sábado, maio 03, 2008

ARQUITECTURA TRADICIONAL: O ARRAIAL



Monforte da Beira, 2008.

este é um exemplar extraordinário!

como tenho sistematicamente desenvolvido , neste lugar virtual, multiplas informações acerca destas arquitecturas relacionadas com os arraiais agricolas do sul da Beira Baixa, decidi, hoje, publicar apenas uma nota:

- ao contrário dos monumentos históricos, tantas vezes fruto de controversas medidas de protecção, estudos, orçamentos exorbitantes, a arquitectura rural é claramente um parente menor, esquecida, remetida para o mais inquietante dos esquecimentos, sem ideia de projectos, sem a minima das valorizações museológicas. se fizermos o exercicio pertinente de procurar no país projectos museológicos relacionados com estas arquitecturas, depressa esta sensação se tornará numa redonda certeza.

quinta-feira, maio 01, 2008

O ANIMAL ENCENADO

(Fonte: europe-travels; fête de la transhumance - Istres)



por todo o mundo mediterrâneo, principalmente, nas comunidades de montanha, onde a transumância teve uma importância histórica, celebra-se hoje, ou melhor, "inventa-se", "constroi-se", "encena-se" hoje, um tempo passado mitico associado ao mundo pastoril. centenas de rebanhos de ovelhas e de cabras desfilam pelas ruas das aldeias em festa, conjuntamente com os seus pastores e seus respectivos cães. um verdadeiro espectáculo, onde tudo é encenado, onde os animais são promovidos a actores principais, adquirindo novos estatutos. para além de todas as derivações folcloricas que destas manifestações patrimoniais possam surgir, é de salientar o papel que podem e devem desempenhar tais manifestações para a promoção do diálogo intercultural entre o labor do pastor e a restante sociedade. tantas vezes adiado pelo factor histórico de marginalização social associada à vida solitária do pastor.

segunda-feira, abril 28, 2008

EM TORNO DO OLHAR FOTOGRÁFICO


tal como o conjunto de temáticas que o ilustram, este é daqueles catálogos que exerce sobre o olhar uma relação mágica.
sous la direction d’Yves Le Fur
auteurs :
- Yves Le Fur, directeur adjoint du département du patrimoine et des collections, responsable des collections permanentes, musée du quai Branly - Quentin Bajac, conservateur au musée national d’art moderne, Centre Georges Pompidou- Christine Barthe, responsable de l’unité patrimoniale des collections photographiques, musée du quai Branly

"L’un des points forts de la spectaculaire exposition d’un regard l’Autre, est un ensemble de 120 photographies, pour la plupart inédites, issues des principales collections ethnographiques françaises, et notamment du fonds photographique du musée du quai Branly, jamais exposé à ce jour.
À travers portraits et paysages datant majoritairement du xixe siècle, il montre comment le regard porté par l’homme occidental sur l’« autre » s’est modifié à travers la photographie ethnographique ; ces documents ont désormais acquis le statut de véritables œuvres d’art.
L’album est structuré de telle façon qu’il laisse d’abord le champ libre aux images, organisées selon les grandes parties de l’exposition (Individus, fabrication du réel, capture de l’espace…). À la suite viennent leurs « commentaires », à travers les articles de trois spécialistes, Yves Le Fur, Quentin Bajac et Christine Barthe, abordant tour à tour le statut de ces photographies et l’histoire dans laquelle il s’insère.
Cet album inaugure une série d’ouvrages qui seront consacrés aux collections photographiques du musée du quai Branly, et il est l’occasion de la publication de photographies inédites de ce nouveau fonds comme d’autres collections françaises. Il ne s’agit pas de présenter un ensemble dans son exhaustivité, mais susciter l’envie d’en voir et d’en savoir plus sur ce fonds photographique.
"

sommaire
L’Album
1. Races, spécimens, individus
2. Portraits d’atelier
3. Mises en scène d’atelier
4. Champ/hors-champ
5. Photos sur le terrain : les groupes
6. Portraits sur le terrain
7. Corps étranges
8. Terra nullius
9. Jungles
10. Rivages
11. L’allée
12. Bâtiments coloniaux
Ce que l’art désire du réelpar Yves Le Fur
Déplacementspar Quentin Bajac
Des photographies dites « ethnographiques »par Christine Barthe
Notices des photographies
Biographies des photographes
Bibliographie générale

quarta-feira, abril 23, 2008

PAISAGENS PASTORIS


Zebreira.2006.


