir a esta descoberta em 1875, o governo ordenou que os Sioux deixassem os seus territórios de caça do rio Pó, terras que lhe tinham sido garantidas pelo tratado de 1877, Touro Sentado exprimiu grande amor pela sua terra natal, "um amor totalmente mistico", escreve o biógrafo de Touro Sentado. Ele costumava dizer que todos os pés que sejam saudáveis podem ouvir o próprio coração da terra sagrada... levantavam-se sempre antes da alba, e gostava então de caminhar para molhar os pés no orvalho da manhã."

"Olhai meus irmãos, chegou a primavera; a terra recebeu os abraços do sol e em breve veremos os resultados desse amor!
Cada semente despertou e o mesmo se passa com toda a vida animal. É através desse misterioso poder que também nós temos o nosso ser e que do mesmo modo consentimos aos nossos vizinhos, mesmo animais vizinhos, um direito igual ao que temos, de habitar a terra.
No entanto, ouvi-me, minha gente, nós agora temos que tratar com outra raça - que era pequena e fraca quando os nossos pais a encontraram pela primeira vez, mas que agora é inumerável e esmagadora. Por estranho que pareça, tem propensão para cultivar o solo mas o amor da posse é uma doença entre eles. Essa gente fez muitas regras que os ricos podem quebrar mas não os pobres. Tiram dos pobres e dos fracos para alimentar os ricos que mandam. Afirmam que esta nossa mãe de todos nós, a terra, é deles, e separam-se com vedações dos vizinhos, e desfiguram-na com os seus edificios e o seu lixo. Essa nação é como uma torrente furiosa que salta das suas margens e destroi todos os que estão no seu caminho.
Não podemos habitar lada a lado. Há sete anos apenas fizemos um tratado no qual nos era assegurado que o país do búfalo seria nosso para sempre. Agora ameaçam tirá-lo de nós. Meus irmãos, devemos submeter-nos ou devemos dizer-lhes: "Matem-me antes de tomar posse da minha Terra Natal"..."

(O Sopro das Vozes. Textos de indios americanos, Assirio & Alvim)

segunda-feira, julho 23, 2007

Patrimónios: a dificil definição




A palavra património diz-nos que é alguma "coisa" que sobrevive ao passar do tempo e que é necessário preservar a todo o custo. Daqui resultaram inúmeras formas de hegemonização de um tipo de discurso essencialista, assim como, por consequência,se verificou por todo o recanto uma intensa activação de inúmeros repertórios patrimóniais, tendo como justificação a necessidade de preservação ou revificação da experiência cultural, tida como única e irrepetível. Quando falamos de património estamos também a falar de identidade, citando Elsa Peralta e Marta Anico, "ambos são ficções que veiculam imagens social e politicamente negociadas, bem como histórica e culturalmente construidas sobre um determinado colectivo humano" (Peralta e Marta anico, 2006).

sexta-feira, julho 20, 2007

GOLD



Foto: Samson Sharky

sexta-feira, julho 13, 2007

Bibliografias



"Transhumance sur la route des alpages (1951)"

140 pages
Edition Images en manoeuvre
63 rue Consolat
13001 Marseille

"En 1951, un photographe marseillais, Marcel Coen, et l'écrivain Maurice Moyal accompagnent des bergers transhumants et un troupeau de 2000 mérinos d'Arles dans leur lent trajet vers les Alpes.

Image fidèle de la transhumance qui est tout sauf une aimable promenade. Un hommage vibrant au courage des bergers d'hier et d'aujourd'hui."

E-mail: ieme@wanadoo.fr

quinta-feira, julho 12, 2007

Somos tão diferentes?



Uma consulta a não perder!

http://www.understandingrace.org/

terça-feira, julho 10, 2007

VII Encontro internacional de pastores, nomadas e transumantes



O museu da transumância de Guadalaviar (Serra de albarracin-Espanha) celebra este fim de semana a sua grandiosa festividade anual. Este ano o destaque vai para a cultura Mongol.