quando falamos de património rural, surge-nos de imediato o amplo dominio das construções. reflectindo de algum modo uma representação comum ligada a uma histórica concepção monumental do património. perante tal facto, interessa-nos sublinhar que numa determinada paisagem habitada dificilmente se podem separar as construções da dita paisagem, porque se complementam, se estruturam. a presente ilustração procura alertar para a maleável paisagem humanizada que se foi construindo num território historicamente ligado às milenares práticas agrícolas e pastoris. urge reflectir sobre este amplo território humanizado, para que de um modo consistente e estruturado se possam articular todas as variantes de projectos de valorização, preservação e desenvolvimento das populações locais. um exemplo: utilizar como veículo de promoção e de protecção destas paisagens humanizadas o famoso queijo de ovelha produzido na região, conjuntamente com todo o seu "saber-fazer" ancestral.

segunda-feira, abril 21, 2008

PARA ALÉM DA MEDICINA





tantos e tantos casos de curas milagrosas, mortes inexplicáveis, presentimentos de uma morte próxima, etc., que a medicina dita convencional não consegue encontrar explicações. será que a medicina que se ensina nas faculdades ignora tantos e tantos factos que extravazam todos os dominios do convencional. onde se encaixa o "para-normal" na formação de um médico? perante tais impressionantes dúvidas, o médico Robert Bobrow, autor desta obra que vos aconselho vivamente a devorar, rompeu com todos esquemas instalados na sua profissão e decidiu investigar esta temática que tanto têm de aterrador como de fascinante.

sexta-feira, abril 18, 2008

LEITURAS URGENTES




terrain n°16 mars 1991
Savoir-faire

Embora seja uma publicação antiga, continua a ser um bom conjunto de textos de apoio sobre a temática dos "saber-fazer", agora tão em moda com as suas valorizações e legitimações como patrimónios imaterias a preservar.

O resumo:

"Aux dires des gens de métiers, c'est le "tour de main" qui fait l'efficacité du geste technique. De l'artisan-parfumeur à l'ouvrier de la réparation navale, on mesure les enjeux soulevés: transmission de métiers menacés de disparition, sauvegarde et enrichissement du patrimoine technique, participation à l'identité des groupes sociaux."

segunda-feira, abril 14, 2008

ARQUITECTURAS TRADICIONAIS



V.A. 2007.

Seria importante que, paralelamente aos projectos de inventariação do património imaterial, se conjugassem esforços, à escala do país, para revisitar os inventários elaborados pelo Museu de Etnologia, sobre arquitectura tradicional e afins, entre a década de 60 e 70.

domingo, março 30, 2008

Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial


Encomendação das almas, Medelim.


Finalmente, foi publicado esta semana o decreto lei de ratificação da Convenção para a salvaguarda do Património Imaterial. Por fim, Portugal ratificou a tão desejada Convenção. Na sequência, o Instituto dos Museus está a preparar um conjunto de iniciativas que visam estruturar os novos desafios que se avizinham. Para tal, lançou recentemente um Programa de Estágios destinado a enquadrar a participação de Licenciados em Antropologia nos projectos em curso do Departamento de Património Imaterial. Trata-se sem dúvida de uma grande oportunidade. Toca a mexer!!!

consultar: http://www.ipmuseus.pt/

... quanto à imagem que ilustra este post, trata-se de uma encomendação das almas efectuada na encantadora aldeia de Medelim (Idanha-a-Nova). Esta prática assenta, muito resumidamente, num conjunto de cânticos executados por um grupo misto de homens e mulheres (pode variar de aldeia para aldeia), geralmente vestidos de luto, que se reúnem todas as sextas-feiras da Quaresma, normalmente à meia-noite, para percorrerem os pontos mais elevados da aldeia e em cada um destes entoarem os respectivos cânticos tristes acompanhados de algumas rezas.

sábado, março 29, 2008

SOBREVIVÊNCIAS ...


V.A..2007

Gradar a terra desta forma já não é uma prática muito comum neste Portugal dito rural sem ruralidade...

A fronteira como "património"...

Aconteceu ontem na Universidade Técnica de Lisboa-ISCSP.

"A fronteira como «património»: representações da raia entre Trás-os-Montes e a Galiza"

Paula Godinho


...fica o sumário e a partilha de uma temática que nos é tão próxima no seu sentido pleno...


"Nesta apresentação pretende-se interrogar os significados do património na raia, entre os concelhos de Chaves (em Portugal) e Cualedro, Oimbra, Verín e Vilardevós (no Estado espanhol). Quando se procura, através do registo escrito, reconstituir o passado neste segmento da fronteira são múltiplos os ecos da história militar que salientam o papel de acontecimentos de âmbito nacional, principalmente na resistência aos invasores estrangeiros. O castelo, o forte, a torre de menagem enfatizados pelo discurso erudito local ou translocal, podem ser subsumidos, desvalorizados ou destruídos na memória e nas práticas sociais locais que, seguindo uma lógica de bricolage, aproveitam, sob novos formatos, a sua materialidade, ou reinventam a sua recordação. A memória local, recolhida entre os residentes das aldeias raianas, está sobretudo eivada por sofrimento, marcada por carências, ressarcida entre o épico e o picaresco dos episódios de contrabando que configuram uma estratégia de resistência. As guerras, o contrabando, com um discurso explicativo em que a fome do passado era desencadeadora, ou a emigração, com o seu cortejo de clandestinos a caminho de vários países europeus, integram essa memória sofrida."

domingo, março 23, 2008

DO OLHAR...




M., 2007.

"do olhar"...

quinta-feira, março 20, 2008

RITOS QUARESMAIS


A quaresma que se iniciou com um amortalhar colectivo atinge o seu auge. Esta penitência colectiva  outrora assente sobretudo em ritos negativos: abstenção de consumir carne, proibição de actividades ruidosas, de cantar durante o trabalho e mesmo de usar roupas "alegres". Hoje resume-se praticamente à pontualidade do luto tenebroso da Sexta-Feira Santa, pautado por solenes procissões nas ruas escuras das aldeias onde o silêncio impera. Tudo se revela tenebroso: os passos lentos e dolorosos, as vestes negras, a sonoridade triste, a contenção das gestualidades, as velas e os archotes que crepitam como fogo-fátuos, o som sinistro das matracas que, segundo dizem,  "é semelhante ao som de ossos que se partem". Trata-se no seu pleno sentido simbólico de uma morte colectiva. Para quem nunca presenciou esta fascinante vivência, aconselho impreterivelmente o acompanhamento destes ritos tenebrosos pelas aldeias do concelho de Idanha-a-Nova, porque vale mesmo a experiência!

segunda-feira, março 17, 2008

ARQUITECTURAS DE TERRA




Casas em adobe, Ladoeiro (Idanha-a-Nova), 2008.

aqui neste lugar virtual tenho dedicado uma especial atenção a este tipo de construções. isto pelo facto de assistir ao seu progressivo desaparecimento. sabendo da importância milenar destas construções ecológicas, tenho alertado consecutivamente para a sua preservação. da minha parte, registo o saber-fazer dos seus "arquitectos", as suas técnicas, os materiais, as perícias, os objectos e as múltiplas histórias que lhes estão associadas. aproveito ainda para fazer a biografia possivel de algumas destas casas, traçar mapeamentos, etc. relativamente à sua localização geográfica dentro do concelho de Idanha-a-Nova, estas construções circunscrevem-se basicamente às aldeias do Ladoeiro e dos Toulões e suas respectivas paisagens limítrofes. 

domingo, março 16, 2008

FREE TIBET/ TIBET FREE


(Reuters)

Mais palavras para quê!?!?

sexta-feira, março 14, 2008

O REGISTO DAS TECNOLOGIAS DOS ESPANTALHOS


Cegonhas (Idanha-a-Nova), 2008.

Com o tão vincado abandono dos campos avultam por todas as paisagens inúmeros vestigios que evidenciam práticas hoje completamente inoperantes. Entre um vasto número, menciono e destaco as fantásticas tecnologias dos espantalhos, intimamente relacionadas com o afastamento dos potenciais invasores das parcelas cultivadas. Estamos perante uma multiplicidade de formas, umas ligadas à acção do vento, outras unicamente através da projecção do elemento da estranheza. Deste modo e por ser uma das minhas temáticas de eleição - a dimensão das tecnologias dos espantalhos - tenho por isso dirigido a minha atenção para o registo de um número crescente destas tecnologias, incluindo algumas inovações mais recentes como os cd's, os sacos plásticos coloridos, bonecas com fartas cabeleiras, etc. Aqui regressarei com a devida diversidade.

quarta-feira, março 12, 2008

LEITURAS ACTUALIZADAS EM TORNO DO "DAMONHO"...


Revista Terrain nº50 Mars 2008.

Sumário:

"De la grande panique sataniste qui a touché les USA et la Grande-Bretagne dans les années 1990 à l’omniprésence du Diable dans le discours des très dynamiques églises évangéliques, en passant par le regain des exorcismes effectués par les prêtres catholiques, la figure du Diable est toujours bien présente aujourd’hui en Europe. Même si la publicité use et abuse d’une image d’un Diable plus comique que dangereux, dans d’autres contextes ses représentations jouent toujours un rôle maléfique."

- Para consultar o sumário dos diversos artigos:

terça-feira, março 11, 2008

DAS RECOLECÇÕES À GASTRONOMIA LOCAL




Espargos-Asparagus officinalis

Por todo concelho de Idanha-a-Nova crescem estes espinhosos arbustos, simbolos exímios de orografias acidentadas. São essencialmente os seus frescos rebentos que são verdadeiramente apreciados nesta altura do ano. Importa sublinhar que um apreciável conjunto destas recolecções silvestres inscreve-se ao longo do calendário gastronómico local assinalando de forma evidente um conjunto de práticas e saberes que comportam: qualidades, épocas do ano, conhecimentos entre o que é comestivel e o que não é, perícias, sociabilidades, etc. Acerca deste vasto conjunto de recolecções destaco: os espargos, os tortulhos, as criadilhas, as meselhas, boguelhos, entre muitos outros (alguns destes nomes variam de aldeia para aldeia). Relativamente ao prato acima ilustrado deixo-vos o apetite para que possam saborear esta saudável refeição de espargos silvestres com ovos mexidos pelas terras idanhenses.

segunda-feira, março 10, 2008

porque o futebol é um fenómeno social e cultural de enorme amplitude, porque sou benfiquista, opto por colocar esta infeliz certeza: "o Benfica é um circo".

sábado, março 08, 2008

NOVAS CONFIGURAÇÕES DO UNIVERSO PASTORIL


V. A., Beira Alta, 2007.

Ouvi o harmonioso som dos chocalhos e das campainhas que me indicavam movimento. Orientei-me na sua direcção, segui por um velho caminho e de repente deparo-me com um tractor e uma mulher que o conduz e atrás, ordeiramente, numa sequência aparentemente pacífica e serena, o seu rebanho também ele a ser conduzido. A orientar este pequeno exército, dois cães hábeis na dita condução fecham as cerradas fileiras. Esta imagem ilustra muito bem o poder de adaptação e inovação dos grupos humanos. Vincando desta forma a errada visão de um mundo estático, fechado nesse passado concebido de modo idealista e ahistórico. Mesmo as sociedades mais remotas, como por exemplo aquelas confinadas em espaços de montanha, desde sempre procuraram romper com essa adversidade, através de seculares deslocações em busca de pastos, mercados e trabalho. Portanto, quando falamos de cultura, estamos também a falar de invenção, descontinuidade, novidade, ruptura, mudança, etc.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

LAVRAR A TERRA...

Ti Joaquim, Rosmaninhal, 2007.


Esta é uma imagem singular nos dias de hoje, pois com o processo de mecanização dos campos os tractores foram remetendo estes animais, estas ancestrais alfaias agricolas e suas funcionalidades para o esquecimento. Para além da importância do registo destas práticas que já se encontram mais próximas de se tornarem meras reminiscências, sublinho, exalto, aclamo, elogio principalmente a experiência sensorial que uma lavra elaborada a sangue emana, desde o fresco e estranho aroma da terra a ser dilacerada, às diversas sonoridades que acompanham e comportam este acto de lavrar a terra com um animal e com uma alfaia tradicional. Algo de muito para além das meras e infrutíferas explicações eruditas se apreende numa experiência vivida desta natureza.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

UM EXCELENTE PONTO DE PARTIDA...



"O que importa saber não é se o património produz e/ou expressa identidade, mas antes saber se produz e/ou expressa identificação, ou seja, até que ponto motiva um determinado conjunto de pessoas a se identificarem com uma determinada "ficção identitária" e até que ponto essa ficção é percepcionada enquanto real."

(Elsa Peralta e Marta Anico, Patrimónios e identidades, p. 3)

DAS MÃOS...



Maria Nabais, Penha Garcia, 2008.

Durante as minhas constantes conversas informais com as gentes das aldeias sempre registei e continuo a registar o universo do corpo enquanto simbolo de multiplas linguagens. Dos infinitos registos destaco aqui o meu fascinio pelas mãos das gentes que trabalharam árduamente nos campos. Mãos que aprenderam a utilizar diversas ferramentas, gestos e performances de trabalho e que devido à perserverância ficaram por isso perpetuados sob a forma de cicratizes, deformações e calos que hoje nos podem contar multiplas histórias.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

UMA ENTREVISTA AO GRANDE MESTRE BENJAMIM PEREIRA...



Conheci o grande mestre da etnologia portuguesa na Idanha, mais propriamente no Centro Cultural Raiano. Depois de ter lido até à exaustão os seus distintos trabalhos, eis que numa manhã de Maio tive a oportunidade de conversar acerca de muitas e infidáveis matérias e experiências. Nesta entrevista, Benjamim Pereira fala-nos sobre a importância da DANÇA em contextos rurais.
Desde aqui, deixo-lhe um abraço amigo.

sábado, fevereiro 23, 2008

ACERCA DAS BESTAS...





(Fonte: SICD)


Em primeiro lugar quero destacar este tempo remoto onde a arte das gravuras - que tanto admiro - ocupavam admirávelmente o lugar da fotografia. Em segundo lugar referir que tinha ou sentia a necessidade remota de escrever, ilustrar, apresentar, imaginar, arquitectar, fantasiar neste espaço virtual algumas linhas inteiramente dedicadas às denominadas BESTAS, pois uma das primordiais ideias implicitas na construção deste blogue foi precisamente perscutar os espaços a eles confinados dentro das ditas casas rurais. Deste modo, estes interessantes animais que outrora preenchiam um espaço de capital importância na vida das populações deste país ( embora em alguns casos, já muito pontualmente, ainda continuem a preencher em pleno as funções ancestrais ), encontram-se em vias de desaparecer para todo o sempre e com eles todas as suas práticas e funcionalidades. Deste célebre conjunto, cavalo,macho, mula e burro, este último talvez seja o que mais se têm destacado, pois beneficiou - e muito bem - de um conjunto de medidas no sentido de o proteger da sua total extinção do território nacional. Em alguns casos inserindo-se com relativa facilidade nos mesmos parâmetros de salvaguarda dos campos tão vastos dos patrimónios e com base em semelhantes activações começou mesmo a preencher novas funcionalidades ligadas a fins lúdicos, turisticos e terapeuticos. Aparecendo deste modo reinventado em inúmeras feiras encenadas, percursos de outrora, festas e tradicionais desfiles. Assim sendo temos o fim das funcionalidades ancestrais ligadas ao burro (trabalho, carga, ritualidades) e o (re)surgimento deste enquanto activação patrimonial, ou seja, enquanto memória colectiva e identidade ligada aos campos. Vale a pena questionar estas novas configurações patrimoniais...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

THE DARK SIDE OF THE MOON...






Ontem, tive a oportunidade de me deslocar para um ponto alto afastado de qualquer luz artificial (a chamada poluição luminosa) para vislumbrar um dos fenomenos astrofisicos que mais me fascina, os eclipses lunares e solares. O eclipse lunar de ontem foi total. Também contei com a sorte de entre alguma nebulosidade o céu ter ficado deslumbrantemente límpido. Valeu a pena o tempo, a madrugada, a força mágica do universo. Quanto ao próximo, só em 2010.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

MUSICA TRADICIONAL ITALIANA






Com esta encantadora performance intitulada de "Tarantella calabrese" fundo neste espaço um lugar para a dimensão das imagens em movimento.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

PATRIMONIOMANIA



Porque a qualidade maior do património rural está em: ser um espaço multidimensional apto a produzir e dar a ver a diversidade.

domingo, fevereiro 17, 2008

AS MATÉRIAS DA TERRA


Fabrica de cortiça, Ermidas do Sado, 2008.

O vislumbre do abandono de uma das matérias-primas mais característica e mais influente nas economias locais desta vasta região alentejana, ou seja, a cortiça. Aos mestres cortiçeiros, aos velhos complexos industriais que ficaram, à caracteristica paisagem de sobreiros e suas subculturas, aos circuitos, fluxos, migrações que muitas destas gentes efectuaram por todo o país...somo e registo no meu pequeno caderno de capa preta.

sábado, fevereiro 16, 2008

DAS GEOMETRIAS...



É esta a luz que nos enfeitiça...arquitecturas delicadamente lívidas com azuis de mar fortes.

"À DESCOBERTA DE SINES"





Como a luz desta encantadora cidade me fascina? Mesmo depois de deslumbradas e infinitas visitas, mesmo depois de cansar sem cansar o mais encantador dos deslumbramentos, ela, a cidade, continua noiva desse tempo perdido. Hoje, passeio devagar, calcorreo as suas ruas escancaradas para o mar, aproveito para descansar nas suas dobras, tal como os passáros extasiados nos altivos e incendiados beirais. Fico quieto, como um velho decifrador das matemáticas das sombras e dos gestos, observo a lassidão a trespassar este dia, o mar e os inúmeros barcos dos pescadores em laudanizantes esperas. Desloco-me e transcrevo-me para um velho caderno encardido.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

RAIA PROFUNDA


Rio Erges, Rosmaninhal, 2008.

Viagem ao coração das agrestes paisagens raianas.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O ENTRUDO




Celebramos os três dias gordos da festa do entrudo (introitus, entrada) que funda as suas raizes no mais profundo dos tempos. Trata-se como inúmeros autores assinalam de uma representação da morte de tudo o que existe e um renascimento colectivo. É o tempo da transgressão, da sátira onde tudo ou quase tudo é permitido.

A CASA DOS LABORES DAS MÃOS




Oficina de artes tradicionais, Idanha-a-Nova, 2008.

Como ainda tinha visitado esta casa recentemente inaugurada pela CMI, aproveitei e fui perscutar este antigo espaço tornado agora novo onde os labores das mãos são exaltados. Trata-se de um espaço extraordináriamente bem recuperado, onde se preservou a antiga estrutura conjuntamente com os seus materiais. Relativamente à sua importância social neste mundo infernalmente programado e dominado pelas maquinas, é de aplaudir de pé quando se inaugura um espaço dedicado aos ancestrais labores das mãos. Pois com ele revitalizam-se saberes, memórias, utensílios, performances e diálogos esquecidos. Veja-se a titulo de exemplo o adufe, com os seus multiplos discursos sobre a sua construção e autênticidade, os seus materiais originais, a sua linguagem na ritualidade de um povo, a sua ligação a uma paisagem pastoril, as suas multiplas formas de o tocar, o seu lugar e sua importância no espaço doméstico, a sua importância enquanto simbólo identitário de uma região, etc, etc.

domingo, fevereiro 03, 2008

ARQUITECTURAS TRADICIONAIS




Ponte tradicional em xisto, Rosmaninhal, 2008.

Com o progressivo abandono dos campos, estas arcaicas passagens foram caindo no mais fragmentado dos abandonos. Sendo estas em si mesmas testemunho vivo de importantíssimos fluxos viários ligados ao usufruto destas paisagens ditas agro-pastoris, assim como de um conjunto de saber-fazer técnicos e de uma memória ligada a ancestrais mobilidades onde a tracção animal imperava, é urgente a sua requalificação, estudo e inventariação.

sábado, fevereiro 02, 2008

LUZ SEPULCRAL




Cozinho em fogo lento um trabalho sobre esta luz espectral...

DE VOLTA...POR ALGUNS MOMENTOS..



decidi caminhar durante alguns dias e algumas noites por caminhos de pó deste tão vasto mundo. cansar o corpo, fatigá-lo com o suor do fascínio. deixar desfilar o olhar cansado pelo acaso do sonho. acordar com a nudez branca de uma luz matinal. e as noites, as noites, é absolutamente necessário entregar o espirito ao mágico odor da noite...

um pensamento:

"Talvez não devêssemos nunca procurar um traje novo, por mais esfarrapado e sujo que estivesse o velho, a não ser quando, tendo gerido, batalhado ou viajado de algum modo, nos sentíssemos como homens novos dentro de roupas velhas, a tal ponto que mantê-las seria como guardar vinho novo em odres velhos".

in Henry David Thoreau, Walden ou a vida nos bosques, p. 39.